O anúncio de um projeto para construir até 5 mil casas populares em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, liderado pelo empresário Roberto Justus, ocorre em um momento de transição no mercado de aluguel da cidade, após anos de alta acelerada e sinais recentes de desaceleração.
Continua depois da publicidade
A proposta prevê o início das obras ainda neste ano, com potencial de gerar cerca de 400 empregos diretos. O projeto é liderado pela SteelCorp, empresa da qual Justus é sócio majoritário e CEO, especializada em construção industrializada com uso de aço galvanizado e tecnologia Light Steel Frame, método que promete maior rapidez e redução de custos.
O que é a SteelCorp, plano bilionário de Justus
Dados do Índice FipeZAP mostram que o valor médio do aluguel na capital sul-mato-grossense fechou 2025 em R$ 31,74 por metro quadrado, com queda de 4,36% no ano, interrompendo um ciclo de três anos consecutivos de alta.
Apesar do recuo, os preços ainda permanecem elevados em relação ao período anterior. Entre 2022 e 2024, os aluguéis acumularam valorização superior a 60%, com aumentos anuais expressivos.
Continua depois da publicidade
Como a oferta maior pode aliviar a pressão
Na lógica do mercado imobiliário, o aumento da oferta de moradias tende a reduzir a pressão sobre os preços, especialmente em cenários de forte valorização recente.
Campo Grande registrou, em 2024, a segunda maior alta de aluguel entre as capitais brasileiras, com avanço de 26,55%, segundo o FipeZAP. Nesse contexto, a entrada de milhares de novas unidades pode:
- ampliar a disponibilidade de imóveis
- reduzir a disputa por aluguel
- conter novos aumentos
O efeito, no entanto, depende da escala do projeto diante da demanda existente.
O que pode mudar o cenário dos alugueis
Mesmo com 5 mil unidades previstas, o volume não é suficiente para alterar estruturalmente o mercado no curto prazo.
Campo Grande ainda apresenta déficit habitacional relevante, o que mantém a demanda por moradia em níveis elevados. Com mais pessoas buscando imóveis do que unidades disponíveis, a tendência é de manutenção da pressão sobre os preços.
Continua depois da publicidade
Além disso, o próprio FipeZAP indica que, mesmo após a queda em 2025, o aluguel segue em patamar alto, com forte variação entre bairros, indo de cerca de R$ 18,80/m² no Centro a mais de R$ 90/m² em áreas valorizadas.
Quem pode ser impactado diretamente com as casas
O perfil do projeto também influencia diretamente o impacto. Como as unidades são voltadas à habitação popular, a tendência é que o principal efeito ocorra entre famílias de menor renda, que hoje ocupam imóveis alugados ou vivem em condições precárias.
Com a migração para a casa própria:
- parte desses imóveis pode voltar ao mercado
- aumentando a oferta nas faixas mais baratas
Esse movimento tende a ter alcance limitado em bairros de médio e alto padrão, onde a dinâmica de preços responde a outros fatores.
Quando as mudanças devem acontecer
Outro fator determinante é o tempo de execução. Projetos habitacionais dessa escala envolvem etapas como licenciamento, aprovação urbanística e construção em fases.
Continua depois da publicidade
Por isso, o impacto sobre o mercado de aluguel não é imediato. A tendência é que eventuais efeitos apareçam de forma gradual, conforme as unidades forem entregues a partir de 2026.










