O descobrimento recente de uma rachadura na Placa Tectônica do Pacífico e o movimento da Placa Sul-Americana, que se afasta gradualmente da Placa Africana, levantam dúvidas sobre os possíveis reflexos no Sul do Brasil e, mais especificamente, em Santa Catarina. Será que esses movimentos poderiam provocar novos eventos em Santa Catarina, como terremotos, por exemplo? O geólogo do Departamento de Ciências Naturais da Universidade Regional de Blumenau (FURB), Dr. Juarês José Aumond, explica os possíveis cenários.

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Um novo estudo publicado no dia 21 de janeiro na revista científica Geophysical Research Letters revela que a Placa Tectônica do Pacífico está se partindo em duas, devido a extensas falhas geológicas descobertas no assoalho do oceano Pacífico. Essas rachaduras se estendem por centenas de quilômetros de comprimento e têm uma profundidade de milhares de metros.

Porém, para confirmar se a placa está de fato se partindo, os cientistas necessitam de dados adicionais. No entanto, a obtenção desses dados está condicionada ao envio de navios até a área onde ocorre a falha, o que requer recursos financeiros. Sendo assim, não é possível afirmar neste momento que o movimento traria impactos ao Brasil e ao Estado.

Entretanto, outro fenômeno poderia trazer consequências ao país: a Placa Tectônica Sul-Americana, onde o Brasil se localiza, está se afastando cerca de 3 centímetros por ano da Placa Africana.

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Segundo o geólogo, o Brasil já se afastou 65 metros da África desde o ano 1500. Esse movimento está sendo responsável por elevar a Cordilheira Andina e por formar uma fenda no Oceano Atlântico, que é preenchida por lava não explosiva das camadas mais centrais da Terra.

— Até o momento não há estudos que comprovem que a falha encontrada no Pacífico e o afastamento da Placa Sul-Americana terão impactos diretos na geografia do Brasil, mas a natureza é imprevisível e não se pode prever com total certeza suas mudanças — diz o geólogo.

Mapa das placas tectônicas (Foto: Divulgação)

Apesar desses movimentos não terem impactado diretamente nos terremotos que já ocorreram em Santa Catarina, os fenômenos mostram que a estrutura do planeta não é imóvel, então não se pode descartar a possibilidade de novos eventos ocorrerem no Estado, como os raros terremotos.

O terremoto de Brusque

Há pouco mais de dez anos, no dia 23 de dezembro de 2013, às 5h10, um terremoto sacudiu o bairro Linha Tomaz Coelho da cidade de Brusque, e assustou os moradores. Conforme relatos locais, os tremores se repetiram com menor intensidade nos dias seguintes.

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O geólogo explica que os terremotos são vibrações naturais que se propagam por meio de ondas resultantes da liberação de energia acumulada na rocha ao longo de dezenas, centenas ou até milhares de anos.

— O Brasil é constituído por rochas muito antigas, já bastante cicatrizadas, por isso as possibilidades de terremotos são remotas. No entanto, ainda assim podem ocorrer reativações de falhas antigas, resultando em pequenos abalos sísmicos — aponta.

O especialista lembra que existem três categorias de terremotos: os causados por explosões ou colapsos vulcânicos, hoje inexistentes no Brasil; os causados por desmoronamentos ou acomodação de camadas de rochas internas superficiais, que são de pequena intensidade e localizados; e uma terceira categoria que são os de causas tectônicas que provocam os grandes terremotos e estão em sua maioria associados às grandes cordilheiras como os Andes e os Alpes, ou a grandes falhas geológicas como as existentes na África.

No caso do terremoto de Brusque, os tremores ocorreram devido a ajustes profundos na falha da crosta terrestre. Ele se deu perto do contato entre dois tipos de rochas muito antigas: a Suite Intrusiva Valsungana, e o Complexo Metamórfico de Brusque. Estes grupos rochosos estão conectados por grandes falhas geológicas, que ocasionalmente podem causar pequenos tremores, como o que aconteceu no bairro da Linha Tomaz Coelho, em 2013.

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*Sob supervisão de Andréa da Luz

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