Cerca de 85% das nanoempreendedoras, autônomas com faturamento de até R$ 40 mil por ano, têm filhos, segundo estudo realizado pelo Instituto Consulado da Mulher, que tem como principal mantenedora a multinacional Whirlpool. A pesquisa mostra ainda que mais de 76% das mulheres iniciaram suas atividades devido à necessidade de encontrar um trabalho que permitisse conciliar a geração de renda com a criação dos filhos.

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O estudo “A Nanoempreendedora em Foco: Identidade, Sobrevivência e o Paradoxo da Autonomia”, feito com co-realização da Engie, expõe a urgência de mães para sustentar suas famílias. A maioria absoluta da amostra (61%) rejeita a ideia de voltar para o regime CLT — previsto na Consolidação das Leis do Trabalho.

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O motivo não é o conforto, já que 56% afirmam trabalhar mais hoje do que quando tinham carteira assinada, mas sim a busca por uma autonomia de tempo que lhes permita administrar a tripla jornada: o trabalho em si, a criação dos filhos e os cuidados domésticos.

A pesquisa revela que 68% das mulheres são as principais e únicas responsáveis pelo cuidado com a casa, dedicando, em 74% dos casos, mais de três horas diárias a esse trabalho.

Empreendedora joinvilense

Em Joinville, a maior cidade de Santa Catarina, essa é a realidade de Priscila Baum, nanoempreendedora local que superou barreiras com o apoio do Consulado da Mulher. Fundadora do Priscila Baum Hair Studio, buscou no empreendedorismo uma alternativa às limitações do regime CLT, priorizando a autonomia de horários para conciliar a carreira com a criação da filha.

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— Depois de refletir sobre a rotina exaustiva que teria como CLT e como isso me impossibilitaria de estar presente na vida da minha filha, eu decidi empreender pensando em ter mais liberdade e estar mais presente. No começo foi muito difícil lidar com os desafios e julgamentos, além da falta de apoio por ser mãe solo — conta Priscila.

A empreendedora afirma que o Consulado da Mulher ampliou sua visão sobre negócios, como posicionamento e visão, além de ajudá-la a reconhecer o seu próprio valor.

— Me fortaleceu como mulher e mãe e me fez enxergar a grandiosidade do meu negócio, algo que antes eu não conseguia ver — afirma.

Atuação do Consulado da Mulher

O Consulado da Mulher, que tem como principal mantenedora a Whirlpool Corporation, dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid no Brasil, tem como propósito impulsionar a jornada de mulheres, fortalecendo sua autonomia financeira, educacional e emocional.

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O levantamento divulgado pelo instituto neste ano também aponta que, em lares onde 58% das famílias vivem com uma renda de até dois salários mínimos, o negócio da mãe deixou de ser “dinheiro extra”. Para quase 50% das participantes da pesquisa, a própria empresa é a principal renda da casa.

— O Consulado da Mulher atua onde não há margem para errar, porque o negócio sustenta a mesa e os filhos. Essas mulheres são qualificadas, mas empreendem porque o mercado formal e os serviços e infraestrutura não comportam a realidade de quem cuida. Nossa missão é oferecer suporte estrutural e capacitação para que elas transformem essa necessidade em estabilidade e prosperidade — afirma a diretora executiva do instituto, Adriana Carvalho.