A ponte invertida construída a pedido da Petrobras que se tornou um “rolê” amado por turistas em Guaratuba, cidade paranaense próxima à divisa com Santa Catarina, não é rara na engenharia. Muito comum em áreas rurais, a estrutura permite que a água passe por cima da ponte, fugindo do convencional.

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Uma ponte invertida é o tipo de estrutura que fica sob uma pequena maré de água. A estrutura é baixa e fica “colada” ao leito do rio, permitindo o escoamento das águas por cima da pista de passagem das pessoas e veículos leves.

Confira fotos da ponte invertida na divisa entre SC e PR

Além disso, pontes deste tipo são projetadas somente para tráfego leve a moderado e dependem fortemente das condições hidrológicas locais, segundo o engenheiro civil Claiton Amaral, que possui mestrado e doutorado em Engenharia de produção, com 35 anos de experiência como professor universitário e integrante do corpo docente da Univille, que também atua na consultoria para gerenciamento de projetos e execução de obras.

Por que uma ponte invertida é construída?

Apesar de ser chamada popularmente como “ponte invertida”, não há inversão estrutural no seu dimensionamento, explica o engenheiro.

— Basicamente, é uma laje de concreto armado maciça, construída sobre a calha de um rio que é protegida lateralmente por cortinas de pedras empilhadas do próprio rio para proteger a laje contra a erosão devido ao fluxo da correnteza — detalha.

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Um dos principais diferenciais deste tipo de construção é o custo bem abaixo de uma ponte elevada. Além disso, Amaral destaca que a estrutura é rápida de ser construída e tem pouco impacto estético e ambiental. Por isso, ela é uma escolha eficiente para possibilitar travessias, principalmente em áreas rurais.

Quando é recomendado construir a ponte

O engenheiro explica que, normalmente, o tráfego baixo em determinada região costuma não justificar o investimento alto que uma ponte convencional demanda, colocando a ponte invertida como uma boa opção de custo-benefício.

Outra “exigência” leva em consideração o regime de cheias do rio, que precisa ser previsível e variar pouco. Por conta disso, a ponte invertida é ideal para áreas rurais e estradas secundárias que aceitam restrições de passagem temporárias.

— É necessário estudar e avaliar bem as cheias para determinar uma altura otimizada e protegê-la bem contra a erosão. […] A ponte invertida não é recomendada para rios com cheias repentinas, ou que costumam carrear sedimentos ou detritos. — reforça o engenheiro.

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Estrutura pode oferecer riscos em casos específicos

A principal orientação do engenheiro é que o motorista não atravesse a ponte com água alta ou mesmo baixa com correnteza forte. O risco é a água arrastar o veículo. Ainda, se a água, por alguma razão estiver turva, deve-se evitar a travessia devido a baixa visibilidade.

— Na prática, estas pontes apresentam  maior durabilidade que aparentam, pois tem uma geometria bem simples e uma ótima robustez. Talvez a mais importante observação e alerta seja: “não subestime a força da água, pois um veículo pode ser arrastado com poucos centímetros de lâmina d’água quando em alta velocidade” — completa.

Flagras de acidentes na ponte invertida de Guaratuba

Em épocas de maior movimento de banhistas, principalmente no verão, aumentam os casos de registros de acidentes de motoristas que acabam levados pela correnteza do rio São João, na divisa entre Santa Catarina e o Paraná. Os casos são frequentemente filmados e viralizam na internet.

Motoristas levados pela correnteza nos últimos meses (Foto: Redes Sociais, Reprodução)

Quando há chuvas, por exemplo, a correnteza pode aumentar, formando a cabeça d’água, submergindo totalmente a edificação. 

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Apesar do tom curioso, moradores locais reforçam que os motoristas devem redobrar o cuidado para cruzar a ponte invertida em Guaratuba, principalmente porque os veículos dividem o mesmo espaço com banhistas. 

*Sob supervisão de Leandro Ferreira