Os ônibus do transporte público da Capital amanheceram paralisados nesta terça-feira (17), com a greve de ônibus. Essa foi a terceira paralisação desde que o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Urbano da Região Metropolitana de Florianópolis (Sintraturb) decretou greve, na última quarta-feira (11). Às 14h, representantes dos trabalhadores e dos empresários irão se reunir novamente para negociação.
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A última vez que o transporte público de Florianópolis havia entrado em greve foi em 2016, segundo informações do Sintraturb. Na época, foram dois dias, que incluíram também ônibus de cidades da Grande Florianópolis.
Neste ano, os trabalhadores reivindicam um reajuste de 6% no salário — pouco acima do valor correspondente à inflação do período, que foi de 5,32% —, 10% no vale-alimentação e um adicional de 10% para motoristas que também exercem a função de cobrador, entre outras reivindicações (veja mais abaixo). As negociações com as empresas de ônibus iniciaram em 30 de maio.
Em 11 de junho, o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros da Grande Florianópolis (Setuf) fez uma proposta oferecendo um reajuste de 6%, além de um aumento de 8% no vale-alimentação. No mesmo dia, à noite, uma assembleia do Sintraturb rejeitou a proposta por unanimidade e entrou em estado de greve. As paralisações estão sendo feitas de forma esporádica, iniciando nas primeiras horas da manhã e se estendendo até por volta das 10h.
Paralisações e caos na cidade
Na quinta-feira (12), a primeira paralisação afetou ônibus do Norte e Leste da Ilha, pegando moradores de surpresa entre as 4h e às 10h. Entre 30 e 40 mil usuários foram impactados, segundo estimativa do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros da Grande Florianópolis (Setuf).
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Na sexta-feira (13) e no fim de semana, os ônibus circularam normalmente. No entanto, na segunda-feira (16), uma segunda paralisação afetou linhas do Sul da Ilha, entre as 4h e 9h. No total, 10 mil pessoas foram afetadas pela paralisação, conforme o Setuf.
Já nesta terça-feira, a terceira paralisação afetou linhas do Norte e Leste da Ilha, entre as 4h e 10h30min. A greve causou um caos na cidade, com longas filas nos terminais e trabalhadores tento que aguardar o transporte por horas. Conforme o Setuf, 32 mil pessoas foram afetadas direta ou indiretamente com o novo ato.
Veja fotos da paralisação nesta terça-feira
Reivindicações e propostas
Os motoristas e cobradores pedem um aumento de 6% no salário, de 10% no tíquete alimentação, e de 10% na gratificação Trabalhar Sozinho (dirigir e cobrar). Conforme o Sintraturb, uma das propostas patronais consideradas insuficientes e que deu origem ao estado de greve propunha ações como o fim do duplo contrato de 6h20min e 3 horas, o pagamento com adicional das horas trabalhadas em sequência à jornada noturna, inclusive as extras, e o pagamento do vale alimentação a ser feito no primeiro sábado de cada mês.
Além disso, a proposta também tratava do fornecimento de dois conjuntos de uniformes, com quatro peças, a cada seis meses; que os custos dos exames toxicológicos exigidos sejam cobertos de forma integral pelas empresas; e a retirada da obrigação de devolução dos valores do troco em caso de assaltos, além da prevista retirada da escala e apoio para a lavratura do BO.
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As escalas de feriados especiais também entraram na proposta, com a garantia de que seja garantido o rodízio no feriado de Natal e Ano Novo, folgando nestas datas os trabalhadores que atuaram em 2024. As empresas também garantiriam o pagamento do salário normativo ao empregado afastado por doença até a data do recebimento da primeira parcela do benefício do INSS. O pagamento também deve ser ressarcido pelo empregado em até seis parcelas.
O sindicato também pede que as empresas se reúnam com os membros do órgão todos os meses para tratar dos problemas e pendências cotidianas; e que as empresas assumam a totalidade do aumento das mensalidades até o limite de 10% dos planos de saúde.
Novas negociações nesta terça-feira
Na noite de segunda-feira (16), o Setuf anunciou que retirou a proposta feita na quarta-feira (11), que previa o aumento de salário de 6%, com ganho real de 0,68%, do vale alimentação de 10%, com ganho real de 4,68%, e do bônus Dirigir Sozinho para 10%, com ganho real de 4,68%.
Com a retirada de validade da proposta, o sindicato voltou a propor apenas o aumento pelo INPC — ou seja, reajuste de 5,42% no salário, 5,32% no vale alimentação, e 5,32% no bônus Dirigir Sozinho.
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Deonisio Linder, presidente do Sintraturb, classificou a retirada da proposta como uma ação “de praxe” dos empresários. Nesta terça-feira, às 14h, representantes dos trabalhadores e dos empresários irão se reunir para uma negociação na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT), em Florianópolis.
O que diz a prefeitura
Em nota na última quinta-feira (12), a prefeitura de Florianópolis informou que acompanha as negociações “colaborando em tudo o que era possível para evitar possíveis danos à população” (veja a nota completa abaixo).
Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito Topázio Neto (PSD) afirmou que segue em contato com os dois sindicatos para auxiliar nas negociações.
— O transporte público de Florianópolis é uma operação concedida para um consórcio de empresas. Portanto, eu vou cobrar do consórcio o cumprimento do contrato, ou seja, ter ônibus disponíveis para a população […]. Em paralelo, a prefeitura está organizando a disponibilização de vans para atender a população. São milhares de pessoas que dependem de um transporte público e que não podem ficar na mão sem a presença dos ônibus. Durante todo o dia vamos monitorar, empenhar todo o nosso efetivo da guarda municipal com o auxílio da Polícia Militar, auxiliar nas negociações, mesmo sendo uma relação entre as empresas e o sindicato — disse Topázio.
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Nota da prefeitura na íntegra
“Os trabalhadores do transporte coletivo definiram, em assembleia realizada na noite desta quarta-feira, paralisações esporádicas sem greve geral no transporte coletivo.
A Prefeitura de Florianópolis, considerando a importância do funcionamento do transporte coletivo à cidade, prepara ações para reduzir os impactos das paralisações.
Para isso, o Município irá, em um primeiro momento, autorizar o uso de transportes alternativos, como vans privadas, para aqueles que quiserem utilizar esse meio enquanto o serviço estiver sendo afetado. A Guarda Municipal também atuará para garantir o direito de ir e vir da população.
A administração acompanhou as negociações entre sindicato e Consórcio Fênix, colaborando em tudo o que era possível para evitar possíveis danos à população“.
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