Os produtores de cebola de Santa Catarina vão poder renegociar as dívidas diante da crise que atinge o setor. A medida está em um documento emitido pelo governo federal destinado aos bancos que operam o chamado Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

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A safra acima da média de cebola fez os preços despencarem e os produtores estão vendendo o quilo do produto por metade do valor gasto com o plantio. Quem investiu, por exemplo, entre R$ 40 mil e R$ 50 mil por hectare vai receber entre R$ 25 mil e R$ 30 mil com a venda.

Com a conta no vermelho, ao menos sete cidades de SC que produzem cebola decretaram emergência econômica. Um dos principais pedidos era justamente a possibilidade de renegociar ou prorrogar as parcelas de financiamentos feitos para fazer o cultivo do legume.

— Estamos falando de famílias que produzem alimento, geram renda e mantêm viva a dinâmica econômica dos municípios. A renegociação, quando necessária e devidamente comprovada, é um mecanismo legítimo para proteger o produtor e assegurar que ele continue produzindo — defende o secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia, Vanderley Ziger.

Recentemente, a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) cobrou do governo do estado medidas emergenciais e estruturantes para a crise do setor. A entidade enviou nesta segunda-feira um ofício ao governador Jorginho Mello com uma lista de reivindicações.

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Como funciona a renegociação

As instituições financeiras poderão conceder prorrogação de operações de custeio por até 36 meses; prorrogação de parcelas de investimento por até um ano após o término do contrato. Outra opção é a diluição do valor nas parcelas ainda a vencer.

A renegociação, porém, não é automática. O agricultor deve solicitar o pedido diretamente à instituição financeira onde contratou o financiamento. O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar recomenda que os pedidos sejam formalizados preferencialmente antes do vencimento das parcelas, para evitar que configure inadimplência.

Para que a operação seja analisada, é necessário:

  • Comprovação da dificuldade temporária de pagamento;
  • Documentação ou laudo técnico que evidencie a redução da renda e o impacto econômico;
  • Avaliação da viabilidade econômica do empreendimento após a renegociação.

Quando a dificuldade atingir uma quantidade maior de agricultores em determinado município ou região, poderá ser utilizado laudo técnico coletivo, sem prejuízo da análise individual das operações.

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Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar (PGPAF)

Além da possibilidade de renegociação, os produtores de cebola também podem contar com o Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar. Ele assegura um bônus de desconto nas parcelas de financiamentos do Pronaf sempre que o preço de comercialização do produto estiver inferior ao preço de garantia definido pelo governo federal, com base nos custos de produção.

O desconto é aplicado automaticamente pela instituição financeira no momento do pagamento da parcela, desde que o agricultor esteja adimplente. 

No caso da cebola, produto contemplado pelo programa, os agricultores familiares que optarem por realizar o pagamento das prestações do Pronaf, em vez de solicitar a prorrogação, terão automaticamente um desconto no valor a ser pago. O desconto, percentual determinado sobre o valor da operação e por Unidade da Federação, para o mês de fevereiro, é de 46,43% para SC, limitado a R$ 5 mil por beneficiário.

Expectativa

Há uma expectativa de que os preços comecem a subir em março porque vai cair a oferta da safra dos estados vizinhos, estima a analista do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri/Cepa, Lillian Bastian, que acompanha os mercados de cebola e alho.

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— Acredito que a partir do início de março ou meados de março o preço da cebola ao produtor vai começar a reagir. Para chegar a uma média de R$ 1,40 por quilo, o preço deveria ficar em R$ 2 ou um pouco mais, porque agora está em torno de R$ 0,70 enquanto o custo de produção ficou em R$ 1,40 por quilo — explica Lillian Bastian.