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CASO MAITÊ

Padrasto disse que “ficha não caiu” ao confessar assassinato de menina em Treze Tílias

Homem reforçou confissão do crime em depoimento à Polícia Civil

28/04/2022 - 13h13

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Paulo
Por Paulo Batistella
Menina de dois anos foi encontrada no apartamento da mãe já em vida
Menina de dois anos foi encontrada no apartamento da mãe já em vida
(Foto: )

O homem que confessou ter assassinado uma menina de dois anos em Treze Tílias, no Meio-Oeste catarinense, se mostrou incrédulo com o crime que cometeu, mas também pouco expressivo em seu depoimento à Polícia Civil nesta quarta-feira (27). Ele era ex-padrasto da criança.

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 — Como ele disse, palavras dele: não tinha caído a ficha ainda de que tinha cometido aquele ato. Mas ele não chorou, não chorou. Ele estava meio, meio arrependido, mas não estava assim… Era um cara frio — disse o delegado Marcelo Marins, à frente do caso, ao Diário Catarinense.

O depoimento ocorreu na delegacia regional de Joaçaba, onde ele reiterou aos policiais civis ter assassinado Maitê Brambila dos Anjos. Mais cedo, ele já havia confessado o crime à Polícia Militar, na ocasião em que se entregou em Treze Tílias. Ele era procurado desde a noite de terça-feira (26), quando o corpo da menina foi encontrado já sem vida no apartamento da mãe.

O suspeito do caso, como é tratado formalmente, foi autuado em flagrante pela Polícia Civil por homicídio e encaminhado ao Presídio Regional de Joaçaba, onde está detido.

Além dele, uma tia de Maitê já depôs aos policiais civis. A mãe da criança ainda não pôde ser ouvida formalmente, devido ao estado de abalo emocional em que se encontra, segundo o delegado Marins.

Entenda o caso

Conforme relato de familiares ao Diário Catarinense, a mãe de Maitê e o ex-companheiro tinham terminado uma relação há cerca de dois meses. O homem, porém, permaneceu morando com as duas enquanto procurava por uma nova residência. Na terça, quando deveria deixar o local, ele teria pedido um tempo para ficar com Maitê, se despedir dela e comprar presentes.

A madrasta da menina, Marcia Ribeiro, relatou, à reportagem, que o homem que confessou ter matado Maitê não demonstrava comportamento violento e tratava todos aparentemente bem. 

Ao voltar do trabalho, por volta das 18h, a mãe da criança encontrou o apartamento trancado e não conseguia contato com o ex-companheiro. Ela acionou então o pai da menina, Juliano Cezar Matias.

Ambos passaram a fazer buscas de carro pela cidade e foram até a quitinete para onde o ex-padrasto supostamente deveria se mudar, mas não encontraram ele. A mãe de Maitê relatou então o desaparecimento à polícia e ao Conselho Tutelar.

— Ele disse que tinha alugado uma quitinete. Foram até lá ver se ele estava lá, mas falaram que ele não alugou nada. Foram na delegacia, e aí foram na casa [da mãe da criança de volta] — disse Marcia, que esteve com Maitê pela última vez no domingo (24).

Antes da chegada dos policiais ao apartamento, o pai e um tio da vítima arrombaram a porta do local, ainda segundo a madrasta. Dentro da residência, o corpo da menina foi encontrado em cima de uma cama, embaixo de várias cobertas. Ela tinha um corte no pescoço e já estava sem vida.

A Polícia Militar passou a tratar o caso como assassinato e já tinha ali o ex-companheiro da mãe da menina como principal suspeito, que tinha paradeiro desconhecido até se entregar na manhã de quarta, em Treze Tílias. Ao longo da procura, a polícia chegou a mobilizar esforços em Água Doce, município vizinho e onde o suspeito tinha familiares

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