A cota da pesca da tainha no arrasto de praia será ampliada em Santa Catarina, em medida que busca beneficiar os pescadores da região Norte do Estado. A ampliação da cota foi anunciada na terça-feira (9) e reverteu a decisão que encerrou a modalidade de pesca no último domingo (7).
Continua depois da publicidade
— A safra naturalmente começa no Sul. Historicamente, está comprovado que os cardumes chegam ao Norte de Santa Catarina apenas em meados do mês de julho — afirmou a Colônia de Pescadores Z-02 de São Francisco do Sul em nota.
A Colônia participou da reunião com o MPA na terça-feira (9), assim como a Secretaria Executiva de Estado da Aquicultura e Pesca (SAQ), do governo estadual.
O encontro virtual ocorreu após o governo de SC solicitar a convocação urgente do Grupo de Trabalho da Tainha. A reunião teve como objetivo debater alternativas para atender a demanda dos pescadores artesanais catarinenses diante do esgotamento da cota destinada ao arrasto de praia.
— A pesca artesanal da tainha é tradição cultural histórica, passada de geração em geração, e precisa ser mantida, protegida e valorizada. O governo federal decidiu ampliar a cota de arrasto de praia para o Litoral Norte de Santa Catarina, que não conseguiu realizar a captura — disse o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo.
Continua depois da publicidade
FOTOS: Como foi a safra da tainha em 2025
Qual será a nova cota da tainha em Santa Catarina?
A pesca, contudo, só será liberada depois de publicação de portaria conjunta do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Até a divulgação do documento, a pesca segue suspensa.
No momento do fechamento desta reportagem, a portaria ainda não havia sido publicada. O governo estadual relatou que aguardava um posicionamento oficial do MPA e MMA.
— Fomos informados pelos representantes do Ministério da Pesca que o mais breve possível teremos uma posição oficial sobre essa questão envolvendo ampliação da cota e a possível continuidade da pesca do arrasto de praia aqui em Santa Catarina. Continuaremos em conversa com o ministério e defendendo o nosso pescador — disse o secretário da Aquicultura e Pesca de Santa Catarina, Fabiano Müller Silva.
Por que só SC tem cota para pesca de arrasto de praia na safra da tainha?
O fim da safra na pesca por arrasto de praia reacendeu a discussão sobre a cota estipulada para a captura nesta modalidade. Ao contrário do sistema de cotas nos outros tipos de pesca de tainha, que começaram em 2018 visando garantir a proteção da espécie e evitar risco de extinção, a cota para o arrasto de praia foi definida pela primeira vez em 2025.
Continua depois da publicidade
A safra de 2026, portanto, é a segunda que ocorre com cota no arrasto de praia. No ano passado, o período de captura terminou sem que o limite máximo fosse atingido, com pouco mais de 1 mil toneladas pescadas. Neste ano, no entanto, a safra foi encerrada em apenas 38 dias, após a captura atingir 90% da cota, que havia sido ampliada em 20% em relação ao ano passado.
Um ponto que chama a atenção e que gera queixas de pescadores é que, no caso da pesca de arrasto de praia, a cota é válida exclusivamente para Santa Catarina. O motivo é que o Estado é onde a prática, considerada tradição cultural, é mais adotada.
Segundo informações da Secretaria de Aquicultura e Pesca do governo de SC, o estado catarinense é o único que tem a pesca de arrasto de praia regulamentada no Ministério da Pesca. Embora outros estados também tenham a prática da pesca de arrasto de praia, como Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, na prática eles não ficam sujeitos ao limite das cotas.







