Os motoristas e entregadores da Shopee paralisaram as atividades na manhã desta quarta-feira (15) em Blumenau. O protesto ocorreu em frente ao centro logístico da empresa, na BR-470, próximo ao trevo da Mafisa, para reivindicar direitos como reajuste de valores e melhorias nas logísticas de entrega. As entregas de compras por aplicativo estão suspensas ao longo do dia, conforme a mobilização.

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— A gente faz de tudo para fazer uma entrega com excelência, passando por alguns perrengues com clientes, às vezes, mal-educados, e dias de chuva, que são mais difíceis de entregar. Trabalhamos com zelo e cuidado com as próprias mercadorias. Sofremos com tudo isso e eles não estão olhando. Essa é a nossa luta — conta um dos entregadores, Bruno Rafael.

O movimento de protesto reúne motoristas, tanto de carros de passeio quanto de utilitários, e motoboys. Até o momento de publicação desta matéria, a Shopee não se manifestou sobre a paralisação. O espaço permanece aberto.

Entenda quais são as reivindicações

Uma das principais reivindicações é o reajuste nos valores das diárias, que estão sem correção desde o início da operação, segundo os entregadores. Com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado de 2022 a 2025, o aumento seria de aproximadamente 20,25%. Isso aumentaria as diárias para entregadores com carros de passeio de R$ 250 para R$ 301, e de R$ 290 para R$ 349 para utilitários.

Além disso, os trabalhadores pedem por um sistema de roteirização para designar um motorista a uma região específica e rotas fixas, o que ajudaria com a redução das paradas. Outra questão seria o aumento na quantidade de entregas, que passaram de 15 ocorrências por dia para apenas cinco, impactando diretamente na renda mensal dos trabalhadores. O retorno dos romaneios, um documento que descreve as entregas, como as rotas ou características do produto, para planejamento prévio, é outra exigência.

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Saiba como foram as primeiras negociações

Os representantes da Shopee vieram de Itajaí ainda nesta quarta-feira (15) para uma rodada de negociações com os trabalhadores, segundo os trabalhadores. Uma conversa inicial já aconteceu durante esta manhã, mas os entregadores contam com desânimo sobre esse primeiro encontro.

— Teve uma leve conversa, mas eles não deram muita atenção para gente. Fomos pouco ouvidos e a gente fez tudo de forma pacífica, uma forma séria porque a gente não está ali para bagunçar, estamos ali para se ajudar — explica.

Bruno Rafael elabora que as manifestações e protestos vão seguir internamente, porém, não garante que a greve permanecerá nos próximos dias. Como os trabalhadores são pagos pelo dia de trabalho, a greve também os afeta diretamente. As negociações com os representantes da empresa seguem em andamento.

— Só que não dá para ficar parado porque não gera dinheiro. E como a gente recebe por dia, a gente não pode entrar no luxo de ficar parado. Sempre vai ter aquilo que está de apoio e vai ter aquilo que tem medo e não vai ter coragem de fazer o negócio acontecer. E o que a gente está fazendo não por mim e por um ou outro, é por todos — conclui o entregador.

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