A atleta Carina Rocha, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) foi alvo de ataques homofóbicos e misóginos por parte dos narradores durante uma partida de futebol de areia nos Jogos Universitários Brasileiros de Praia, em Guarapari, no Espírito Santo (ES). A Universidade repudiou o ocorrido e informou, ainda, que já adotou as providências cabíveis. Procurada, a Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) informou que determinou a exclusão imediata do investigado e que iniciou, de forma paralela, seus próprios procedimentos internos de apuração e adoção das medidas cabíveis. (leia a nota na íntegra abaixo)

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O vídeo, que repercutiu nas redes sociais, mostra os homens que narravam a transmissão ao vivo pelo Youtube dizendo: “‘Oxe’, pode menino ali?”. O comentário é seguido por risadas, e um deles diz: “Olha o camisa 10”, se referindo à Carina. É aí que um deles responde: “Ah, mas pelada é mulher”.

O registro foi compartilhado nas redes sociais pela própria atleta, que manifestou indignação: “Dois dias de jogos, dois dias ouvindo m* na transmissão de uma competição de nível nacional. Lamentável”, escreveu ela.

Na publicação, ela mencionou a Udesc Esportes, e também a Federação Catarinense do Desporto Universitário (FCDU), que até a última atualização desta matéria não havia se manifestado sobre ocorrido.

A Udesc Esportes, por outro lado, publicou uma nota de repúdio, onde manifestou o “mais firme repúdio” perante a situação, que evidencia “discriminação de gênero” contra uma de suas estudantes-atletas. “É preocupante que episódios assim ocorram em contextos que deveriam prezar pela inclusão, respeito e diversidade“, continuou a instituição.

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A universidade informou, ainda, que está ciente do ocorrido e que já adotou as providências cabíveis. (leia a nota completa abaixo) Ainda não há informações sobre a identidade dos envolvidos nos ataques, mas a universidade diz que a pura o fato.

Repercussão online

O vídeo do episódio também foi publicado no X, antigo Twitter, pela conta Chapolins Olímpicos, grupo de entusiastas por esportes olímpicos . A publicação já alcançou mais de 50 mil visualizações na rede social, e gerou revolta. Veja:

Diante da repercussão, a associação de atlética do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte (Cefid) da Udesc também publicou uma nota de repúdio. Na publicação, estudantes se reuniam em um movimento para chamar a atenção da CBDU.

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Veja o que disse a atlética do Cefid

Veja o que disse a Udesc Esportes

O que diz a CBDU?

A Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) reafirma seu compromisso com a ética, o respeito e a inclusão, valores que orientam todas as suas ações no esporte universitário brasileiro.

Diante dos episódios ocorridos durante as transmissões do JUBs Praia 2026, a entidade informa que, ao tomar conhecimento do caso, determinou a exclusão imediata do investigado, em sinal claro de que a CBDU não tolera atitudes ofensivas. A empresa responsável pela cobertura iniciou, de forma paralela, seus próprios procedimentos internos de apuração e adoção das medidas cabíveis.

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O processo está sendo acompanhado pela Comissão Disciplinar e pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva Universitário (STJDU), que conduzem a análise com rigor, independência e imparcialidade, assegurando que todas as etapas sejam cumpridas com transparência.

A CBDU reforça que não admite manifestações discriminatórias ou incompatíveis com os valores do esporte e seguirá colaborando integralmente com as instâncias competentes para garantir a completa apuração dos fatos.

Nosso compromisso permanece firme: assegurar que o desporto universitário brasileiro seja um espaço de integridade, diversidade e respeito“.

O JUBs Praia 2026 acontece de 3 a 10 de maio de 2026, na cidade de Guarapari, Espírito Santo. A competição reúne cerca de 3 mil participantes e atletas universitários de todo o Brasil, com provas focadas nas praias de Meaípe, Praia do Morro e Prainha de Muquiçaba.

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Homofobia é crime no Brasil desde 2019

No Brasil, a homofobia e a transfobia são consideradas crimes desde 2019, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu equiparar essas práticas ao crime de racismo, previsto na Lei nº 7.716/1989. A decisão foi tomada após o entendimento de que houve omissão do Congresso Nacional em legislar sobre o tema. Com isso, atos de discriminação, ofensa ou incitação ao preconceito contra pessoas LGBTQIA+ passaram a ser punidos com base na Lei do Racismo, até que exista uma legislação específica aprovada pelo Legislativo.

Já a misoginia — definida como ódio, aversão ou discriminação contra mulheres — está em processo de criminalização no país. Em março de 2026, o Senado aprovou um projeto de lei que equipara a misoginia ao crime de racismo, tornando a prática inafiançável e imprescritível. O texto prevê punições para injúrias, ofensas e incitação à discriminação motivadas por misoginia, mas ainda precisa ser analisado pela Câmara dos Deputados antes de seguir para eventual sanção presidencial.

Veja como foi aprovação do PL que tornou homofobia crime no Brasil