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Mistério das sementes

Sementes da China podem ser parte de fraude em comércio virtual; entenda

Principal suspeita é que seja uma tática de "brushing", apontam autoridades

01/10/2020 - 16h35 - Atualizada em: 05/10/2020 - 12h58

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Cláudia
Por Cláudia Morriesen
foto mostra as sementes que chegaram para o jaraguaense Gabriel Zapella
As sementes estão sendo estudadas pelo Ministério da Agricultura no Brasil
(Foto: )

Desde que pacotes com sementes começaram a chegar em casas de pessoas que não tinham feito nenhuma encomenda do tipo, com embalagens vindas da China, muitas teorias já foram criadas para explicar as entregas "misteriosas". A principal, que é trabalhada pelas autoridades dos países até agora, é que trata-se de "brushing", uma técnica fraudulenta de marketing no comércio virtual.

> Morador de Jaraguá do Sul foi o primeiro a receber as sementes em SC

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As sementes "da China" foram notificadas pela primeira vez no Brasil no início de setembro, quando um morador de Jaraguá do Sul avisou sobre o recebimento ao Ministério da Agricultura. Agora, oito estados brasileiros já reportaram que seus moradores encontraram pacotes com sementes. 

O que já se sabe sobre as sementes "da China" que estão chegando nas casas em SC

Governos de outros países também anunciaram que estão analisando os produtos — segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, nada anormal, como bioterrorismo, por exemplo, foi encontrado nas sementes recebidas pelos americanos. Mesmo assim, em todos os países, a orientação é que as sementes não sejam plantadas porque podem não ser adaptáveis ao habitat local.

Foi o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos que anunciou pela primeira vez a suspeita de que trata-se de "brushing". Essa técnica consiste no envio de mercadorias não solicitadas com o objetivo de registrar compras falsas. 

O colunista Altieres Rohr, que assina um blog de tecnologia no G1, salientou que essa prática ocorre, principalmente, em sites que operam no modelo de "marketplace", em que um único site de compras oferece produtos de muitas lojas diferentes.

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Os golpistas, explica Altieres, fazem cadastro e compram em lojas on-line como se fossem clientes, usando endereços reais de vários países que são roubados de bancos de dados. Quando são notificados na conta falsa que a encomenda foi entregue, fazem uma avaliação positiva para a própria loja. Com isso, aumentam a reputação dos vendedores do site, o que aumenta as vendas, impactando na posição dos seus produtos dentro dos marketplaces.

Isso ocorre porque estes sites do tipo "marketplace" obrigam os vendedores a registrar um código de rastreamento em cada pedido para que possam fazer a avaliação e, por isso, os golpistas são obrigados a enviar algum produto. As sementes foram escolhidas porque são leves e deixam o envio do pacote barato 

Segundo Altieres explica em seu blog, os endereços usados no "brushing" são normalmente conseguidos pelos golpistas de dados vazados de lojas ou de outros pedidos realizados pelo consumidor.

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