O pinhão, que começou a ser colhido nesta quarta-feira (1°), já faz parte das mesas dos catarinenses durante o inverno, seja ele cozido, no entrevero ou na paçoca. Em 2026, no entanto, extremos do clima podem afetar a presença da iguaria típica na rotina. A safra deve cair cerca de 32% em relação a 2025, de acordo com o levantamento da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).
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No ano anterior, o alimento movimentou cerca de R$ 32 milhões no Estado, advindos de 18 municípios da Serra catarinense. Agora, segundo o gerente regional da Epagri em Lages, José Márcio Lehmann, a estimativa de queda já é percebida pelos coletores extrativistas e as araucárias estão visivelmente com menos sementes.
Ao NSC Total, Lehmann explicou que a Epagri não possui uma linha de pesquisa específica para estudos relacionados ao pinhão, mas que há diálogos sobre os possíveis motivos para a queda na produção do pinhão. De acordo com ele, não é possível dizer que a safra menor é fruto exclusivamente de fatores causados pelas questões climáticas, por exemplo. Isso porque a formação do pinhão, como a polinização e o próprio crescimento da pinha, passa por diversos períodos climáticos.
— Claro que o clima pode influenciar de certa maneira. Na questão da polinização, que ocorre em setembro, é necessário que haja vento para que o polén da araucária masculina seja levado até a araucária feminina. Nós podemos ter ventos desfavoráveis e, também, excessos de chuva nessa época.
Por outro lado, outros fatores podem influenciar na queda da produção, como safras muito grandes em anos anteriores, onde há um “esgotamento da árvore”. Nesses momentos, Lehmann destaca que a planta tende a se preparar para o próximo ciclo mais lentamente, o que pode afetar as produções seguintes, onde serão registradas quedas e apenas nos próximos anos a planta retorna a produzir o maior número de sementes possível.
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Qual o motivo para a queda na safra do pinhão
Como a safra pode afetar o preço do pinhão
De acordo com a Epagri, a expectativa é que, com uma menor safra, consequentemente haverá menos produto no mercado. Com isso, o preço pago ao produtor pode ser mantido ao equivalente dos anos anteriores, ou até ficar mais alto em relação a 2025, quando ficou na média de R$ 6,44 por quilo.
Conforme explicou o gerente regional da Epagri em Lages, a queda na safra ainda é uma estimativa que pode se alterar ao longo do período de colheita, dependendo, inclusive, do valor pago ao produtor.
— Se o preço de venda do pinhão pelo produtor estiver alto, cerca de R$ 10 o quilo, por exemplo, compensa que outros produtores também colham as pinhas — afirmou.
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Por outro lado, se o preço nos mercados estiver muito baixo, a coleta e a catação do pinhão pode diminuir. Isso porque, segundo Lehmann, o preço baixo acaba não compensando trabalho extrativo.
— O preço do pinhão acaba regulando a quantidade de pinhão que vai estar disponível para venda para o consumidor final — explicou.
Pinhão compõe a renda de milhares de famílias
Das 34 mil famílias rurais cadastradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em toda a região da Serra catarinense, 30% delas possuem o pinhão na composição da renda, o que mostra a importância econômica do pinhão que, muitas vezes, garante a renda dessa população para o restante do ano. A colheita passa de geração em geração, com cidades como São Joaquim, Bom Jardim da Serra e Painel sendo as principais produtoras de pinhão em Santa Catarina.
Em municípios como estes, os produtores sobem nas araucárias para derrubar a semente, como uma forma de tradição. Em Painel, por exemplo, onde vivem pouco mais de 2 mil habitantes, há imensas florestas de araucária, dando à pequena cidade o titulo de, primeiramente, Capital Catarinense do Pinhão, conforme a lei estadual 18.638, de 8 de fevereiro de 2023, e, agora, Capital Nacional do Pinhão.
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No município, a expectativa é que sejam colhidas cerca de 1,2 mil toneladas, cerca de um terço de toda a região Serrana. De acordo com o secretário municipal de Agricultura, o engenheiro agrônomo Juliano Bertoni, a colheita envolve quase toda a cidade de Painel.
— Praticamente toda a população de Painel fica na expectativa para a safra de pinhão. E, quando a colheita começa, podemos ver uma intensa movimentação econômica na cidade — apontou o secretário municipal de Agricultura.
Como famílias se mantém com a cadeia do pinhão
Em Painel, 8 em cada 10 famílias rurais participam da cadeia produtiva do pinhão, de acordo com a Epagri.
Desde criança, João Odilar de Oliveira, que produz há mais de 50 anos, sobe pela araucárias para derrubar as sementes. Uma prática aprendida com o pai dele, João não pensa em parar com as subidas pelas enormes árvores tão cedo.
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— O pinhão me possibilita uma renda para o ano inteiro. Eu aprendi com o meu pai, comecei com cinco anos e quero ir até quando Deus me der forças para subir nas araucárias — destacou.
Por se tratar de uma prática arriscada, a Epagri também orienta os produtores em relação às subidas nas árvores, de acordo com o gerente regional da empresa.
— Durante a colheita do pinhão, orientamos muito os produtores em relação à segurança ao subirem nas árvores, já que é uma atividade arriscada. Mas a Epagri está presente o ano todo, em todo o Estado, prestando todo o tipo de apoio aos produtores catarinenses — disse José Márcio Lehmann.
Festa do Pinhão movimenta SC
Em relação à economia, a Festa Nacional do Pinhão também é uma grande responsável por trazer milhares de pessoas à Serra catarinense. Neste ano, a 36ª edição da festa será realizada de 29 de maio a 7 de junho em Lages, na Serra catarinense, e contará com apresentações nacionais gratuitas.
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