O preço baixo da cebola, que está sendo vendida por cerca de 50% do custo de produção em Santa Catarina, tem causado crise econômica nas propriedades rurais e nos municípios que têm na produção desse alimento sua principal fonte de renda. Mas os preços devem começar a subir em março porque vai cair a oferta da safra dos estados vizinhos, estima a analista do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri/Cepa, Lillian Bastian, que acompanha os mercados de cebola e alho.
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– Acredito que a partir do início de março ou meados de março o preço da cebola ao produtor vai começar a reagir. Para chegar numa média de R$ 1,40 por quilo, o preço deveria ficar em R$ 2,00 ou um pouco mais porque agora está em torno de R$ 0,70 enquanto o custo de produção ficou em R$ 1,40 por quilo – explica Lillian Bastian.
Veja mais imagens de cebolas desta nova safra e foto da analista da Epagri/Cepa:
A analista estima essa melhora de preço porque a colheita na Região Sul começou em outubro e novembro. Essa produção chegou aos mercados e está sendo comercializada. O Rio Grande do Sul e o Paraná produzem menos do que Santa Catarina e de variedades menos duráveis.
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Lillian Bastian apurou que nesses dois estados, os produtores já comercializaram 75% da produção enquanto em Santa Catarina, as vendas chegaram até agora a 40% da produção. Como SC é o maior produtor nacional, com safra neste ano estimada em 602 mil toneladas, deverá abastecer o mercado durante cerca de seis meses. O consumo brasileiro é de 120 mil toneladas por mês.
A maior parte da produção de cebola em Santa Catarina é da variedade Vale Sul, desenvolvida pela Epagri, que fica armazenada por um período de aproximadamente seis meses. Assim, a comercialização pode ser mais demorada. Quanto mais o tempo passa, menor a oferta e mais chances de preço maior. A safra de cebola do Sudeste começa a ser colhida em maio e vai até julho.
O excesso de oferta deste ano acontece porque a produção e a produtividade foram elevadas em função do clima favorável. De acordo com a analista da Epagri/Cepa, na safra 2025-2026 SC plantou 19.120 hectares, 0,91% menos do que a anterior, que chegou a 19.295.
Produtividade cresce mais de 9%
– Plantamos área um pouco menor, mas tivemos um ganho de produtividade porque se produziu mais por hectare do que na safra anterior devido às condições climáticas favoráveis. Nesta safra deu cebolas graúdas, com sanidade, o que elevou a produtividade para 31.473 quilos por hectare. Multiplicando isso pelos 19.120 hectares, chegaremos à produção de 601,8 mil toneladas nesta safra, com crescimento de 9,13% da produtividade – explica Lillian Bastian.
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Ao longo do ano passado, as safras de cebola foram boas em todo o Brasil. Uma prova disso foi que o país não importou cebola em outubro. Depois, adquiriu no exterior pequenos volumes, informa a analista. Os principais mercados fornecedores do exterior são Argentina, Chile, Espanha e Holanda.
Impactos dos preços baixos
Desde que a crise dos preços baixos da cebola começou a impactar a vida dos produtores e das cidades, sete municípios decretaram Situação de Emergência Econômica: Ituporanga, Alfredo Wagner, Atalanta, Imbuia, Leoberto Leal, Chapadão do Lageado e Lebon Régis. Com esse decreto, as prefeituras podem adotar medidas administrativas especiais para enfrentar a crise, como ampliar programas de apoio, ampliar prazos de pagamento.
A analista da Epagri Lillian Bastian destaca que segundo o último Censo Agropecuário do estado feito pelo IBGE com base em dados de 2017, Santa Catarina tinha 8.308 famílias que atuavam na produção de cebola. Se considerarmos que cada família tem três pessoas, o impacto da crise chega a aproximadamente 24 mil pessoas.
O estado responde por cerca de 40% da produção nacional de cebola, sendo 30% no Alto Vale do Itajaí e apenas um município, Ituporanga, responde por 10% de toda a produção do país.
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