Pré-candidato ao Senado e com título de eleitor transferido para Santa Catarina no fim do ano passado, o ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), é um dos nomes prováveis do partido para compor a chapa do governador Jorginho Mello. Ele disputa espaço com a aliada Carol de Toni (PL) e com o atual senador Esperidião Amin (PP) as duas vagas disponíveis na coligação.

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Nas últimas semanas, no entanto, surgiram rumores de um possível movimento de guinada política do ex-vereador para se aproximar do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), provável adversário direto do governador Jorginho Mello (PL) na corrida pelo governo de SC em outubro — e consequentemente do partido de João, o PSD.

Os comentários começaram no dia 11 de fevereiro, após a notícia de um suposto telefonema que Carlos Bolsonaro teria feito para o prefeito João Rodrigues. A informação foi publicada pelo colunista do portal Metrópoles, Igor Gadelha. Lideranças do PSD ligadas a João Rodrigues afirmam que a ligação ocorreu, no último dia 7 de fevereiro, embora fontes do PL não confirmem.

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A conversa teria ocorrido após sugestão do ex-presidente Jair Bolsonaro a Carlos após queixas do filho sobre a condução da chapa ao Senado no grupo do governador Jorginho, como contou o colunista da NSC, Ânderson Silva, na semana passada.

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Carlos Bolsonaro teria procurado João Rodrigues para perguntar se, caso não conseguisse a vaga de candidato ao Senado por SC na chapa de Jorginho Mello, teria espaço no projeto de João Rodrigues. Ele teria recebido sinal positivo. O resultado da conversa teria sido compartilhado posteriormente por Carlos com a deputada e aliada Caroline de Toni.

O senador Jorge Seif, do PL do governador Jorginho Mello, confirmou em entrevista na semana passada à rádio Jovem Pan News Litoral que Carlos Bolsonaro teria procurado João Rodrigues para alinhar uma possível oportunidade de concorrer ao Senado no projeto de João “se não se ajeitar no PL”.

Resposta no X

Outro elemento que esquentou o assunto na política de SC foi uma mensagem publicada em uma postagem de Carlos Bolsonaro no fim de semana na rede social X. Em resposta a uma publicação em que Carlos declarava apoio à madrasta Michelle Bolsonaro na disputa pelo Senado no Distrito Federal, um usuário perguntou se Carlos “já negociou com Kassab sua ida para o PSD”.

Carlos Bolsonaro respondeu em tom enigmático. Em dois parágrafos, afirmou ver “maldade” na afirmação do usuário, mas disse que “em breve, a resolução desta situação será devidamente explicitada”. Confira abaixo a íntegra da resposta do ex-vereador:

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“Mesmo diante da maldade presente em sua colocação e de alguns poucos outros, faço questão de esclarecer de forma muito tranquila. Há 25 anos, atuo de maneira incansável para o verdadeiro crescimento do movimento de direita no Brasil seja construída, respeitada e preservada.

Em breve, a resolução dessa situação será devidamente explicitada, oferecendo as garantias necessárias àquilo que sempre construímos, mantendo a verdade e assegurando que a vontade do povo soberano prevaleça. Um forte abraço.”

Análises nos partidos

O presidente do PSD em SC, Eron Giordani, afirma que a conversa ocorreu, mas considera pouco provável uma ida de Carlos Bolsonaro ao projeto de João Rodrigues.

— Em política nada é impossível. Mas tenho a opinião pessoal de que é algo improvável, por conta da questão nacional. Para vir à aliança [de João Rodrigues], Carlos teria que estar no PSD ou partido aliado, mas dando palanque para o candidato a presidente do partido, possivelmente Ratinho Júnior. E o irmão dele, Flávio, será o candidato a presidente do PL. É um movimento improvável, mas na política nada é impossível — avalia.

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No PL, a avaliação também é de que Carlos Bolsonaro não faria esse movimento de mudança para o PSD e de que ele já tem a sinalização positiva de que será candidato ao Senado pelo partido. O filho do ex-presidente já estaria visitando a Casa d’Agronômica para conversas com o governador e mantido agenda de trabalho na sede do partido.

Entre fontes dos partidos, uma leitura é de que o aceno de Carlos Bolsonaro ao PSD de João Rodrigues pode ter sido uma forma de pressionar o PL de Jorginho a definir de vez a situação da chapa ao Senado, com a formação idealizada por Carlos, de chapa pura do PL e as candidaturas de Carlos e Carol de Toni. Carol já esteve perto de deixar o PL por não ter espaço para concorrer ao Senado, mas nas últimas semanas ganhou demonstrações de apoio e agora é o nome favorito no projeto do governador Jorginho para compor a chapa ao lado de Carlos Bolsonaro.

Um ato público de apoio a Carol está previsto para as próximas semanas para selar a permanência dela na sigla. O ex-presidente Bolsonaro também já teria dado aval para chapa pura do partido ao Senado em SC. A decisão, no entanto, poderia deixar de fora o PP de Esperidião Amin, também interessado na vaga para disputar a reeleição, e que recentemente teve acordo defendido pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

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