Criado em 1973 e com nota máxima nas avaliações do Ministério de Educação e Cultura (MEC), o curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) quase foi extinto. O motivo foi o impasse na coordenação do curso, que ficou sem alguém fixo no cargo por dois anos. Caso uma pessoa não assumisse a gestão de forma titular, as regras da universidade impediriam a realização do vestibular e, com isso, o curso deixaria de existir.
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Entre os motivos para a instabilidade na coordenação estavam a sobrecarga de trabalho docente e afastamentos por questões de saúde, segundo o professor do curso Rodrigo de Sales.
Porém, após pressão dos estudantes, dois professores devem assumir a coordenadoria do curso: Marcelo Minghelli e Rodrigo de Sales. A nomeação está prevista para a próxima semana, conforme a UFSC.
Como é o Curso de Biblioteconomia da UFSC?
O curso de Bacharel em Biblioteconomia da UFSC tem a duração de oito semestres e inclui disciplinas como Introdução às Tecnologias da Informação e Comunicação, Recuperação da Informação, Introdução a Bancos de Dados e Preservação Digital. Seu objetivo é formar bibliotecários comprometidos com a gestão da informação e conscientes da importância de eliminar barreiras no acesso ao conhecimento.
Além disso, o curso busca capacitar o profissional para processar informações registradas em diferentes tipos de suporte, gerenciar atividades de seleção, análise e uso da informação. Também prepara o profissional para implantar e gerenciar programas de informatização.
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— O curso acompanha as mudanças da área ao longo do tempo, principalmente com essa parte mais tecnológica e de acesso à informação, que vem crescendo bastante. É um curso muito importante justamente porque a gente vive numa era de excesso de informação, então ter profissionais qualificados para organizar, filtrar e garantir acesso confiável faz toda a diferença — explica Agatha Perera, uma das representantes do Centro Acadêmico de Biblioteconomia (CAB-UFSC).
Com o que trabalha o bacharel em Biblioteconomia?
Quem se forma no curso não trabalha apenas em bibliotecas. É possível atuar na organização de arquivos, centros de documentação, editoras e órgãos públicos, além de atuar com gestão de informação digital, curadoria de conteúdo e organização de dados.
— Muita gente tem preconceito, achando que só trabalhamos em bibliotecas. Mas o curso abre um leque gigante. A mídia física nunca vai sumir e precisamos organizar isso, além de ter o controle do conteúdo que a gente produz — explica Agatha.
Além disso, os profissionais formados no curso promovem o acesso à leitura e ao conhecimento:
— Temos a parte técnica, mas também temos a parte social de formar pensadores críticos, estudantes que gostem e incentivem a leitura. Temos uma importância social e estrutural muito importante.
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Confira fotos do curso de Biblioteconomia da UFSC
Entenda por que o curso quase foi extinto
De acordo com o Secretário de Comunicação da UFSC, Marcus Pêssoa, durante dois anos o curso teve coordenações temporárias, isto porque nenhum docente demostrava interesse em assumir a graduação. Entre os motivos, segundo o professor do curso Rodrigo de Sales, estavam a sobrecarga de trabalho docente e afastamentos por questões de saúde.
Conforme regras da UFSC, a falta de coordenadores em um curso implicaria na exclusão da graduação do vestibular. “Historicamente, sabemos que um curso sem entrada de alunos entra em processo de encerramento. Estamos presenciando o início do fim de um dos cursos mais antigos da UFSC”, se manifestou o Centro Acadêmico de Biblioteconomia (CAB), em nota em 26 de março.
Em 30 de março, alunos da graduação ergueram cartazes pedindo a ocupação da coordenação durante um debate entre as chapas que concorrem à eleição da reitoria na universidade.
Após a pressão dos estudantes, dois professores devem assumir a coordenadoria do curso. A nomeação está prevista para a próxima semana.
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*Sob supervisão de Luana Amorim







