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Pandemia

SC cai 6 posições entre os Estados que mais vacinaram contra covid-19

Depois de já ter sido o 4º a imunizar com duas doses maior parcela da população, Estado recuou para 10º porque houve queda no ritmo de vacinação em maio

21/05/2021 - 20h29 - Atualizada em: 22/05/2021 - 18h12

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Cristian Edel
Por Cristian Edel Weiss
Mayara
Por Mayara Vieira
Vacinação em Blumenau
Vacinação em Blumenau
(Foto: )

Santa Catarina é o 10º Estado que mais vacinou a população contra a covid-19, considerando as duas doses. Já foi o 4º com melhor cobertura na vacinação, mas caiu seis posições ao longo deste mês, devido à redução no ritmo de aplicações diárias. Desde a sexta-feira da semana passada, a média diária de doses aplicadas pelas prefeituras tem sido a menor dos últimos dois meses. Se o Estado se mantiver assim, conforme estimativa do Monitor da Vacina, do NSC Total, a vacinação de toda a população se estenderia até setembro de 2022, 8 meses a mais do que se estimava em abril.

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Segundo o balanço mais recente, divulgado na noite desta sexta-feira, 21, pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) de Santa Catarina, foram aplicadas 2.176.547 doses de vacina contra a covid-19, das quais 1.466.950 são referentes às primeiras doses e 709.597, às segundas. Para se proteger contra as formas mais graves da covid-19, é necessário tomar duas doses e aguardar, pelo menos, 28 dias.

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Com quatro meses de vacinação, nem mesmo os primeiros grupos prioritários atendidos pela campanha foram totalmente alcançados com as duas doses no Estado. Entre os profissionais da saúde, 71% receberam as duas doses até esta sexta-feira; entre os índigenas foram 77,96%. Entre idosos de 80 a 89 anos, 60% dos que tomaram a primeira dose receberam a segunda. 

O superintendente de Vigilância em Saúde de SC, Eduardo Macário, explica que uma das razões para a redução no ritmo foi a necessidade de preservar parte das vacinas recebidas para aplicação da segunda dose nos pacientes que já receberam a primeira, devido à falta de confirmação de novas remessas pelo Ministério da Saúde, causada por atraso na entrega dos insumos aos institutos Butantan e Fiocruz.

Abril foi o mês em que mais doses de vacinas contra o coronavírus chegaram a SC. Foram 1.031.200. Foi também o mês em que mais se vacinou. A média móvel de aplicação de doses por dia chegou a 40.260 (confira no gráfico abaixo a evolução do ritmo). Maio ainda nem terminou, e o Estado já recebeu quase a mesma quantidade de doses: 952.760. Mas o ritmo da vacinação, ao contrário, despencou.

Conforme estimativa do Monitor da Vacina, a média de doses aplicadas nos últimos 7 dias é de 24.493 diariamente. Assim, a campanha deve se estender até outubro deste ano para vacinar com duas doses todos os 2,9 milhões de integrantes dos grupos prioritários. E prosseguiria até setembro de 2022 para imunizar toda a população. Ainda assim houve uma melhora no ritmo, porque entre sexta da semana passada e esta quarta-feira o ritmo médio era de 20 mil doses diárias.

Evolução das doses aplicadas por balanço estadual

Redução impactou principalmente a aplicação da segunda dose aos parcialmente vacinados

Enquanto em abril, houve recordes na aplicação da segunda dose da vacina, em maio os municípios têm aplicado muito mais a primeira dose em novos grupos prioritários que começaram a ser convocadas às salas de vacinação.

Segundo o superintendente de Vigilância em Saúde de SC, Eduardo Macário, a tendência é aumentar a aplicação da dose 2 na próxima semana. Isso porque as pessoas que receberam a vacina do consórcio AstraZeneca/FioCruz só terão a segunda aplicação agora. 

Em 24 de fevereiro chegaram 59.500 doses do consórcio. Quem toma essa vacina precisa esperar 12 semanas (3 meses) para receber a segunda aplicação, prazo que será completado a partir da próxima segunda-feira. 

Já no caso da Coronavac/Butantan o intervalo entre as duas doses é de 28 dias. Até o final de junho, 500 mil pessoas já vacinadas com a primeira dose receberão a dose 2, segundo Macário.

Estamos esperando completar as 12 semanas. As pessoas que receberam a primeira dose há 12 semanas elas estão sendo vacinadas agora. Algumas estão com 10, 9 semanas. E como não temos garantia até o fim de junho de receber novas doses, precisamos garantir que as pessoas, assim que completem 12 semanas, exatamente na data, recebam a segunda dose da vacina da AstraZeneca. Eduardo Macário, superintendente de Vigilância em Saúde de SC

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Macário explica que por causa desse impasse no envio de mais imunizantes por parte do Ministério da Saúde, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de SC reteve temporariamente a distribuição de uma parte das novas vacinas aos municípios para aplicação da primeira dose. Segundo ele, a medida de precaução é necessária para reservar doses a quem precisa receber a segunda aplicação, enquanto a Fiocruz e o Instituto Butantan solucionam o problema relacionado ao envio de matérias-primas.

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Doses da vacina Coronavac são embaladas por funcionário do Instituto Butantan
Doses da vacina Coronavac são embaladas por funcionário do Instituto Butantan
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Por falta de matéria-prima, a fabricação da Coronavac foi interrompida no final do mês passado. Os insumos chegam na terça-feira que vem, mas é preciso de 15 a 20 dias para ficarem prontas. 

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A FioCruz ainda tem doses da vacina Oxford/AstraZeneca para entregar ao Ministério da Saúde, mas a produção de novas parou nesta quinta-feira. Esse imunizante leva cerca de um mês para ser produzido.

Já o imunizante da Pfizer tem vindo em menor quantidade e é entregue apenas para 11 cidades de Santa Catarina.

Veja dados da vacinação no Monitor da Vacina
Dados de doses aplicadas por cidade, doses enviadas,
calendário da vacinação e comparação com outros Estados.
Atualizado às segundas, às quartas e às sextas

Especialistas alertam que desaceleração da vacinação ocorre em momento crítico da pandemia

A desaceleração na fabricação de vacinas acontece num momento considerado perigoso por especialistas e pelo próprio secretário estadual de saúde, André Motta Ribeiro, que já admitiu o risco de uma nova onda da doença.

Conforme Fabricio Menegon, professor do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina, o Estado vive uma posição vulnerável, porque está diante de um quadro de casos ativos de covid-19 em patamares altos e superlotação de leitos de UTI.

A vacinação é o caminho, é a única medida farmacológica efetiva para combater a Covid-19. Precisa entender a prioridade do processo e fazer com que as vacinas cheguem o mais rápido possível, porque nossa única luz no fim do túnel dessa pandemia é a vacinação em massa da população. Fabricio Menegon, professor do Departamento de Saúde Pública da UFSC

Para o economista Lauro Mattei, coordenador do Núcleo de Estudos de Economia Catarinense, da UFSC, Santa Catarina teria condições de aplicar uma média de 50 mil doses diárias pela capacidade das salas de vacinação nos municípios. Mas ao aplicar na casa de 20 mil o Estado tende a postergar muito o fim da campanha. E, com isso, ressalta, também serão estendidos os efeitos econômicos e sociais da pandemia:

– Nós não temos muita alternativa. Só temos uma: é a vacincação.

Veja mais dados sobre a vacinação por cidade no Monitor da Vacina.

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