O tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, que foi baleado na cabeça neste sábado (27) em um atentado, também é investigado pela morte de um homem de 22 anos durante uma operação realizada em janeiro, em Suzano, na Grande São Paulo.

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Ronickson e outro policial são alvos de investigação pela morte de João Francisco Silva de Sousa, ocorrida em 7 de janeiro. Conforme o inquérito da Polícia Militar, o tenente liderava a equipe no momento da ação e realizou dois disparos com um fuzil. O cabo Edson Andrade Valério também efetuou dois tiros, utilizando uma pistola.

João, de 22 anos, morreu no local depois de ser atingido pelos quatro disparos. O exame necroscópico apontou que a causa da morte foi uma hemorragia interna provocada pelos tiros que atravessaram o tórax, além das lesões provocadas nos pulmões, coração, fígado e intestino.

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Veja fotos do caso do ataque à Ronickson Pimentel

O que aconteceu na ação policial que levou à morte do jovem de 22 anos?

A equipe policial apurava uma denúncia anônima sobre o armazenamento de drogas em Itaquaquecetuba (SP). Durante a ocorrência, os agentes prenderam um suspeito e apreenderam armas, munições, drogas e materiais utilizados pelo tráfico. Segundo o inquérito, o homem detido informou a existência de outro imóvel, em Suzano, onde haveria mais entorpecentes e armamentos.

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Quando chegaram à chácara indicada, os policiais afirmam que houve confronto. Em depoimento, o tenente declarou que João teria reagido à abordagem e que uma pistola com numeração raspada, além de munições, foi encontrada. No local, foram apreendidos 166 tijolos de maconha e porções de cocaína.

A câmera corporal usada pelo tenente registrou a ação, mas não mostra se a vítima disparou contra os policiais. De acordo com a descrição oficial das imagens, anexada ao inquérito obtido pelo UOL, Ronickson aparece dizendo “perdeu, perdeu, ladrão” e, logo depois, os tiros são ouvidos. O documento não aponta se João chegou a atirar contra os agentes.

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A companheira de João apresentou uma versão diferente sobre a abordagem. No relato, ela afirma que estava dentro da residência quando ouviu barulhos no portão. João teria saído para verificar o que estava acontecendo e os policiais entraram no imóvel. Depois, ela foi retirada da casa por um dos agentes e ouviu os disparos enquanto era levada para a rua.

PM aponta legítima defesa; Ministério Público Militar contesta

A investigação conduzida pela PM concluiu que os policiais agiram em legítima defesa e não encontrou indícios de crime. A conclusão foi validada pela corporação em março deste ano.

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O Ministério Público Militar, porém, discordou desse entendimento e defendeu que o caso fosse analisado pelo Tribunal do Júri. Com isso, a Justiça Militar encaminhou o processo para a Justiça comum em 6 de abril.

Na nova fase, o Ministério Público apontou falhas na apuração e solicitou novas diligências. Para o promotor Alexandre Acerbi, ainda são necessários laudos de confronto balístico entre as armas dos policiais e a arma atribuída à vítima, além dos depoimentos formais dos PMs envolvidos e das testemunhas, para esclarecer se houve troca de tiros e se o uso da força foi legal.

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A Defensoria Pública representa Ronickson e Edson Andrade Valério no processo. A reportagem procurou o órgão, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto. O espaço continua aberto.

Atentado contra o tenente

Ronickson Pimentel dos Santos foi atingido por tiros na cabeça poucos minutos depois de sair de uma academia, no sábado. Imagens de câmeras de segurança mostram dois homens em uma motocicleta se aproximando do policial e efetuando os disparos quando ele também estava parado em uma moto, em um semáforo da avenida Goiás, em São Caetano do Sul.

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O tenente segue internado em estado grave, mas estável. Ele passou por uma cirurgia neurológica no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. Em nota, a Polícia Militar afirmou que o momento exige “extrema cautela” e declarou que o policial “luta por sua vida”.

A motocicleta utilizada no ataque foi localizada horas depois do crime. O veículo estava abandonado na rua Roberto Koch, na zona sul da capital, e passará por perícia para busca de impressões digitais e vestígios biológicos.

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A Justiça de São Paulo determinou a prisão temporária, pelo período de 30 dias, de dois suspeitos, de 40 e 52 anos. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), um terceiro homem, de 24 anos, compareceu ao Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) acompanhando o pai preso, mas não foi detido. A polícia segue tentando identificar outros envolvidos e esclarecer a motivação do ataque.

Ronickson Pimentel é irmão de Eloá Cristina Pimentel. Ela tinha 15 anos quando foi mantida em cárcere privado e morta pelo ex-namorado Lindemberg Alves, em 2008, em Santo André.

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O tenente entrou para a Polícia Militar em 2009, depois de atuar como fuzileiro naval na Marinha entre 2006 e 2009. Em 2015, tornou-se oficial da corporação após concluir o curso na Academia do Barro Branco. Desde 2019, faz parte da Rota, tropa de elite da PM paulista.