Leonardo Schwambach tinha pouco mais de um ano de idade quando morreu vítima da Covid-19 em março deste ano em Chapecó, no Oeste catarinense. Ele faz parte de uma triste estatística: a de bebês mortos pela doença em Santa Catarina. Só o Estado concentra 44% das vítimas com até 2 anos no Sul do país.

Continua depois da publicidade

> Receba as principais notícias de Santa Catarina pelo Whatsapp

> Covid hoje: veja mapas e dados de mortes por Covid-19 e da vacina em SC

Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil, 1.097 crianças de até 11 anos morreram vítimas da Covid-19 desde o início da pandemia. Se o recorte levar em consideração apenas a região Sul, o número cai para 68, sendo que 29 das vítimas estão em Santa Catarina.

Mas outro número deixa essa estatística ainda mais assustadora: o Estado catarinense concentra quatro a cada 10 mortes de bebês com até 2 anos de idade entre os três Estados do Sul. São 13 vítimas, quase o dobro que o registrado no Paraná (7) e quatro a mais que no Rio Grande do Sul (9).

Continua depois da publicidade

Leonardo foi uma das crianças vítimas da Covid-19 em SC
Leonardo foi uma das crianças vítimas da Covid-19 em SC (Foto: Redes sociais)

Outro número também assusta: se levar em conta apenas a morte de crianças com menos de um ano de idade, o número de vítimas em Santa Catarina é 133,33% a mais que no Paraná e no Rio Grande do Sul juntos. Ao todo, o Estado teve 7 mortos, enquanto os demais tiveram uma e duas mortes, respectivamente.

2021: o ano ‘fatal’ para as crianças

Além da idade, outro dado que chama atenção é o número de mortes de crianças registrados no Estado em 2021, ano em que a pandemia ‘explodiu’. Até o mês de junho, já são 16 vítimas, mais que o dobro que o registrado em 2020, quando sete crianças catarinenses morreram.

Se comparar a situação com os estados vizinhos, também houve um crescimento em 2021, apesar de ser um pouco menor que o registrado em Santa Catarina. No Paraná, até junho, foram 12 mortes, três a mais que no ano passado – 9; já no Rio Grande do Sul, são 10 vítimas, também três a mais do que em 2020, quando foram 7.

Por fim, ao comparar os números, Santa Catarina lidera em outro quesito. Diferente dos estados vizinhos, quase metade das vítimas não tinha comorbidades: 14 contra 15 que tinham algum fator de risco. No Paraná, é 6 contra 15, e no Rio Grande do Sul, 5 contra 13.

Continua depois da publicidade

Motivo das mortes ainda precisa ser analisado, diz especialista 

Para o pediatra e professor de microbiologia do curso de medicina da Univille, Tarcísio Crocomo, ainda é preciso entender o contexto em que as mortes ocorreram. Além disso, ele explica que também não há estudos que indicam se o número pode estar relacionado com alguma variante.

— O que se sabe até então é que as crianças mais acometidas são aquelas que já tinham algum tipo de comorbidade ou doença base, como as neuropáticas. Já entre os recém-nascidos, como ainda não têm as defesas formadas, eles ficam mais suscetíveis a infecção — pontua.

Crocomo lembra que, apesar das mortes, é preciso salientar que na maioria das crianças os casos de Covid-19 se manifestam com sintomas leves ou até mesmo de forma assintomática. Outro ponto que ele salienta é que os casos graves também podem estar ligados à Síndrome Multissistêmica, uma doença que ocorre devido à infecção pelo vírus e que está relacionada às crianças.

— Tem uma situação que se chama de síndrome multissistêmica, que ocorre no decorrer da doença ou que pode ser um pouco mais tardio, acometendo vários órgãos do sistema do corpo humano — explica. 

Continua depois da publicidade

O principal sintoma da síndrome é a febre alta, que dura por mais de 72 horas e que, depois, vem acompanhada de vermelhidão pelo corpo, conjuntivite, inchaço das mãos e dos pés e ínguas. Para o tratamento, é necessário que a criança seja internada e, se não for descoberta cedo, pode evoluir para um caso grave, com risco de morte.

E a vacinação das crianças?

Ainda não há nenhuma vacina contra a Covid-19 que seja segura para as crianças. Mas, o médico não descarta a possibilidade de um imunizante para essa faixa etária no futuro. Enquanto isso, é preciso tomar outras medidas para garantir a segurança do grupo.

— A gente sabe que se controlarmos o vírus, também evitamos o contágio das crianças. Ou seja, com 70% da população vacinada e com as medidas de controle, também conseguimos protege-las — pontua.

O NSC Total entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde para saber se há algum acompanhamento em relação a morte das crianças, mas não teve retorno até a publicação da reportagem. 

Continua depois da publicidade

Leia também: 

“A terceira onda iniciou”, diz secretário de saúde sobre pandemia em SC

SC vai receber 265 mil vacinas contra Covid de três tipos; doses da Janssen estão na lista

Joinville pede inclusão de mais duas categorias profissionais em vacinação prioritária contra Covid

Professor de Abelardo Luz morre por Covid-19 e município suspende aulas