A disputa judicial entre o atacante Richarlison e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por uma mansão avaliada em cerca de R$ 10 milhões, em Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), repercutiu nesta terça-feira (30) após o jogador afirmar nas redes sociais que perdeu a posse do imóvel e ainda não recebeu o valor investido. O caso, que tramita desde 2020, discute quem tem o direito de usar a propriedade e se a transferência da posse foi feita de forma regular.

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Em comentário publicado em uma postagem da advogada imobiliária Ana Paula Zantut, Richarlison afirmou que investiu aproximadamente R$ 10 milhões na compra da mansão. “Realmente gastei em torno de 10 milhões lá e simplesmente me tomaram. E estou até hoje sem receber a minha grana!”, escreveu o jogador, que atualmente atua pelo Tottenham, da Inglaterra.

Segundo a advogada, Richarlison e seu empresário são os proprietários do imóvel, enquanto a posse acabou sendo adquirida posteriormente pelo advogado Tomaz Willer, ligado ao senador Flávio Bolsonaro. Desde então, a disputa passou a girar em torno da validade dessa transferência.

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Como começou a disputa

No vídeo nas redes sociais, a advogada fala sobre a disputa judicial. O embate teve início em 2020, quando Richarlison comprou a mansão. Na mesma época, Flávio Bolsonaro também demonstrou interesse no imóvel e teria tentado reverter a venda após descobrir que a propriedade já havia sido negociada com o jogador.

Cinco meses depois, segundo o processo, o senador retornou ao local, ancorou sua lancha em frente à residência e pediu ao antigo proprietário que mostrasse a mansão a um interessado na compra.

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Pouco tempo depois, a esposa do empresário de Richarlison, que morava no imóvel, foi surpreendida pela chegada de policiais e de um oficial de Justiça para cumprir uma ordem relacionada à reintegração de posse.

O que está sendo discutido na Justiça

De acordo com Ana Paula Zantut, a discussão atual não envolve a propriedade da mansão, mas a legalidade da posse. Segundo ela, Richarlison e o empresário continuam sendo os proprietários registrados do imóvel. Já Tomaz Willer teria adquirido o direito de posse — isto é, o direito de usar e ocupar a residência.

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A advogada afirma ainda que uma das sócias da empresa M Locadora, que detinha a posse do imóvel, alegou ter sido induzida a erro ao assinar o contrato que transferiu esse direito. Caso a Justiça conclua que houve irregularidade ou simulação na negociação, o contrato poderá ser anulado, permitindo que Richarlison volte a exercer a posse da mansão.

Flávio, por sua vez, nega ter qualquer envolvimento na disputa judicial pela posse da mansão. Em 2022, o senador chegou a publicar em suas redes sociais uma nota sobre o caso:

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O que já foi decidido

Apesar de a disputa ter ganhado nova repercussão após a manifestação de Richarlison nas redes sociais, o processo já teve decisões importantes. Conforme informações do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), a última movimentação registrada no processo indica que ele entrou em fase de arquivamento definitivo.

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Na prática, isso significa que as decisões tomadas naquela ação foram encerradas. Ainda assim, a discussão sobre a legalidade da posse continua sendo citada pelas partes e voltou ao debate público após as declarações do jogador sobre o prejuízo financeiro e a perda do direito de usar o imóvel. O NSC Total contatou a assessoria do senador e aguarda retorno.

Em seu perfil no Instagram, Richarlison republicou o vídeo da advogada explicando a situação e marcou diretamente o perfil de Flávio. A publicação foi removida do perfil de Ana Paula. Em uma nota, enviada ao portal UOL, ela explica a decisão:

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“Após exame mais aprofundado e ciente de que existe documentação processual muito além do quanto antes veiculado pela mídia, verifiquei que a comunicação inicialmente realizada continha imprecisões relevantes sobre aspectos fáticos e jurídicos essenciais do caso, inclusive em relação a partes envolvidas, desenvolvimento de acontecimentos, direitos envolvidos e natureza jurídica das controvérsias, todas essas circunstâncias que recomendam imediata correção e retificação.

Por essa razão, esclareço desde logo que os vídeos foram apagados e ficam integralmente sem efeito e devem ser desconsideradas todas as afirmações, interpretações, conclusões ou explicações constantes da publicação anteriormente divulgada, as quais não mais refletem minha compreensão atual dos fatos, que será melhor aprofundada e apresentada em novos conteúdos detalhados e fundamentos, que já estou preparando”.

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