Itajaí deu mais um passo para se consolidar como polo estratégico da indústria naval brasileira com a incorporação da fragata que batiza a classe, “Tamandaré (F200)”, à Marinha do Brasil no final de abril. O navio é o primeiro de oito embarcações que servirão para proteger a costa brasileira contra ação pirata e pesca ilegal.

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Com 107 metros de comprimento e construída no estaleiro Thyssenkrupp Brasil Sul, a F200 é capaz de atacar por terra, mar e céus, e vai compor uma frota de defesa e patrulhamento na Amazônia. As primeiras quatro embarcações do programa devem ser entregues até 2029, e contam com um investimento federal de R$ 13,8 bilhões.

Veja como é o gigante de guerra

Segundo o estaleiro responsável, a fragata tem deslocamento de cerca de 3,5 mil toneladas e conta com convoo, hangar para helicóptero, além de radares, sensores e armamentos modernos. O gigante é um navio de escolta com ampla capacidade de combate, podendo atuar em operações na superfície, no ar e no ambiente submarino.

Uma de principais funções da Tamandaré é proteger embarcações de maior valor dentro de grupos-tarefa formados por diferentes tipos de navios. A estimativa é que cerca de 130 militares, que já passaram por treinamento especializado para operar a embarcação com segurança e eficiência atuem no navio.

O que são fragatas

As embarcações são navios militares de médio porte, conhecidos pela versatilidade e importância estratégica em diferentes tipos de missão. Elas são usadas principalmente para escolta, patrulhamento e defesa contra ameaças aéreas e submarinas, reunindo velocidade, boa capacidade de manobra e poder de combate, tanto em tempos de paz quanto em situações de conflito.

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As fragatas modernas contam com tecnologias avançadas, como sensores, radares, mísseis e sistemas de defesa, além de terem estrutura para operar helicópteros embarcados. Por serem menores que navios como destróieres e cruzadores, conseguem atuar com mais agilidade e discrição, protegendo rotas marítimas, áreas de exploração de petróleo e regiões costeiras estratégicas.

Na Marinha do Brasil, essas embarcações desempenham um papel fundamental na proteção da chamada Amazônia Azul, ajudando a garantir a segurança das águas territoriais e a soberania do país. Nesse contexto, a modernização da frota, com projetos como a Classe Tamandaré, é considerada essencial para fortalecer a capacidade naval brasileira.

Veja a F200 chegando ao Rio de Janeiro

Construída em Itajaí, a embarcação percorreu cerca de 765 km até a capital fluminense, para a Cerimônia de Mostra de Armamento, em 24 de abril de 2026, que marcou a incorporação oficial à Marinha do Brasil.

Classe Tamandaré

A obtenção de quatro fragatas da Classe Tamandaré integra um dos programas estratégicos da Marinha do Brasil, com o objetivo de modernizar o poder naval do país e fortalecer a indústria de defesa nacional. As embarcações são gerenciadas pela EMGEPRON e construídas pela Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis.

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As fragatas serão navios escolta modernos, com alta capacidade de combate e preparados para enfrentar diferentes tipos de ameaças. Entre as principais funções estão a proteção do tráfego marítimo, a defesa do litoral brasileiro e a garantia da soberania nas águas do país.

Como a Fragata Tamandaré opera

A mais nova embarcação da Marinha, a Fragata Tamandaré, foi feita para atuar de forma versátil em diferentes cenários operacionais. Com capacidade de atuar nos ambientes marítimo, aéreo, terrestre e submarino, a embarcação é preparada tanto para missões de defesa quanto para ações de vigilância e patrulhamento.

Com uma autonomia de 5,5 mil milhas náuticas e velocidade de até 25 nós, e embarcação permite operações prolongadas e resposta rápida em áreas estratégicas. Além da atuação militar convencional, a fragata também desempenha papel importante em missões de segurança e proteção marítima.

O navio de guerra pode ser utilizado no combate a pirataria, enfrentamento da pesca ilegal e para apoio em situações de poluição ambiental. Além disso, a F200 foi equipada com tecnologia de ponta, e conta com um sistema de combate integrado, sensores de última geração e recursos stealth, que reduzem a detecção do navio em radares inimigos.

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Armamento

  • Mísseis antinavio, para ataques contra embarcações
  • Mísseis antiaéreos de lançamento vertical, para defesa contra aeronaves
  • Torpedos, voltados ao combate submarino
  • Canhão de 76 mm de tiro rápido
  • Metralhadoras 12,7 mm
  • Sistemas de autoproteção antimíssil

Poder de fogo

Com uma tripulação de 143 militares, a fragata reúne um conjunto avançado de sensores e sistemas embarcados voltados à vigilância, ao controle do espaço marítimo e à condução de operações navais.

O navio é equipado com radar de vigilância aérea e de superfície, sonar de casco e sistemas eletro-ópticos e infravermelhos, que ampliam a capacidade de detecção e acompanhamento de ameaças em diferentes ambientes operacionais.

A arquitetura segue padrões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), permitindo interoperabilidade com meios de outras forças. O projeto também incorpora elementos stealth que reduzem a assinatura radar (capacidade, dentre outras coisas, de detecção do navio), aumentando a eficácia em missões táticas.

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Outras fragatas estão em construção em Itajaí

Com mão de obra nacional e transferência de tecnologia alemã, as unidades estão previstas no Programa Fragatas Classe Tamandaré, que tem como objetivo reforçar a segurança fluvial na Amazônia. A previsão é que essas quatro fragatas do primeiro lote estejam prontas até 2029.

Todas levam um nome diferente e passam por cinco etapas principais:

  1. Primeiro corte de chapa: marca o começo da construção de um navio. Este evento é simbólico, pois representa a transição da fase de projeto e planejamento para a fase de fabricação.
  2. Batimento de quilha: cerimônia que marca o início da montagem da embarcação, simbolizada pela união dos dois primeiros blocos do navio.
  3. Lançamento ou batismo: Momento em que a madrinha batiza a fragata. O batismo segue a tradição de quebrar uma garrafa de champanhe no casco para boa sorte.
  4. Provas de mar: estágio de avaliações técnicas em que o navio deixa o estaleiro com militares e civis a bordo. Essas provas buscam confirmar a robustez, a segurança e a confiabilidade do navio. 
  5. Mostra de Armamento: cerimônia que marca a incorporação oficial da fragata à Marinha do Brasil.

Veja o andamento de cada fragata

Fragata F200, a Tamandaré:

  • Primeiro corte de chapa: setembro de 2022.
  • Batimento de quilha: 24 de março de 2023;
  • Lançamento: 9 de agosto de 2024;
  • Provas de mar: agosto a dezembro 2025;
  • Mostra de Armamento: 24 de abril de 2026.

Fragata F201, a Jerônimo de Albuquerque:

  • Primeiro corte de chapa: novembro de 2023;
  • Batimento de quilha: 6 de junho de 2024;
  • Lançamento: 8 de agosto de 2025;
  • Provas de mar: Previstas para segundo semestre de 2026;
  • Mostra de armamento: prevista para 2027.

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Fragata F202, a Cunha Moreira:

  • Primeiro corte de chapa: 28 de novembro de 2024;
  • Batimento de quilha: 5 junho de 2025;
  • Lançamento: previsto para 17 de junho de 2026;
  • Provas de mar: previsão não informada.
  • Mostra de armamento: prevista para fevereiro de 2028.

Fragata F203, a Mariz e Barros:

  • Primeiro corte de chapa: 9 de janeiro de 2026;
  • Batimento de quilha: previsto para outubro de 2026;
  • Lançamento: previsto para Novembro de 2027;
  • Provas de mar: previsão não informada.
  • Mostra de armamento: previsto para 2029.