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    SC tem oito mortes de indígenas por coronavírus entre 20 casos identificados pelo Estado

    Letalidade entre os indígenas é a maior entre os grupos étnicos apontados na base de dados do governo, que tem cerca de 5% dos casos com o campo "raça" informado

    26/08/2020 - 12h13 - Atualizada em: 26/08/2020 - 12h27

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    Por Jean Laurindo
    Aldeia Guarani em Biguaçu, cidade que já registrou morte de indígena segundo o governo de SC
    Aldeia Guarani em Biguaçu, cidade que já registrou morte de indígena segundo o governo de SC
    (Foto: )

    Santa Catarina tem 20 pacientes com o novo coronavírus identificados como indígenas na base de dados do governo do Estado. Desse número, oito morreram por conta da covid-19. A proporção representa uma taxa de letalidade de 40%, a maior entre os indivíduos que tiveram o campo “raça” informado nos registros de casos do Estado.

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    As mortes dos indígenas ocorreram entre 12 de junho e 20 de agosto e envolvem pacientes de Ipuaçu, Campos Novos, José Boiteux, Major Gercino, Entre Rios e Biguaçu. Dessas sete cidades, pelo menos seis possuem territórios indígenas.

    Entre os classificados como indígenas na relação de casos do Estado, há ainda outros 10 casos já considerados curados e dois ainda em tratamento.

    No total, cerca de 5% de todos os pacientes diagnosticados com o novo coronavírus no Estado têm o campo "raça" preenchido.

    Apesar dos números revelados pela base do Estado, o número de contaminações por covid-19 nos povos indígenas é bastante superior, segundo lideranças indígenas. No início do mês reportagem do Diário Catarinense mostrou que SC já tinha mais de 600 indígenas contaminados pelo novo coronavírus, de acordo com o Conselho Estadual dos Povos Indígenas de SC (CEPIn/SC). Já o número de oito óbitos é confirmado pelo painel da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que acompanha de perto a situação da pandemia nos povos indígenas do país.

    A situação levou lideranças a elaborarem um plano regional de combate à pandemia entre povos indígenas da Região Sul.

    Avanço de casos em territórios indígenas pede reforço na testagem

    Em Santa Catarina, a contaminação de covid-19 em territórios indígenas se iniciou em comunidades do Oeste, como a Condá, primeira a registrar caso da doença, e mais recentemente avançou para povos como os Laklaño Xokleng, no Alto Vale do Itajaí, e Guarani, na Grande Florianópolis.

    A antropóloga e professora Kaingang Joziléia Daniza Jagso Inácio Shild explica que, com o avanço de casos confirmados, o desafio passa a ser a testagem e o isolamento dos pacientes positivos, que ate por questões culturais costumam conviver de forma próxima com familiares de todas as idades nas residências e comunidades.

    No Oeste e Alto Vale, as comunidades já organizam espaços em escolas para isolar pacientes positivos e tentar evitar o avanço do novo coronavírus nas comunidades. Na comunidade Guarani, que em alguns casos sequer possui unidade de saúde próxima, há mais dificuldade para encontrar esses espaços, o que gera maior preocupação sobre o avanço da covid-19 nessas comunidades da Grande Florianópolis.

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    Para promover esse isolamento, no entanto, a testagem em maior escala é uma reivindicação dos povos para identificar os casos e poder isolá-los antes de uma contaminação maior nas comunidades.

    – Os territórios indígenas foram invisibilizados no início da pandemia. Agora, a gente vê que os Estados estão em processo de retorno, mas nos territórios indígenas estamos vendo avanço e aumento de casos. Nesse momento de retorno das atividades, não podemos cometer o mesmo erro de não cobrar o Estado para que dê um olhar mais aprimorado para os indígenas onde há grande avanço da covid-19 – alerta a professora Jozileia.

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