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Obras do contorno ferroviário de Joinville completam dez anos paradas; veja o que falta para retomada

Desvio da linha férrea que hoje passa por dentro da cidade tem investimento estimado em R$ 450 milhões

30/06/2021 - 06h00

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Hassan
Por Hassan Farias
Trilho de trem em Joinville
Trilhos de trem passam pela área urbana de Joinville
(Foto: )

As obras do contorno ferroviário de Joinville, que fariam o desvio da linha férrea da área urbana com a construção de um novo traçado, completaram dez anos paradas neste mês. Desde 2011, o município aguarda pela retomada dos trabalhos, que têm investimento estimado em cerca de R$ 450 milhões.

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Pelo projeto, a nova estrada de ferro terá quase 18 quilômetros de extensão. Ela começa em Guaramirim, passa por Joinville e termina em Araquari, onde ficaria o novo pátio ferroviário, próximo da BR-101. A construção do novo traçado começou em 2007 e parou quatro anos depois porque estudos mostraram que o solo não era firme o suficiente para receber os trilhos.

Desde então, a obra não foi retomada por falta de recursos. Uma das saídas para tentar voltar a construir o novo traçado é incluir o contorno de Joinville na antecipação da renovação do contrato da malha da região Sul do país. A proposta do governo federal chegou a ser discutida entre 2017 e 2018 e agora foi retomada pelo Ministério dos Transportes.

Além da falta de recursos, é necessário cumprir algumas etapas antes do retorno das obras. Uma delas, que já teve início, é o licenciamento da Variante Araquari, uma mudança no futuro traçado da linha do trem devido ao crescimento da cidade no entorno do trajeto definido inicialmente.

Além disso, há outras demandas como a aprovação do plano arqueológico, conclusão da revisão do projeto executivo, atendimento do plano indígena, entre outros.

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O que dizem as autoridades

A empresa Rumo, responsável pelo transporte ferroviário, disse que apoia todas as iniciativas para melhorar a mobilidade urbana, acompanha o processo do contorno ferroviário e que todas as questões sobre a tramitação do projeto são de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O órgão federal confirmou que o traçado original precisou ser refeito para desviar as áreas urbanas e que está tentando incluir essa obra no orçamento da União de 2022 para que os trabalhos possam ser iniciados no segundo semestre.

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Já o secretário de Planejamento Urbano e Desenvolvimento Sustentável de Joinville, Marcel Virmond Vieira, informou que o prefeito Adriano Silva solicitou ao ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, que conversasse com o Ministério da Infraestrutura para acelerar o andamento das obras do contorno ferroviário.

Segundo ele, a execução do desvio da linha férrea permitira o aproveitamento do ramal para uso do transporte coletivo urbano. Porém, o município também negocia em Brasília uma autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para usar a linha férrea para o transporte de passageiros antes mesmo da conclusão do contorno ferroviário.

> Contorno ferroviário de Joinville fica fora da proposta do orçamento da União para 2021

Trilhos de trem em Joinville
Trilhos de trem em Joinville
(Foto: )

Trilhos são como uma cicatriz na cidade, diz especialista

Em entrevista à NSC TV, a especialista em infraestrutura de mobilidade urbana e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em Joinville, Renata Cavion, explicou que os trilhos de trem são como uma cicatriz na cidade.

- Nós temos hoje um trilho que segmenta a cidade, mas temos também uma questão de cultura, relacionada ao desenvolvimento urbano da cidade. Como ela chegou a ser o que é hoje, dependeu também desse trilho. No momento em que foi executado, ele trouxe benefícios muito grandes ao desenvolvimento da cidade. Então, temos laços econômicos e com a população - explicou.

No entanto, enquanto o novo contorno não sai do papel, novos projetos para a linha férrea podem surgir da união de esforços de diferentes setores para encontrar uma saída para o trem e para a cidade.

- Alguns projetos deveriam ser feitos para articular esse ponto turístico, que é a Estação da Memória, os trilhos que existem aqui, mas dando vida a estes elementos. Talvez, fomentando o turismo, estimulando um trânsito local para transporte de passageiros, mas são projetos que devem ser desenvolvidos com outros setores que pensam o planejamento da cidade - apontou Renata.

> Mobilidade em Joinville: o que Viena e Stuttgart podem ensinar sobre integração de transportes

Estação da Memória de Joinville
Estação da Memória de Joinville
(Foto: )

Histórico dos trens em Joinville

A estação ferroviária de Joinville foi inaugurada em 1906 e tornou-se uma opção de transporte entre a cidade com São Francisco do Sul, em uma época em que os bondes eram puxados por burros.

Os trens mistos, que levavam pessoas e cargas ao mesmo tempo, começaram a circular na década de 1970. Nos anos seguintes surgiu a Litorina, que ficou com a função de levar somente passageiros até na década de 1990, quando chegou ao fim após as privatizações das ferrovias. Desde então, apenas os trens cargueiros usam a linha férrea.

A estação de Joinville foi construida no limite do perimetro urbano e apenas depois foi que surgiu a hoje conhecida zona Sul da cidade. Desde lá, só temos trens cargueiros usando a linha ferrea.

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