Simples, humilde e acessível. Essas são as qualidades que o “pupilo” de Werner Ricardo Voigt usa para descrever quem era a pessoa que foi uma das fundadoras da WEG, o império bilionário de motores elétricos em Jaraguá do Sul, no Norte catarinense. 

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Ao NSC Total, Felipe Gartz Demo, de 22 anos, relembrou sua amizade com o empresário que faleceu em 2016. O menino, na época com quatro anos de idade, conheceu Werner no restaurante da recreativa da WEG, um lugar que costumava frequentar com a família.

Veja fotos do “pupilo” com o fundador da WEG durante a infância

“Amiguinho” de Werner visitou fábricas 

Apaixonado pelo universo dos motores e peças que dão vida às máquinas, Felipe foi convidado várias vezes para conhecer as fábricas da companhia jaraguaense. Aos poucos, o laço de amizade se tornou mais forte entre os dois e o co-fundador da WEG chegou a marcar presença nos aniversários do jovem.

O contraste entre a grandeza e a simplicidade com que Werner levava a vida foi o que mais marcou o menino na infância.

— Estamos falando de um dos fundadores da WEG, uma empresa que já era, naquela época, uma das maiores fabricantes de motores elétricos do mundo. Hoje, olhando para a dimensão que a empresa alcançou e para tudo o que ela representa globalmente, consigo compreender ainda mais o quão especial foi ter convivido com uma pessoa como ele — relata.

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Além disso, Felipe destaca os valores do homem que foi o responsável por idealizar o protótipo de um motor que se tornou o produto originário da WEG.

—  O que mais me impressionava não era o empresário ou o fundador. Era justamente a pessoa por trás de tudo isso. O Sr. Werner era extremamente simples, humilde e acessível. Ele não sentia necessidade de provar nada para ninguém. Nunca o vi se exibir por suas conquistas ou pela posição que ocupava. Era alguém que tratava as pessoas com respeito, gentileza e naturalidade, independentemente de quem fosse — conta.

Amizade entre os dois começou em 2008 (Foto: Arquivo Pessoal)

Influenciador e apaixonado pela engenharia

Dono de um império que formou bilionários, o patriarca da família Voigt também inspirou o menino em sua carreira profissional. Atualmente, Felipe é formado em Eletromecânica pelo Senai e cursa Engenharia Elétrica. Devido ao estudo, realiza estágio na área de Desenvolvimento e Aplicação de Motores Appliance na WEG, sua companheira desde a infância.

— Ele acreditava na dedicação, no esforço constante, na busca pelo conhecimento e na vontade de fazer sempre melhor. Era uma pessoa que demonstrava, através do exemplo, que nunca devemos parar de aprender, de evoluir e de buscar novos desafios.

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Nas redes sociais, Felipe é conhecido como oMaster do Motor, onde compartilha o seu dia a dia com os motores, traduzindo para uma linguagem simples o universo das máquinas. Em casa, o “pupilo” acumula mais de 200 motores de diversas marcas e coleciona manuais técnicos.

— Acredito que ainda há muito espaço para desenvolver projetos relevantes, divulgar conhecimento técnico e fortalecer o segmento. O objetivo continua sendo o mesmo de quando comecei: compartilhar conhecimento, incentivar novos profissionais e mostrar a beleza da engenharia presente nos motores e nas máquinas que movimentam o mundo — destaca.

Presença do fundador da WEG em aniversários

Felipe lembra que foi surpreendido pela presença de Werner em algumas festas de aniversário ao longo da infância. Aos seis anos, a comemoração teve os motores elétricos como tema e, pela segunda vez desde que o conhecia, o jaraguaense recebeu o fundador em sua casa.

— Essa foi uma das lembranças mais especiais que guardo, porque ele chegou tocando “Parabéns a Você” na gaitinha de boca, um instrumento que ele gostava muito de tocar como hobby. Ver o Senhor Werner presente foi algo inesquecível para mim — conta.

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Fundador da WEG chegando no aniversário de Felipe em 2009 (Foto: Arquivo Pessoal)

Além dos aniversários, o empresário também esteve presente na primeira comunhão de Felipe. 

— O mais curioso é que meus pais nunca me avisavam quando ele iria participar das comemorações. Eles conversavam com ele antecipadamente e verificavam sua disponibilidade, mas guardavam segredo. Então ele simplesmente aparecia, e eu ficava surpreso e muito feliz ao vê-lo. Era sempre uma alegria enorme perceber que ele havia reservado um tempo da sua agenda — conta.

Quem foi Werner Ricardo Voigt

Werner Ricardo Voigt é o nome por trás da primeira letra da sigla que dá nome à multinacional WEG, uma gigante de Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina. Falecido em 2016, o catarinense teve uma trajetória marcada por inovação, espírito empreendedor e até paixão pela música.

A empresa de fabricação de motores elétricos foi fundada em 16 de setembro de 1961 pelo trio Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus. As habilidades do eletricista, administrador e do mecânico foram unificadas e resultaram na fundação da Eletromotores Jaraguá. Algum tempo depois, a empresa mudou de nome e passou a ser chamada de WEG, sigla que junta as iniciais dos fundadores e explica a origem do império.

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Descendente de imigrantes alemães vindos da região de Düsseldorf, Werner nasceu em 8 de setembro de 1930. Desde menino, sempre teve a eletricidade como uma paixão. Além disso, também despertou cedo para os prazeres da leitura por influência do avô, Leo Schulz, construtor e professor, que recebia inúmeros livros e revistas técnicas da Alemanha.

Já adolescente, foi morar em Joinville, onde estudava no Senai e trabalhava na oficina de Werner Strohmeyer. Aos 18 anos, foi convocado para servir ao Exército, em Curitiba, no Paraná. Após o serviço militar, foi um dos dois soldados selecionados para frequentar a Escola Técnica Federal, onde se especializou em radiotelegrafia e eletrônica.

Paixão pela música

Clarinetista desde os 14 anos, o catarinense tinha verdadeira paixão pela música, por influência do avô. Sabendo deste talento, Francisco e Adélia Fischer o convidaram para fazer parte de uma pequena orquestra montada com amigos e parentes e que ensaiava na sala da casa deles. Ela daria origem, em 1956, à Sociedade Cultura Artística (Scar), que é referência em atividades culturais no Norte de Santa Catarina.

Caminho até a WEG

Em setembro de 1953, Werner instalou uma pequena oficina no Centro de Jaraguá do Sul. O negócio, que prestava serviços gerais e atendia quase exclusivamente a manutenção de cerca de 20 veículos motorizados que circulavam pela cidade e região, cresceu e, mais tarde, o empreendedor utilizaria seu talento para dar início a WEG.

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*Sob supervisão de Leandro Ferreira