Faltando menos de uma semana para o início da Copa do Mundo de 2026, uma catarinense tem chamado atenção nas redes sociais ao explicar futebol para quem normalmente não acompanha o esporte. Somente no mês passado, a jogadora de futebol e criadora de conteúdo Adélia Bristot, de 27 anos, moradora de Criciúma, acumulou cerca de 15 milhões de visualizações no TikTok ao comentar a Copa de forma direta, didática e sem evitar temas polêmicos.

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A melhor fase da criadora de conteúdo começou em meados de maio, quando ela passou a produzir vídeos voltados ao Mundial. Desde então, o perfil foi de 210 mil para 236 mil seguidores no TikTok, enquanto o Instagram dobrou de tamanho, passando de pouco mais de 3 mil para cerca de 6 mil seguidores.

— Eu tô bem surpresa, porque muita gente veio com uma perspectiva diferente. Por muito tempo eu não quis ir muito para o lado do futebol em si, porque eu pensava: “já tem muito canal, já tem muita coisa”. Aí vim com essa abordagem e vi que o pessoal começou a gostar bastante de entender do zero e conhecer histórias também que essa geração não conhece — conta.

Da atleta universitária aos vídeos virais

Adélia começou a produzir conteúdo em 2021, quando conquistou uma bolsa para estudar e jogar futebol na Graceland University, em Iowa, nos Estados Unidos. Na época, os vídeos mostravam principalmente a rotina de atleta universitária e a experiência de viver fora do Brasil.

Formada em 2023, voltou ao país para defender o Criciúma por uma temporada e, em 2025, teve uma passagem pelo futebol da Croácia. O interesse em criar conteúdos esportivos ganhou força durante as Olimpíadas de Paris, em 2024, mas foi às vésperas da Copa do Mundo que ela encontrou o formato que a levou a um público muito maior.

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Nas últimas semanas, a criadora viu seus vídeos “furarem a bolha”. O conteúdo mais assistido da nova fase, sobre a convocação da seleção da França para o Mundial, acumula cerca de 2,8 milhões de visualizações. Outro, em que critica a postura de Neymar como jogador, já ultrapassou 1,2 milhão de visualizações.

@adeliabristot Replying to @feartes.oficial aproveitando a convocação de hoje pra responder genuinamente essa pergunta genuína 🙏🏻 #2026convocados #ligadosconvocados #copadomundo #neymar #brasil🇧🇷 ♬ original sound – adeliabristot

Um público que não acompanha futebol

Boa parte do público que passou a acompanhar Adélia não é formada por torcedores tradicionais. Entre os seguidores estão mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, grupos que historicamente tiveram menos espaço nos debates esportivos. Segundo ela, muitos relatam nos comentários que nunca acompanharam futebol, mas passaram a se interessar pelo esporte após assistir aos vídeos.

— Eu acabei pegando uma fatia de público que nem sempre acompanha o futebol, mas que acaba se interessando pela Copa — explica.

A criadora atribui esse resultado à forma como aborda os temas, explicando conceitos básicos, personagens, rivalidades, regras e contextos para quem está chegando agora ao esporte. Em um quadro, por exemplo, ela conta histórias antigas da Copa do Mundo — como a trajetória de Leônidas da Silva no Mundial de 1938 e o corte de cabelo de Ronaldo Fenômeno, em 2002.

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— Eu vejo que algumas outras figuras, às vezes, dentro do futebol, focam nesse público. Mas às vezes não tem a paciência de explicar algumas coisas e também, muitas vezes, fogem de alguns posicionamentos. Isso foi uma coisa que eu nunca deixei de fazer.

“O fato de ser mulher incomoda”

O crescimento acelerado trouxe visibilidade, mas também reações negativas. Segundo Adélia, parte das críticas não está relacionada ao conteúdo que produz, mas ao fato de ocupar um espaço ainda predominantemente masculino no debate esportivo.

Para lidar com as mensagens ofensivas, ela filtra palavras preconceituosas e bloqueia usuários que fazem ataques de forma recorrente.

Eles tentam sempre falar assim: “Ah, vai lavar uma louça”. Eu tento ir filtrando para evitar que nem chegue até o meu perfil, mas ainda assim acaba chegando algumas vezes. Então, mesmo que tu se dedique em fazer um trabalho embasado, ter uma opinião embasada, ainda assim, o fato de ser mulher incomoda.

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Além do TikTok, Adélia trabalha com produção de conteúdo para clientes em Criciúma. Segundo ela, a monetização das redes sociais funciona como uma renda complementar. Com os 15 milhões de visualizações registrados no último mês, ela estima receber entre R$ 5 mil e R$ 6 mil da plataforma.

Depois da Copa, a intenção é continuar produzindo conteúdo sobre grandes eventos esportivos, repetindo uma fórmula que, segundo ela, já havia funcionado durante as Olimpíadas e agora alcançou um público ainda maior.

— Como já tinha dado certo nas Olimpíadas, eu acho que talvez seja esse o caminho. Focar nesses eventos esportivos mais globais, porque o público que eu já tinha acabou se encaixando muito também, por trazer um lado mais cultural para além do próprio esporte. Acho que talvez seja esse o caminho.