Dados reunidos pelo Ministério da Saúde na pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) apontam que Florianópolis é a terceira capital do país em índice de depressão. Os números surpreendem, pois contrastam com os de qualidade de vida do município, mas, ao mesmo tempo, especialistas apontam para um fator importante diante da doença: o diagnóstico. 

Continua depois da publicidade

Receba notícias do DC via Telegram

— Com esse tipo de análise do ranking, a gente não consegue definir se Florianópolis é a capital com mais depressão ou se o acesso ao diagnóstico é maior. Normalmente, as cidades com maior desenvolvimento e escolaridade têm mais estutura de acesso para que as pessoas descubram e tratem a doença — explica Deisy Mendes Porto, presidente da Associação Catarinense de Psiquiatria. 

Segundo o coordenador do departamento de gestão da clínica da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, Ronaldo Zonta, a estutura do Sistema Único de Saúde em Porto Alegre, Belo Horizonte e Florianópolis faz a diferença na descoberta da doença por parte da população. 

— Florianópolis, BH e Porto Alegre têm um SUS forte e um acesso mais facilitado ao atendimento. Com isso, tem mais chances de a pessoa receber um diagnóstico do que de ela ser subdiagnosticada, porque na depressão tem isso. Há muitas pessoas que têm depressão, são subdiagnosticadas e não receberam o diagnóstico e o tratamento apropriado. Essa é uma das questões — diz Zonta. 

Continua depois da publicidade

O médico lembra que as causas da doença são atribuídas a diversos fatores, mas que, de uma forma geral, existe o aumento dos casos em várias cidades. 

— A gente vive uma situação de pandemia, onde houve várias separações familiares, saídas da escola, maior sobrecarga dos pais, pessoas vivendo luto, perda financeira, toda essa crise econômica… Isso tudo vem contribuir ao maior índice de depressão também de um modo geral — pontua Zonta. 

Com base no levantamento do Ministério da Saúde, a frequência do diagnóstico médico de depressão foi maior entre as mulheres (14,7%) do que entre os homens (7,3%), considerando as 26 capitais brasileiras e o Distrito Federal. Segundo a psiquiatra Julia Trindade, esse é um comportamento que também se reflete nos atendimentos. 

— O índice de depressão em mulheres é três vezes maior do que entre os homens de forma geral: para cada três mulheres em depressão, a gente tem um homem. Isso ocorre especialmente nas fases entre a menstruação e a menopausa. Antes disso, o índice é um menino para uma menina e, no caso dos idosos, normalmente é uma mulher para cada um homem, então a gente sabe que tem uma questão hormonal relacionada com isso — afirma Julia Trindade.  

Continua depois da publicidade

> É possível prevenir a depressão?

Estrutura na Capital 

Em Florianópolis, uma das portas de entrada para o diagnóstico e tratamento da doença são os Centros de Saúde. Nas unidades localizadas nos bairros, há um médico de família e comunidade e enfermeiros de referência que fazem o acolhimento inicial e ajudam a encontrar formas para o tratamento. 

— Na medida em que o caso se torna mais grave, a pessoa vai precisar necessariamente ser acompanhada, além do médico de família, por um psiquiatra. Ali ela vai ter acesso às policlínicas, após ter sido encaminhada pelo médico — explica Ronaldo Zonta. 

Além do atendimento nas Unidades Básicas de Saúde, há na Capital o Centro de Atendimento Psicossocial (Caps), onde ocorrem tratamentos intensivos para adultos e crianças. Em Florianópolis, os casos têm apoio de equipes compostas por profissionais como pisicólogos e assistentes sociais. 

> Florianópolis terá primeiro Centro de Atenção Psicossocial 24 horas

Como ajudar alguém próximo diagnosticado com depressão

Segundo os psiquiatras, a depressão é uma doença tratável e, quanto antes o diagnóstico for dado e o tratamento for iniciado, mais aumentam as chances de remissão total do quadro. Para as pessoas que convivem com o paciente em tratamento, os médicos reforçam a importância do apoio a essas pessoas. 

Continua depois da publicidade

— Se mostre presente, se mostre disponível e, se possível, identifique mudanças de comportamento. A gente sabe que, em todas as fases da vida, as pessoas podem desenvolver a depressão, então identificar essa mudança para que tenha esse diagnóstico é super importante. Se mostrar disponível, não julgar e ajudar essa pessoa pode fazer uma uma diferença grande no tratamento — ressalta a psiquiatra Julia Trindade.  

Práticas que podem prevenir a doença  

  • Manter um estilo de vida saudável
  • Ter uma dieta equilibrada
  • Praticar atividade física regularmente
  • Combater o estresse concedendo tempo na agenda para atividades prazerosas
  • Evitar o consumo de álcool
  • Não usar drogas ilícitas
  • Diminuir as doses diárias de cafeína
  • Rotina de sono regular
  • Não interromper tratamento sem orientação médica

Leia também

Dia do Imposto Zero: gasolina será vendida a R$ 4,99 em SC

Páscoa faz rede hoteleira de Blumenau ter o melhor mês de abril em 12 anos

Parque na Serra Catarinense inaugura mirante de vidro nas alturas

Destaques do NSC Total