Presidente do Podemos em Santa Catarina, a deputada estadual Paulinha foi a sexta entrevistada do podcast Café nas Eleições, do NSC Total, nesta quarta-feira (11). Uma das únicas lideranças femininas na política catarinense, a parlamentar afirma que as mulheres enfrentam inúmeras barreiras em espaços de poder.

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Segundo Paulinha, as exigências para que a mulher esteja em locais onde decisões são tomadas contribuem para a ausência feminina nesses espaços.

— Ninguém resolve os problemas desse país das 8h às 18h. Não é assim na política. Na política, tu tem que falar, tu tem uma janta, aí tu bebe uma cachaça, fica até meia-noite, 2h da manhã. Muitas reuniões são assim. E se a mulher tem filho pequeno, esposo, é complicado. E não é que falte apoio do marido. A mulher também se sente devedora de partilhar desse papel familiar. E no dia seguinte, no café da manhã, ninguém vai contar para ela o que foi discutido.

Além da dinâmica de articulações políticas, Paulinha também aponta que a falta de incentivo e de formação dentro dos partidos contribui para afastar mulheres da disputa eleitoral.

— A maioria das mulheres recebe todo aquele assédio para se filiar. Depois que se filia, ainda que haja obrigatoriedade dos 30% do fundo, ninguém ensina o que é política. A mulher aprende ralando o joelho sozinha — afirmou.

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Além disso, de acordo com a parlamentar, a mulher na política “desagrada”.

— Eu vejo que, efetivamente, em alguns momentos, há uma vontade, quase que uma raiva, de me excluir do processo. Eu tenho um problema: eu penso. Eu raciocino, eu quero ter as minhas ideias. E se espera, inconscientemente, que a mulher seja boazinha, que a mulher seja colaborativa, que ela não confronte, que ela não incomode. E aí, quando a mulher incomoda, ela é louca, ela é chata. O argumento pejorativo cola na mulher que está na política.

Apoio a Jorginho Mello

Durante a conversa, a parlamentar confirmou que o Podemos estará no projeto de reeleição de Jorginho Mello (PL). Em troca, ela afirma que o governador ofereceu o comando de secretarias, mas ela recusou.

— O fato é que a gente preferiu não assumir espaço no governo para manter a nossa independência. E havia um compromisso do Jorginho em, sendo possível, contribuir com algum nome na nominata, circunstância sobre a qual agora começamos a dialogar — afirma a deputada estadual.

Ela admite ter ouvido desconfianças de que o governador cumprisse a promessa.

— Não que ele não tenha se oferecido, ele tem feito esse gesto. Mas eu tenho procurado evitar essa influência muito firme da parte do governador. Eu tenho requerido a ele que me ajude a finalizar uma conversa, sinalizar a um outro candidato que terá o mesmo apoio estando no Podemos, de forma mais leve e delicada dentro das nossas necessidades.

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Neste ano, ela trabalha para que ao menos quatro deputados estaduais e dois federais sejam eleitos pelo Podemos.

— Na chapa estadual, um dos nossos puxadores de votos será o Osmar Teixeira (ex-vereador de Itajaí e candidato a prefeito em 2024). Ele é um menino que foi candidato (a prefeito em 2024) e quase ganhou a eleição em Itajaí, é um comunicador, é um menino de Deus, um menino maravilhoso. Eu acho que pelo tamanho do colégio eleitoral, pelo desempenho que se apresenta nas pesquisas, ele deve fazer uma votação muito acima da média.

Saída da presidência do Podemos e convite a Topázio

Paulinha também confirmou que deixará a liderança do Podemos para se dedicar à campanha para deputada federal. Ela admitiu que convidou o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), para assumir o comando do partido em Santa Catarina.

— Eu convidei, começou por mim, quero deixar claro. Eu gosto do Topázio desde sempre.

A candidatura para deputada federal, segundo a deputada, está consolidada:

— Eu sou uma mulher movida por propósito. Em Santa Catarina eu enxergo que tem muita gente boa pra tocar. (…) Eu realmente acho que em Brasília há mais o que fazer neste momento.

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Sobre trocar de partido, Paulinha admite que recebeu convites do MDB.

— Se eu não fosse presidente do Podemos, eu poderia pensar individualmente nesse jogo. Mas eu não tenho a menor condição de ir ao MDB, ao PSD ou qualquer outro partido. Porque a liderança desse grupo (Podemos) hoje é exercida por mim. Mas eu acho até legal receber esse convite, mas não existe essa hipótese.

Assista à entrevista completo abaixo

Café nas Eleições

O Café nas Eleições, podcast do NSC Total, está ouvindo os protagonistas da eleição catarinense nas próximas semanas. A produção é de Ânderson Silva, Mariana Barcellos, Luana Amorim e Jean Laurindo. A captação e edição é com Gabriel Lentz e Yuri Micheletti, e a coordenação é de Augusto Ittner e Luana Amorim.

Além de Paulinha, outras cinco figuras protagonistas do processo eleitoral de 2026 em SC já passaram pelo podcast: Décio Lima (PT)João Rodrigues (PSD)Carlos Chiodini (MDB), Marcos Vieira (PSDB) e Gilson Marques (Novo). Outros nomes serão ouvidos nas próximas semanas.