A primeira moradia universitária no Brasil com modelo arquitetônico que respeita as particularidades culturais dos diferentes povos indígenas que frequentam a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ainda está no papel, mas o projeto já foi premiado. O reconhecimento foi nas categorias “Edificações e projetos” de um concurso do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento Santa Catarina (IAB-SC) e Destaque Luiz Antônio Medeiros da Silva, em referência ao homenageado do concurso deste ano.

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O projeto de moradia indígena é coordenado pelo professor Ricardo Socas Wiese e equipe do Laboratório de Projetos (Labproj). Um dos desafios do grupo do Labproj foi o fato de ainda não existir, no Brasil, um modelo de moradia estudantil indígena com os pressupostos que teria a da UFSC.

— A UFSC é pioneira em relação a projetos de moradia indígena. O que pouquíssimas universidades têm feito é adaptar espaços para os estudantes indígenas, mas geralmente dentro de um conceito bastante ultrapassado de moradia estudantil, que é meramente assistencialista, ‘um lugar para dormir’. Isso vai contra uma ideia muito mais ampla, que envolve todas as questões de permanência na universidade, e a moradia como um espaço de formação cidadão – diz o professor Wiese.

Ao todo, no país, foram 462 inscritos na etapa estadual, de 16 departamentos do IAB. Além do projeto de moradia indígena, dois outros inscritos de Santa Catarina foram selecionados para concorrer na etapa nacional. A divulgação dos classificados está prevista para janeiro de 2024. De acordo com a arquiteta e urbanista Fabrícia de Oliveira Grando, diretora do Departamento de Projetos de Arquitetura e Engenharia (DPAE/UFSC), a execução do projeto está prevista para 2025.

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Área tem diferentes espécies de árvores e um pequeno córrego

O terreno escolhido fica ao lado do Colégio de Aplicação (CA/UFSC), na entrada da universidade pelo bairro Carvoeira, voltado para a rua Desembargador Vítor Lima. A área tem diferentes espécies de árvores e um pequeno córrego, localizado em uma das divisas do terreno.

No centro da moradia foi projetado o “espaço do fogo”. Ao redor, estão quatro blocos, que poderão ser construídos em diferentes etapas, conforme o aporte de recursos financeiros.

Além do “espaço do fogo”, estão previstas outras áreas de uso coletivo: duas cozinhas, uma sala de estudos e um centro de organização estudantil. Os quartos foram projetados com estruturas auxiliares em madeira, inspiradas em técnicas construtivas comuns dos povos originários.

A ideia é que o número de estudantes por quarto seja flexível, conforme as demandas e necessidades dos grupos que ali habitarem. Ao todo, os dormitórios terão capacidade para abrigar 156 estudantes. 

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