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    Pesquisadores sugerem novo instrumento para classificação de risco da pandemia em SC

    Grupo desenvolveu modelo de análise de protocolos a partir de orientações da OMS e propõe adequações na atual matriz de risco utilizada pelo governo catarinense

    23/09/2020 - 10h21

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    Por Guilherme Simon
    Coronavírus em SC
    Centro de Florianópolis durante a pandemia de coronavírus
    (Foto: )

    Um grupo de pesquisadores desenvolveu um instrumento de análise de protocolos de classificação de risco para o coronavírus em Santa Catarina. De acordo com os pesquisadores, ele é baseado nas orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e busca a estratégia de supressão dos casos. Eles sugerem a adequação da atual matriz de risco usada pelo governo catarinense a fim de que o diagnóstico da situação da pandemia no Estado possa ser feito de modo mais preciso.

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    O trabalho, divulgado no artigo “Adequação de protocolos de classificação de risco para Covid-19 às orientações da OMS: uma proposta de instrumento”, foi apresentado para técnicos da Secretaria de Estado de Saúde (SES). De acordo com os pesquisadores, os técnicos da secretaria se mostraram abertos ao diálogo. A reportagem procurou a SES para um posicionamento a respeito, mas não recebeu retorno até esta publicação.

    O instrumento de análise é fruto de um trabalho que contou com participação de cientistas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Unisul, USP, Escola Nacional de Saúde Pública, Observatório Covid-19 BR, Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Universidad de Málaga e Prefeitura de Florianópolis.

    Conforme os pesquisadores, o instrumento construído pela pesquisa segue as recomendações atuais da OMS para o enfrentamento da pandemia, buscando a estratégia de supressão dos casos. Ele contempla cinco dimensões de análise para guiar as decisões dos gestores de saúde: avaliação do risco, avaliação da exposição, avaliação do contexto, caracterização do risco e confiabilidade.

    Ao aplicar o instrumento no protocolo utilizado hoje para Santa Catarina, os pesquisadores afirmam ter observado que a dimensão análise de risco (avaliação da morbimortalidade) foi atendida parcialmente, e que as demais dimensões não possuem medidas suficientes para se fazer a avaliação.

    A professora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UFSC Alexandra Crispim Boing destaca que “com a evolução da pandemia é necessário assumir a estratégia de supressão dos casos e que sejam utilizados indicadores mais robustos e orientados pelos conhecimentos existentes no momento”.

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    Ela avalia que a atual matriz de risco de Santa Catarina foi construída em um momento da epidemia onde era preciso ter como objetivo a estratégia de mitigação, visando o achatamento da curva, e que, agora, precisa ser aprimorada.

    — A matriz de risco do estado de Santa Catarina precisa ser revisada para que possa fazer o diagnóstico mais adequado da situação e permitir ao gestor tomar decisões para suprimir a transmissão comunitária do vírus e reduzir o número de mortes e doentes — comenta.

    Também professora da Pós em Saúde Coletiva da UFSC, Josimari Telino de Lacerda aponta que nos países onde foi utilizada a estratégia de supressão, a economia pôde voltar, ainda que controlada.

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    Ela ressalta que a evolução da compreensão sobre a Covid-19 possibilita a revisão dos protocolos de tomada de decisão do início da pandemia:

    — Não queremos deslegitimar as decisões, mas estes instrumentos não são estanques. À medida que se avança no conhecimento e há mudança do cenário, são necessárias adequação dos indicadores — completa.

    A atual matriz de risco do Estado tem como dimensões isolamento social, investigação, testagem e isolamento dos casos, reorganização dos fluxos assistenciais e ampliação de leitos, em parâmetros que vão do moderado ao gravíssimo.

    Segundo o artigo, nestas dimensões, a análise da morbimortalidade é feita de forma parcial, não é possível se definir o cenário de transmissibilidade em Santa Catarina, e nem analisar o controle da epidemia, as capacidades de atuação da vigilância, de rastreamento, investigação e isolamento não podem ser determinadas, nem há informações sobre a capacidade de absorção de novos casos.

    “O método utiliza um indicador sintético que reúne as quatro dimensões de análise em uma média aritmética, que se pauta em níveis dos indicadores e não na consequência produzida por tais níveis nem na probabilidade de que tais consequências ocorram”, aponta o artigo.

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    De acordo com professora Josimari Telino de Lacerda, as decisões do governo não foram esmiuçadas ou criticadas, mas sim o protocolo que definiu as escolhas.

    — Se a matriz estiver correta, ela informa corretamente a população, porque a tomada de decisão não é só da gestão. Se orientação não está coerente, há o descrédito dos tomadores de decisão, as pessoas fazem por conta e se perde o controle — avalia.

    Conforme o mais recente mapa de risco divulgado pelo governo, na última quarta-feira (16), apenas a região Nordeste do Estado estava em nível gravíssimo para a doença.

    A última atualização da SES sobre a pandemia no Estado aponta um total de 2.671 mortes. O número de pessoas infectadas chega a 207.692, e pouco mais de 7 mil pacientes seguem em tratamento. A taxa de ocupação dos leitos de UTI pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é de 62,8%.

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