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    Renan Dal Zotto: de craque da geração de prata a técnico da seleção de vôlei "a distância"

    Ex-atleta relata alegrias e frustrações, além do momento atual com a pandemia de coronavírus

    30/05/2020 - 09h48 - Atualizada em: 30/05/2020 - 09h54

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    Leandro
    Por Leandro Lessa
    Técnico da seleção masculina de vôlei Renan Dal Zotto
    Técnico da seleção masculina de vôlei Renan Dal Zotto
    (Foto: )

    Quem acompanha o vôlei vitorioso do Brasil ao longo dos últimos anos, precisa saber e reconhecer que o começo das glórias ocorreu durante a década de 1980, com a “geração de prata”, responsável pela primeira medalha olímpica para o país na modalidade, nos Jogos de Los Angeles, em 1984. Dois anos antes, na Argentina, o vice-campeonato mundial já mostrava a capacidade desse esporte desenvolver novos talentos para futuras conquistas.

    Um dos grandes expoentes daquele grupo, de façanhas então inéditas que completam quase 40 anos atrás, é Renan Dal Zotto, 59, hoje técnico da seleção brasileira masculina de vôlei e com tantas histórias com o esporte em Santa Catarina. Só em Florianópolis, foram quatro títulos nacionais conquistados — o time da Cimed foi encerrado em 2012 —, além da passagem no futebol como diretor de marketing do Figueirense por dois anos.

    Como um maiores jogadores de vôlei de sua época, Renan acreditava que a experiência em quadra já era suficiente para ser treinador. "Estava completamente equivocado", disse em entrevista à CBN Diário. Porém, em 1996, quando era técnico do Chapecó, o filho mais velho (Gianluca, irmão de Enzo) teve leucemia e ele precisou parar para cuidar da criança. Como a esposa Annalisa foi criada em Florianópolis, a família fixou residência na capital catarinense.

    Durante esse período, começou a buscar novos caminhos para se manter próximo ao esporte. Os seis anos que trabalhou como dirigente da equipe da Unisul, em Santa Catarina, entre 1999 e 2005, são considerados pelo ex-atleta como o período que ele mais evoluiu profissionalmente e pessoalmente.

    — Sempre gostei muito da área de gestão esportiva, aprendi muitos nos projetos. Trabalhei na Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) como diretor técnico das seleções, ao lado de José Roberto Guimarães e Bernardinho. Foi um "MBA" muito intenso. Também passei pelas mãos de Bebeto de Freitas, (José Carlos) Brunoro e grandes treinadores na Itália. Isso vai te dando uma bagagem não só técnica, mas de vida — explicou.

    "Atletas terão algum tipo de perda", diz treinador sem os treinos em quadra

    No comando da equipe de Taubaté, o gaúcho de São Leopoldo foi campeão da Superliga na temporada 2018/2019. Este ano, quando a competição foi paralisada devido à pandemia de coronavírus, o time paulista era o líder na reta final da fase classificatória. Depois, o torneio acabou sendo encerrado, sem um campeão, mas a posição na tabela deu ao clube a vaga para o Campeonato Sul-Americano.

    No Debate Diário do último dia 14, Renan Dal Zotto confirmou a decisão de se dedicar exclusivamente a ser técnico exclusivo da seleção masculina. Ao substituir Bernardinho, está a frente do projeto desde 2017, com cinco competições e quatro pódios. Porém, a disputa pelo ouro olímpico em Tóquio foi remarcado para 2021. O acompanhamento dos atletas segue a distância, para deixá-los na situação melhor possível para o momento do retorno aos ginásios e arenas.

    — Fomos pegos de surpresa como todo mundo. Não tivemos um tempo hábil para fazer convocação (da seleção), mas estamos monitorando quase que diariamente. Estamos nos esforçando ao máximo, mas sabemos que os atletas terão algum tipo de perda, física ou emocional. Vamos tentar continuar focados, fazendo o que é possível em casa. Isso tudo tem que passar o mais rápido possível para voltarmos a fazer que a gente mais ama, que é estar dentro de uma quadra — comentou.

    Ouça o bate-papo de Renan Dal Zotto com Mário Motta na íntegra:

    São momentos marcantes de uma carreira vitoriosa: criador do "saque viagem", integrante do Hall da Fama do Voleibol mundial, títulos europeu e mundial de clubes em sua passagem pela Itália. Porém, foram dois segundos lugares nos maiores torneios para a seleção, em um país que na maioria das vezes despreza um vice-campeonato. Pois as celebrações e frustrações fazem parte do aprendizado que Renan leva consigo — inclusive, como palestrante pelo mundo afora.

    — Um estudo que ganhou o Prêmio Nobel de Economia provou que a dor da derrota é duas vezes mais intensa que o prazer da vitória. Pouco antes do Mundial de 1982, nós havíamos derrotado a União Soviética. Em 1984, a gente venceu os Estados Unidos na fase classificatória. Eu lembro de uma semifinal de Mundial de Clubes, que ataquei a última bola do jogo e fui bloqueado. Mas a nossa vida é assim, o importante é ter mais prazer do que frustrações — declarou o profissional.

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