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"Conteúdos violentos"

Parler, rede social conservadora, é vetada das plataformas de download da Amazon, Apple e Google

A rede social teve sua popularidade aumentada nas últimas semanas e passou a ser refúgio para os internautas indignados com a política de moderação na internet

11/01/2021 - 11h51 - Atualizada em: 11/01/2021 - 11h52

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Por AFP
Parler procura servidores para poder voltar a funcionar
Parler procura servidores para poder voltar a funcionar
(Foto: )

A rede social conservadora Parler foi desativada da Internet nesta segunda-feira (11), um dia depois de a Amazon advertir a empresa que perderia acesso a seus servidores por ser incapaz de moderar as mensagens incitando a violência.

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O site de rastreamento de Internet Down For Everyone Or Just Me mostrou a rede Parler desativada pouco depois da meia-noite local (5h em Brasília), o que sugere que seus donos não conseguiram um outro provedor de serviço.

Parler, que viu sua popularidade disparar nas últimas semanas, tornou-se um refúgio para alguns internautas indignados com a política de moderação de redes sociais, como o Twitter. Na última sexta-feira, o microblog encerrou a conta de Donald Trump, em definitivo.

Na rede conservadora foram divulgadas mensagens de apoio aos que invadiram o Congresso. Algumas delas também convocaram a realização de novos protestos contra o resultado da eleição presidencial de novembro, vencida pelo democrata Joe Biden.

Em uma carta enviada à rede social, a Amazon justificou a decisão, mencionando o aumento de "conteúdos violentos".

Este gigante do varejo eletrônico segue, assim, os passos do Google e da Apple, que já removeram a Parler de suas plataformas de download, devido à proliferação das "ameaças de violência" e das "atividades ilegais".

Em uma série de posts na Parler, seu fundador, John Matze, confirmou no sábado que seu aplicativo não estaria disponível a partir do dia seguinte e acusou os gigantes da tecnologia de estarem em uma "guerra contra a liberdade de expressão". Procurada pela AFP, a Parler não quis comentar.

— Não vão ganhar! Somos a última esperança do mundo para a liberdade de expressão e informação — afirmou o fundador no sábado (9).

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Matze reconheceu que levará tempo para fazer a rede social voltar a funcionar.

— Faremos todo o necessário para voltar a estar on-line o mais rápido possível, mas todos os provedores que entramos em contato nos dizem que não querem trabalhar conosco, se Apple ou Google não aprovam. É difícil encontrar de 300 a 500 servidores de informática em 24 horas — disse ele em entrevista concedida à rede Fox News no domingo (10).

No sábado (9), um dia depois da decisão do Twitter de eliminar permanentemente a conta de Trump, Parler era o aplicativo mais procurado na plataforma de download da Apple nos Estados Unidos.

Lançada em 2018, esta rede social tem um funcionamento similar ao do Twitter, com perfis para seguir e "parlys", no lugar de tuítes. A liberdade de expressão é seu leitmotiv.

Com sede em Henderson, no estado de Nevada, a Parler foi fundada por John Matze, um engenheiro informático, e por Rebekah Mercer, uma das principais doadoras do Partido Republicano.

Rede social em plena ascensão

Em seu início, a Parler era, principalmente, um território extremista. Agora, atrai conservadores mais tradicionais. O apresentador da Fox News Sean Hannity tinha 7,6 milhões de seguidores, e seu colega Tucker Carlson, 4,4 milhões.

Também chegaram à Parler políticos republicanos, como o congressista Devin Nunes e a governadora da Dakota do Sul, Kristi Noem. 

Assim como outras plataformas alternativas aos gigantes Twitter e Facebook, a Parler tem regras mais flexíveis em relação à desinformação e ao conteúdo de ódio do que as redes tradicionais.

O veto do Twitter e de outras redes sociais ao perfil de Trump levaram muitos seguidores do ainda presidente dos EUA a buscar em massa plataformas conservadoras, como Parler e Gab.

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Esta última esteve no centro da polêmica em 2018, quando se descobriu que o autor de um tiroteio que matou 11 pessoas em uma sinagoga em Pittsburgh havia publicado várias mensagens antissemitas nela.

Depois de ser vetada pela Apple e pelo Google, a Gab adquiriu seus próprios servidores para não depender de empresas externas. Depois desta demonstração de força dos gigantes tecnológicos contra as mensagens de extremistas, é provável, então, que estas redes conservadoras tenham de se adaptar.

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