Depois de um ano marcado pela forte queda no preço do arroz, produtores de Santa Catarina começam a buscar alternativas para equilibrar as contas. Nesse cenário, a Cooperja, de Jacinto Machado, firmou um contrato internacional para exportação de produtos agrícolas à América Central, ampliando a presença no mercado externo.

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O acordo prevê o fornecimento de arroz, milho e ração para países como El Salvador, Nicarágua, Guatemala, Costa Rica e Honduras. A iniciativa representa um avanço na estratégia de internacionalização da cooperativa e surge em um momento de pressão sobre a rentabilidade no campo.

Em 2025, o valor da saca de 50 quilos de arroz caiu de cerca de R$ 92, em janeiro, para R$ 54 em outubro, reflexo da alta oferta no mercado.

Já em 2026, embora os preços tenham reagido nos primeiros meses do ano, ainda seguem abaixo do custo de produção, estimado em R$ 72,56 por saca, o que mantém margens negativas para os produtores. Os dados foram compartilhados no Boletim Agropecuário de abril, publicação mensal do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa).

Esse cenário tem incentivado a busca por novos mercados e alternativas de escoamento da produção, especialmente diante da dificuldade de recuperação da rentabilidade no mercado interno.

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Cooperativa do Sul de SC aposta no mercado internacional 

A assinatura do contrato ocorreu na última terça-feira (14), em Santo Antônio da Patrulha (RS), com a presença de dirigentes da Cooperja e representantes das empresas envolvidas na operação internacional.

Parceria internacional vai levar arroz, milho e ração a países da América Central e marca avanço na estratégia de exportação da cooperativa (Foto: Cooperja, Reprodução)

A parceria estabelece uma relação comercial de longo prazo e envolve a atuação de uma empresa compradora internacional responsável pela distribuição nos países da América Central, além de uma integradora que conecta produção, logística e mercado.

Para o presidente da Cooperja, Vanir Zanatta, o movimento representa um passo estratégico para a cooperativa. “Estamos levando a qualidade da produção dos nossos cooperados para além das fronteiras, abrindo novas oportunidades e agregando valor ao que produzimos. A internacionalização é um caminho que fortalece a cooperativa e gera desenvolvimento para todos”, afirmou.

A primeira operação já tem previsão para sair do papel nos próximos meses. Segundo a cooperativa, a carga inicial deve ser embarcada entre maio e junho, em uma operação considerada piloto para acompanhar o desempenho da negociação no mercado internacional.

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O primeiro envio será feito em uma embarcação de porte médio, com cerca de 20 mil toneladas de arroz em casca. O volume representa aproximadamente 8% do total projetado pela Cooperja para exportação ao longo de 2026. A partir desse embarque inicial, a cooperativa pretende avaliar os resultados e definir os próximos passos da estratégia de internacionalização.