O Centro de Memória do Oeste de Santa Catarina (CEOM), da Unochpaecó, identificou por meio de um estudo em parceira com arqueólogos franceses que a presença humana na parte alta do Rio Uruguai existe há pelo menos 12 mil anos. Conforme pesquisadores, isto ajudaria a explicar rotas de povoamento das Américas e a história da Bacia do Prata.
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Segundo o projeto de extensão, foram encontradas diferentes ferramentas confeccionadas a partir do lascamento de rochas, como pontas de projétil, raspadores e lâminas, na parte alta do Rio Uruguai. Também foram encontrados restos de antigas fogueiras.
Esses achados foram enviados pelo CEOM para laboratórios da França, Itália e Estados Unidos, que fizeram a análise da idade do material escavado, a partir da técnica Carbono-14.
— Os dois sítios arqueológicos que identificamos estão às margens do Rio Uruguai. A gente sabe que essas populações preferencialmente ficavam às margens de grandes rios, para facilitar o deslocamento e a comunicação. Além disso, há facilidades em se instalar nesses locais, não só por causa da água, mas também porque podiam caçar e pescar. Os grandes rios sempre são grandes pontos na paisagem — explica a coordenadora do CEOM, Mirian Carbonera.
Fundado em 1987 com o objetivo de proteger bens arqueológicos ameaçados pela construção de hidrelétricas no Rio Uruguai, o CEOM tem possibilitado o acesso da comunidade ao patrimônio histórico regional, além de colaborar com as pesquisas internacionais sobre o povoamento da América Latina.
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Recentemente, por meio de um convênio entre Brasil, Argentina e Itália, o CEOM tem desenvolvido pesquisas de DNA para reconstruir detalhes da vida e a aparência física das populações ancestrais.
A partir do desenvolvimento da paleogenética nas últimas décadas, atualmente é possível reconstruir características genéticas dos indivíduos, as relações biológicas dentro das comunidades e os vínculos com populações contemporâneas, explica a pesquisadora Micaela Ciervo, da Universidade de Pádua, que colabora com o CEOM.
— Esses estudos permitem investigar processos migratórios, movimentos e misturas entre populações que contribuíram para a diversidade genética atual, reconstruindo assim a história genética humana ao longo do tempo. Em alguns casos, quando o DNA está bem preservado, também é possível investigar aspectos do fenótipo dos indivíduos, como a cor dos olhos, dos cabelos e da pele, além de estudar as relações evolutivas e filogenéticas entre populações antigas — pondera Micaela.
Confira imagens do trabalho no CEOM
Acervo conta com mais de 105 mil objetos
O CEOM possui 105 mil objetos arqueológicos, 450 metros lineares de documentos históricos, 32 mil imagens fotográficas e 900 representações cartográficas. Esse material é disponibilizado de maneira gratuita à comunidade e aos pesquisadores que estudam o tema.
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— Desde os anos 2000, foi criado um laboratório, uma reserva técnica, para que esse material não vá embora da região e a comunidade local possa ter acesso. Isso também estimula que estudantes busquem formação na área — explica Mirian Carbonera, coordenadora do CEOM.
De acordo com ela, o projeto envolve anualmente entre 20 e 30 alunos pesquisadores, incluindo estudantes da América Latina e da Europa. Além disso, o Centro abre escavações para que a comunidade possa visitar e entender o processo científico.
Também são realizadas palestras e exposições de longa duração, com acesso gratuito. O CEOM divulga livros e materiais para gestores culturais, acadêmicos e comunidade local.
A extensão nas universidades comunitárias
O trabalho do CEOM já foi reconhecido pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC). Além do CEOM, existem outras iniciativas de extensão em universidades comunitárias do Estado, como a Farmácia Solidária da Unesc, que realiza a distribuição de medicamentos e orientação à população, e o projeto ECOA, da Unoesc, que ganhou reconhecimento por iniciativas que envolvem a comunidade em soluções sustentáveis.
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Diferente de outros estados, onde o ensino superior ainda se concentra nas capitais, o modelo catarinense de universidades comunitárias se destaca pela interiorização e pela presença em todas as regiões, conectando ensino, pesquisa e extensão.
De acordo com a Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe), atualmente, cerca de 2.240 projetos de extensão estão em andamento no Estado nas universidades comunitárias, impactando diretamente mais de 1,4 milhão de pessoas. As iniciativas envolvem aproximadamente 61,8 mil estudantes e 6,7 mil professores.
Esses projetos surgem a partir do diálogo com prefeituras, lideranças e a própria população, garantindo que estejam alinhados às necessidades de cada região, pondera a Acafe.
*Sob supervisão de Luana Amorim







