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    O que fazer com o saque do FGTS

    Especialista dá dicas em como aplicar ou aproveitar o dinheiro liberado aos trabalhadores 

    24/07/2019 - 16h17 - Atualizada em: 24/07/2019 - 20h21

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    Caroline
    Por Caroline Stinghen
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    O presidente Jair Bolsonaro assinou medida provisória na tarde desta quarta-feira (24) que vai liberar até R$ 500 para saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O benefício valerá para cada conta ativa e inativa do trabalhador. Os saques poderão ser feitos a partir de setembro deste ano.

    Para o doutor em Finanças Comportamentais e professor na UFSC, Jurandir Sell, o valor divulgado pelo governo federal não pode ser considerado baixo, principalmente para quem possui renda de um salário mínimo, por exemplo. E, independente do valor que será sacado, a sugestão do especialista para todos os trabalhadores é retirar o fundo.

    — Retire o fundo o mais rápido possível quando ele for liberado, porque ele rende muito pouco na conta. Não vale a pena — alerta.

    Sell orienta a usar este dinheiro para pagar ou renegociar dívidas. Atualmente, o valor médio da dívida do catarinense é de R$ 903.65, de acordo com a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina (FCDL-SC). Nesta média, não estão incluídas dívidas de bancos - apenas do setor lojista e cooperativas.

    — Use o dinheiro para renegociar dívidas, principalmente as de cartão de crédito e cheque especial, que possuem juros muito altos e que podem complicar o consumidor no futuro. Em seguida, dê prioridade para pagar contas em atraso. Muita gente tem costume de pagar contas essenciais como luz, água, IPTU, com um mês de atraso. A sugestão é manter estas contas em dia — observou o especialista.

    Caso as dívidas já estejam quitadas e o trabalhador esteja vivendo uma posição mais confortável, Sell sugere aplicar o dinheiro na caderneta de poupança ou investir no Tesouro Selic. Atualmente, os juros da conta do FGTS correspondem ao valor da taxa referencial (TR), mais 3%.

    — Como a TR está próxima a zero, não rende nada para o trabalhador. O Tesouro Selic está rendendo cerca de 6,5%. A gente até pode pensar que é pouco, mas se falarmos em 20, 30 anos, o valor da aplicação fica alto. O trabalhador brasileiro é bastante prejudicado com a baixa rentabilidade do Fundo de Garantia — observa.

    E aí, claro: se o cidadão está sem dívidas e possui uma boa reserva guardada, que pelo menos corresponda a três vezes o que o trabalhador gasta por mês, está liberado usar o dinheiro do FGTS para realizar um sonho - ou dar entrada num sonho - como uma viagem, compra de eletrodomésticos ou até iniciar uma reforma da casa, diz o especialista.

    Saque de R$ 500 cobriria 15% da dívida média do brasileiro

    O valor divulgado pelo governo, de R$ 500, é bem menor do que o especulado anteriormente, com saques que iriam até R$ 3 mil, número próximo à média de endividamento do brasileiro. Segundo dados do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) e da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) de junho, o inadimplente deve, em média, R$ 3.252,70. A maior parte dos atrasos se concentra em contas de água e luz.

    Até abril deste ano, cerca de 41% da população adulta, 62,6 milhões de brasileiros, estava no vermelho. Vale lembrar que apenas metade desta população têm carteira assinada. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de maio, 32,1 milhões de brasileiros têm carteira assinada.

    Como o valor liberado pelo governo é apenas 15% da dívida média, a quantia provavelmente será usada para consumo, apontam economistas.

    — As pessoas interpretam isso como algo que veio do nada e gastam sem peso na consciência. Mas esse dinheiro não caiu do céu, é um dinheiro do seu bolso, que no futuro você teria — afirma José Vignolli, educador financeiro do SPC.

    Em 2017, a liberação do FGTS injetou R$ 44 bilhões na economia e fez o PIB (Produto Interno Bruto) crescer cerca de 0,7 ponto percentual.

    — Em 2017, como a maior parte dos saques era de até R$ 1.500, houve um momento imediato de limpeza, com a diminuição no endividamento da família. Mas foi algo momentâneo, que corre o risco de acontecer o mesmo agora — diz Vignolli.

    Naquele ano, o número de devedores e o número de dívidas tiveram quedas acentuadas nos períodos de saque do FGTS, de março a julho, e nos meses sequentes. A inadimplência voltou a crescer em abril de 2018.

    Segundo o educador financeiro, mesmo com a quantia de R$ 500, a primeira opção também deve ser quitar dívidas. Não apenas pagar parcelas atrasadas, mas negociar o total devido e tentar saldar de uma vez esta pendência.

    * Com informações da Folhapress

    Como conferir o valor disponível do FGTS

    O FGTS deve ser depositado pelo empregador no início de cada mês, em uma conta aberta em nome do trabalhador na Caixa Econômica Federal. O valor correspondente é de 8% do salário do funcionário.

    O saldo pode ser consultado nas agências da Caixa, no balcão de atendimento com documentos pessoais ou com o Cartão Cidadão – desde que o usuário lembre-se de sua senha. Não há um número de telefone para consultar o valor.

    A alternativa mais fácil é checar pela internet, pelo site da Caixa ou do FGTS.

    Saldo online

    * Para saber quanto você possui nas suas contas ativas e inativas do FGTS, você precisa criar um cadastro no site da Caixa, pelo endereço www.caixa.gov.br/extrato-fgts.

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    * Em seguida, informe o número do seu NIS e clique em "cadastrar senha".

    * Leia o regulamento e clique em "aceito".

    * Preencha todos os campos com seus dados pessoais, inclusive com o número título de eleitor.

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    * Crie uma senha com até oito dígitos e confirme.

    * Você receberá uma notificação pelo e-mail que você cadastrou.

    * Em seguida, para acessar, preencha os campos e aperte em OK.

    * Pronto. Você já pode consultar o seu extrato do FGTS.

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