O advogado-geral da União Jorge Messias, nome escolhido pelo presidente Lula (PT) para ser o novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), passou por sabatina nesta quarta-feira (29) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em Brasília. A sessão começou por volta de 9h30min e terminou por volta das 17h50min, com mais de oito horas de questionamentos dos parlamentares a Messias.

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A etapa antecedeu a votação da indicação de Lula pelos senadores, que decide se Messias poderá ou não ser nomeado para o STF. A sessão foi comandada pelo presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA). Os senadores fizeram perguntas e questionaram Messias para saber se ele possui os critérios necessários para ocupar o cargo, como ter notável saber jurídico e reputação ilibada.

Reveja a sabatina

Nos primeiros questionamentos, Messias foi questionado sobre a posição dele em relação ao aborto — o advogado-geral da União é evangélico da Igreja Batista Cristã e afirmou ser contra o aborto logo na primeira resposta. Ele ponderou, no entanto, que cada história de interrupção de gravidez envolve mulheres, adolescentes e são “tragédias pessoais”. Também foi questionado sobre o tamanho das penas aos réus dos atos de 8 de janeiro de 2023 e de eventuais excessos ou interferências do STF no processo de elaboração de leis.

— Quero deixar completamente claro esse tema para toda a nação brasileira: sou totalmente contra o aborto, absolutamente. Da minha parte não haverá qualquer tipo de ação, de ativismo em relação ao tema aborto na minha jurisdição constitucional — defendeu.

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Questionado pelo senador Flávio Bolsonaro por que não teria pedido o bloqueio de bens de algumas entidades que seriam investigadas no caso da fraude do INSS, Messias assegurou que pediu, sim, o bloqueio de bens para garantir recursos para reembolso de aposentados que tiveram valores descontados.

No decorrer da sabatina, Messias respondeu também a perguntas sobre os condenados do 8 de janeiro, definindo o evento como “um dos episódios mais tristes da história”. Em resposta ao senador catarinense Esperidião Amin, Messias evitou comentar casos específicos, como o de um empresário de SC condenado por ter ajudado a pagar o fretamento de um ônibus que levou manifestantes de Blumenau a Brasília na data dos atos na capital federal.

A sabatina teve ainda espaço para uma alfinetada da senadora e ex-presidenciável Soraya Thronicke (PSB-MS), que ironizou a coincidência do nome dele e do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que o nome indicado para Lula ao STF “não é um falso Messias”.

Quem é Jorge Messias

Jorge Rodrigo Araújo Messias tem 45 anos, é graduado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e doutor em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela Universidade de Brasília (UnB). Entrou no serviço público como procurador da Fazenda Nacional, em 2007.

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Messias ficou conhecido do grande público após ser citado pela então presidente Dilma Rousseff (PT) em um grampo telefônico em que a petista prometia entregar um termo de posse de Lula como ministro da Casa Civil, em 2016. O gesto foi criticado por ser visto como manobra para evitar possível prisão de Lula em caso de decisão de Sérgio Moro.

Lula acabou não tomando posse, e foi preso dois anos e meio mais tarde. Na gravação do telefonema divulgada por Moro, Dilma pareceu se referir ao então subchefe para Assuntos Jurídicos (SAJ) da Presidência da República como “Bessias”, apelido que marcou a entrada dele no noticiário político.

Além do cargo ocupado no governo de Dilma, Messias também ocupou cargos em órgãos como Banco Central e Ministério da Ciência e Tecnologia.

Veja fotos de Jorge Messias

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