Um dos pais dos adolescentes suspeitos e investigados pela morte do cão Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, falou pela primeira vez sobre o caso. Em entrevista exclusiva ao Fantástico, ele relatou que quer “justiça tanto quanto as outras pessoas” e que as acusações precisam ser “provadas”.
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— A educação que eu e minha esposa damos para ele não foi de passar a mão na cabeça dele. Se ele fez alguma coisa e ficar provado, ele tem que responder. Mas tem que ser provado, porque até agora só foram acusações, acusações, acusações e não tem nada, não apresentaram absolutamente nada. A gente quer justiça tanto quanto as outras pessoas — disse o pai.
O advogado Rodrigo Duarte da Silva, que representa duas famílias dos adolescentes, disse que espera que a verdade venha à tona.
— Nós esperamos que os depoimentos sejam colhidos quanto antes, que a verdade venha à tona e, a partir daí, todos os adolescentes que não têm culpa alguma no caso sejam publicamente inocentados e, se eventualmente algum deles tiver alguma parcela de contribuição com qualquer maus-tratos ou com qualquer pequeno delito de quiosque ou de caminhar nas ruas, que eles sejam, sim, responsabilizados, mas na medida da sua culpabilidade, por óbvio — disse a defesa em entrevista ao Fantástico.
Porteiro relata ameças
O porteiro e os adolescentes, que estavam na Praia Brava para passar as férias, vinham tendo desentendimentos, com reclamações sobre bagunça, xingamentos, depredação e restrição de horário e saída do prédio. Durante uma das discussões, o porteiro fotografou dois adolescentes e enviou, junto com um áudio, em um grupo de mensagens, as imagens sobre rapazes que estariam provocando problemas no local.
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“Na mesma noite que eles arranjaram confusão comigo, eles, parece que deram umas paulada nuns cachorro. E, depois, foram lá e mexeram na barraca ainda. É seis folgados. São seis folgados que tem aí”, disse, no áudio.
Ao saber das discussões e das fotografias, os pais de dois adolescentes e o tio de um deles foram até a portaria. Segundo a delegada de Proteção Animal, Mardjoli Valcareggi, uma dessas pessoas estava com um volume na região da cintura, que fez com que a vítima e outras duas testemunhas achassem que o suspeito carregava uma arma. Porém, nas buscas feitas em uma operação no último dia 26 de janeiro, nada foi encontrado.
No depoimento à polícia, o porteiro afirmou que foi xingado pelos adolescentes, e que o vídeo dizia respeito aos jovens danificando lixeiras na frente do condomínio de madrugada. Sobre o cão Orelha, o porteiro não viu nenhuma agressão, segundo o relato.
O caso Orelha
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O cachorro, também conhecido como Preto, vivia há mais de 10 anos na região, segundo a comunidade, e era cuidado por pessoas que moravam nos arredores, além de pescadores. No começo de janeiro ele foi encontrado com vários ferimentos em uma área de mata da Praia Brava e levado ao veterinário por moradores. Lá, Orelha não resistiu e morreu. Quatro adolescentes tornaram-se suspeitos da violência contra o cachorro.
No dia 26 de janeiro, dois adolescentes e um adulto foram alvos de mandados de busca e apreensão. O objetivo, segundo a Polícia Civil, foi buscar mais provas para a investigação. Ainda neste dia, um advogado e dois empresários foram indiciados pela polícia por suspeita de coagir uma testemunha no processo. Já na quinta-feira, outros dois adolescentes foram alvos de mandados de busca e tiveram os celulares apreendidos ao chegarem em Florianópolis no aeroporto internacional.
O NSC Total e todas as plataformas da NSC não divulgam o nome, nem a identidade dos adolescentes suspeitos em total respeito e consonância ao que determina o artigo 143 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veda a “divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional”.
Diz o ECA: “Qualquer notícia a respeito do fato não poderá identificar a criança ou adolescente, vedando-se fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco, residência e, inclusive, iniciais do nome e sobrenome.”
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Como denunciar crimes de maus-tratos em SC
Crimes de maus-tratos contra animais em Santa Catarina podem ser denunciados de forma anônima pela Delegacia Virtual da Polícia Civil (pc.sc.gov.br) ou entrar em contato com a Ouvidoria do Ministério Público (MPSC) pelo telefone 127 ou pelo site mpsc.mp.br/ouvidoria.
Também é possível acionar a Polícia Militar pelo 190 ou procurar a Promotoria de Justiça mais próxima.







