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Pandemia

Proporção de mortes de idosos por Covid-19 em SC cai quase pela metade em 4 meses

Em fevereiro, pessoas com mais de 60 anos representavam 82% das novas mortes, índice que recuou para 47% em junho. Especialistas dizem ser cedo para atribuir resultado apenas à vacinação

12/06/2021 - 05h08

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Cristian Edel
Por Cristian Edel Weiss
Por Júlio Ettore
Grupo de pessoas de 70 a 79 anos tem 90% dos indivíduos com as duas doses da vacina
Grupo de pessoas de 70 a 79 anos tem 90% dos indivíduos com as duas doses da vacina
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A proporção de idosos no total de mortes por covid-19 em junho representa quase a metade da observada há quatro meses em Santa Catarina. Enquanto na primeira semana de fevereiro pacientes com mais de 60 anos correspondiam a 82,74% das novas mortes, na primeira semana de junho a proporção caiu para 47,75%. Em internações por complicações da doença, o cenário é similar. Além disso, nas faixas etárias a partir de 60 anos também há sinal de estabilização da taxa de letalidade, que é o percentual de diagnosticados com o coronavírus que não resistiram à doença (veja a seguir o que mostram os dados). 

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Na semana em que Santa Catarina alcançou a marca de 1 milhão de pessoas que já contraíram o coronavírus ao longo da pandemia, os números analisados pela reportagem da NSC, com base nos dados oficiais do governo do Estado, indicam esperança para os próximos meses e fortalecem a necessidade de manter os cuidados e a vacinação para que a crise sanitária se aproxime do fim.

Os dados foram atualizados nesta sexta-feira, 11, e a reportagem agrupou por semana para facilitar a visualização da evolução dos cenários. Os quatro meses analisados coincidem com o período da vacinação contra a Covid-19, que começou em 18 de janeiro. 

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Especialistas ouvidos advertem, no entanto, que são necessários mais estudos para confirmar se a vacinação, que tem os idosos como um dos grupos prioritários, é responsável por esses números positivos, ou se foram ajudados por uma mudança de conduta da população diante da forte onda de casos em março. Por enquanto, as reduções são tratadas como indícios, porém muito animadores.

Os especialistas também reforçam: as duas doses da vacina são importantes para evitar o agravamento dos sintomas da covid-19. Mas elas, por si só, não impedem a contaminação pelo vírus caso os cuidados como uso de máscara e distanciamento social não sejam mantidos. Veja a seguir o que os números já indicam.

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Proporção de idosos no total de mortes cai praticamente pela metade

Enquanto na primeira semana de fevereiro pacientes com mais de 60 anos representavam 82,74% das mortes ocorridas por semana, na primeira semana de junho a proporção caiu para 47,75%. Em quatro meses, a participação desse grupo etário passou a representar quase a metade da observada no início de fevereiro: o índice despencou 35 pontos percentuais. 

Ainda que preliminares, nesta semana os números sugerem que a redução continuará tendo efeito: os idosos representam 46,19% dos óbitos ocorridos entre domingo e esta sexta-feira.

Em contrapartida, a parcela de pessoas com até 59 anos aumentou gradativamente. Veja no gráfico abaixo como a proporção dessa faixa etária aumenta a cada semana desde o início de fevereiro. Toque sobre as barras no gráfico abaixo para ver detalhes.

Internações de idosos representam menos da metade do que há 4 meses

Os idosos correspondiam a 53,19% do total de internados que davam entrada em enfermarias ou leitos clínicos por Covid-19 na primeira semana de fevereiro, segundo dados do Estado. Já na semana passada, representavam 24,71%, índice que corresponde a menos da metade do que havia há 4 meses (uma redução de 28 pontos percentuais). 

Conforme os dados preliminares desta semana, a parcela de idosos entre as novas internações é ainda menor: 21,85%. Toque sobre os pontos na linha do gráfico abaixo para ver detalhes:

Nesse indicador, a evolução é mais perceptível no grupo de pessoas a partir dos 70 anos. Mas desde o final de maio, pacientes entre 60 e 69 anos também começaram a dar entrada em menor número em internações por conta da Covid-19. Toque sobre as barras no gráfico abaixo para ver detalhes.

Nas UTIs, pessoas com até 59 anos passaram a ser maioria

Até mesmo nas UTIs, a maior fatia de pacientes que dá entrada agora nas unidades semanalmente é de pessoas com até 59 anos. 

Pessoas com mais de 60 anos respondiam por 56,93% dos pacientes que davam entrada em terapia intensiva na primeira semana de fevereiro. Já no início de junho, essa parcela caiu para 31,89%, redução de 25 pontos percentuais no período. 

A diminuição da participação no total de novas internações em terapia intensiva é maior principalmente a partir dos 70 anos, embora mesmo em indivíduos entre 60 e 69 anos já se perceba de forma tímida uma queda. Toque sobre as barras no gráfico abaixo para ver detalhes.

Curva letalidade parou de crescer em pessoas a partir de 70 anos

Outro dado promissor é a taxa de letalidade por faixa etária em Santa Catarina. Ela verifica o percentual de pessoas diagnosticadas com covid-19 que morreram por complicações da doença.

Enquanto o Estado como um todo registra o maior índice desde 28 de maio do ano passado, nas faixas etárias de 70 a 79, 80 a 89 e 90 ou mais ela parou de crescer ou já apresenta redução, como no caso dos pacientes a partir de 80 anos.

Observe no gráfico abaixo como a curva da letalidade é mais empinada entre pessoas com idades entre 0 e 59 anos, e começa a declinar com pacientes acima de 60 anos, especialmente idosos com mais de 80.

Esses grupos são justamente os mais afetados por mortes desde o início da pandemia em Santa Catarina e o índice de letalidade ainda é elevado: em pessoas com mais de 80 anos por exemplo, para cada cinco infectados há uma morte. 

Em contrapartida, a curva cresce de forma acentuada em pacientes de 30 a 59 anos, população economicamente ativa.

SC tem a maior taxa de letalidade para covid-19 em mais de 1 ano de pandemia

Boa cobertura vacinal entre idosos pode ter contribuído para redução de mortes e internações

A boa cobertura da vacinação com duas doses, especialmente entre idosos a partir de 70 anos, tende a contribuir com os números positivos, acredita Alexandra Boing, professora da Universidade Federal de Santa Catarina e epidemiologista que integra o Observatório Covid-19 BR. 

Conforme dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive), 90% da população estimada na faixa etária de 70 a 79 anos já havia recebido as duas doses da vacina contra a covid-19 até a noite desta sexta-feira, e mais de 97% se submeteram a pelo menos uma aplicação.

É o caso da aposentada Zeni Steffen, que já tomou as duas vacinas e completou mais de 40 dias desde a segunda dose.

[A imunização] Me deu mais confiança para ficar com a minha neta toda tarde, porque a mãe dela trabalha. E daí deu um pouco mais de segurança para escutar ela tocar violino todo dia... Isso é muito bom! Zeni Steffen, aposentada que já tomou duas doses da vacina
Dona Zeni tomou a segunda dose da vacina há mais de 40 dias e hoje se sente segura para cuidar da neta diariamente
Arquivo pessoal
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Mas a pesquisadora Alexandra Boing é cautelosa e reforça que ainda é preciso analisar mais a fundo os números para ter certeza de que os resultados são apenas consequências da vacinação no Estado. Ela adverte que pode ser também reflexo de uma mudança de conduta da população, diante da apreensão pelo aumento expressivo entre o final de fevereiro e início de abril do total de mortes, lotação de UTIs e contaminações por novas variantes do coronavírus.

É importante cautela, porque os dados eles precisam ser acompanhado ao longo do tempo. O estado passou por um aumento do nível de transmissão em níveis muito altos, que acaba afetando as pessoas que estão mais expostas, aquelas pessoas que saem pra trabalhar. Por isso pode ter acontecido algum tipo de mudança de comportamento destes grupos. Alexandra Boing, professora da Universidade Federal de Santa Catarina e epidemiologista que integra o Observatório Covid-19 BR.

Por enquanto, as reduções são tratadas pelos especialistas como indícios de um avanço da vacinação, mas que não deixam de ser animadores. 

No final de abril, reportagem do Diário Catarinense e da NSC TV já adiantou números preliminares com indícios de queda em mortes e internações de idosos, especialmente a partir de 80 anos.

O superintendente de Vigilância em Saúde em SC, Eduardo Macário, disse ter observado redução no número de hospitalizações de casos graves de covid-19 e óbitos, especialmente entre indivíduos que tomaram as duas doses da vacina e cuja segunda aplicação ocorreu há mais de 30 dias.

Tempo necessário entre a 1ª e a 2ª doses das vacinas usadas em SC
Tempo necessário entre a 1ª e a 2ª doses das vacinas mais usadas em SC
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– Isso pode ser explicado de duas formas: que essa população tem buscado se proteger mais contra o coronavírus, utilizando máscaras, evitando principalmente circular em ambientes aglomerados, mas também pode demonstrar uma eficácia da vacinação, porque esse grupo foi vacinado desde o início da campanha e já está agora tomando a segunda dose, ou seja, tem um nível de proteção maior – destacou Macário.

Estudos no Brasil já mostram resultados promissores da vacinação

Para afirmar com segurança que as vacinas são responsáveis diretas pelas redução de mortes e internações na população, são necessários estudos científicos mais detalhados, alertam os especialistas. 

Em Santa Catarina ainda não há pesquisas concluídas até o momento que comprovem essa hipótese. No país, a cidade de Serrana, no interior de São Paulo, por exemplo, vacinou quase toda a população adulta entre 14 de fevereiro e 10 de abril. As mortes caíram quase a zero: diminuíram 95%. Hospitalizações caíram 86%, segundo estudo conduzido pelo Instituto Butantan para avaliar a eficácia da Coronavac, uma das vacinas mais utilizadas em Santa Catarina, ao lado da AstraZeneca.

Enquanto a pandemia não chega ao fim, os cuidados como uso de máscaras, higienização das mãos e distanciamento social não devem ser esquecidos nem por quem já está vacinado com as duas doses.

– Não é que a vida voltou ao normal, mas já tem alguns indícios de normalidade. Não visito muito meus amigos, raramente a gente se encontra, mas é até melhor. Dá mais confiança, vamos dizer assim, a gente se sente menos responsabilidade em passar pra alguém – aconselha dona Zeni.

Mais dados da pandemia por cidade estão disponíveis no Painel do Coronavírus.

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