Diante de prejuízos enfrentados pelos produtores de cebola de Santa Catarina devido aos preços abaixo do custo de produção, a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) cobrou do governo do estado medidas emergenciais e estruturantes para a crise do setor. A entidade enviou nesta segunda-feira um ofício ao governador Jorginho Mello com uma lista de reivindicações.
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A Facisc cobrou do governo criação de linhas de crédito específicas, prorrogação de obrigações financeiras, medidas para conter a importação de cebola e ações que garantam condições justas de competitividade para a produção de SC.
A entidade argumentou que o estado é o líder nacional em produção de cebola, desenvolvida em pequenas propriedades. Conta com polos produtivos na Grande Florianópolis, Alto Vale do Itajaí, cada um que responde por 30% da produção no estado, e o polo no Meio-Oeste, que produz 20% da safra estadual. Os preços baixos resultam da supersafra deste ano, que coincide com safra elevada em outros estados e também com importações.
– O produtor não consegue cobrir seus custos e acumula prejuízos sucessivos. É fundamental que o Estado atue com rapidez para garantir condições justas de competitividade e proteger uma cadeia estratégica para Santa Catarina – argumentou Elson Otto, presidente da Facisc.
O empresário Laudir Schäffer, que faz parte da Associação Empresarial de Ituporanga, destaca que o custo de produção por hectare na safra 2025-2026 ficou entre R$ 45 mil e R$ 53 mil. Mas como o preço de comercialização não cobre o custo, que está em cerca de R$ 1,40 por quilo, o prejuízo por hectare chega a R$ 15 mil.
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– A produção média ficou entre 40 e 50 toneladas por hectare. Após a classificação, há perdas de 15% a 25%. O preço médio final recebido gira entre R$ 0,65 e R$ 0,70 por quilo. No fim, a receita não cobre os custos e o prejuízo varia de R$ 10 mil a R$ 15 mil por hectare. Isso virou regra nesta safra – explicou Schäffer.
O empresário destacou também que produtores que tiveram prejuízo na safra passada plantaram mais nesta para compensar e, no fim, só agravaram a situação. Parte dos trabalhadores para a colheita vem do Nordeste. Os agricultores investem em irrigação, máquinas, depósitos e alojamentos para trabalhadores. Esses e outros custos somam valor alto e não são cobertos pelo preço de venda atual.
A Facisc entende que o setor público precisa ajudar para proteger milhares de famílias que dependem dessa atividade e garantir a saúde financeira de municípios produtores que estão com a economia impactara pela crise de comercialização da cebola.
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