Os servidores envolvidos no erro que levou à troca de corpos no Instituto Médico Legal (IML) de Florianópolis foram afastados de suas funções por 60 dias. A Polícia Científica de Santa Catarina afirmou que o caso, exibido pela reportagem da NSC. está sendo investigado por meio de um procedimento administrativo instaurado há exatamente um mês.
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No início de abril, três homens tiveram os corpos trocados. Juliano Henrique Guadagnin, de 24 anos, morreu em um acidente de moto no dia 9 de abril. No mesmo dia, outros dois homens, Denner Dario Colodina, de 29 anos, e Patrick Nunes Ferreira, de 33, foram encontrados mortos em São José, em casos investigados como homicídio. Os três corpos foram recolhidos pela mesma viatura e encaminhados ao Instituto Geral de Perícias (IGP) da capital.
Dois dos corpos foram liberados pelo Instituto Médico Legal (IML) já no dia seguinte, com direcionamento para as funerárias e, a partir disso, fossem feitas cerimônias de despedida. O corpo de Denner foi sepultado no Cemitério do Rio Vermelho no lugar do corpo de Juliano no mesmo dia. Já o corpo de Patrick foi sepultado no lugar de Denner, ambos em caixões fechados. O corpo de Juliano ficou retido no IML.
Em nota, a Polícia Científica afirmou que o caso segue sob apuração interna, conduzida pela Corregedoria da instituição. O objetivo da investigação é “apurar detalhadamente os fatos, identificar responsabilidades e adotar as medidas administrativas cabíveis”, conforme a nota.
O afastamento dos servidores envolvidos acontece como medida cautelar, para “garantir a adequada condução do processo administrativo e a preservação da apuração”.
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Troca envolveu os corpos de três pessoas
“Erro operacional”, diz Polícia Científica
Quando o caso veio à tona, na semana passada, a Polícia Científica afirmou que tratava-se de um erro operacional na unidade de Florianópolis durante a liberação dos corpos. O órgão também destacou que os protocolos e procedimentos de custódia foram revisados, além da identificação e liberação de corpos, para reforçar os controles e evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.
A instituição pediu desculpas às famílias, manifestou condolências e informou que o próprio sistema interno identificou a inconsistência.
O caso também será apurado pela 40ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, que instaurou um procedimento de ofício para apurar a situação
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Como o caso foi descoberto
Depois que os corpos foram sepultados, Mônica Raquel Guadagnin, mãe de Juliano, disse que recebeu uma ligação da funerária, sendo informada de que havia ocorrido “um problema com o IML”, e que ela precisava retornar à Central de Óbitos.
Antes disso, a família de Patrick foi até o IML para identificar o corpo. Para o advogado da funerária, a responsabilidade pela conferência e entrega correta dos corpos cabe aos servidores do IML, e não aos agentes funerários. Isso porque os plantonistas do IML afirmam, no Relatório de Plantão do IML, o qual a reportagem teve acesso, atribuem a responsabilidade ao agente funerário.
No documento, os funcionários dizem que, apesar de ter sido indicada a localização correta dos corpos, o profissional teria retirado equivocadamente o corpo de Patrick, acreditando se tratar de Juliano. Isso teria acontecido, segundo o documento, quando uma servidora do IML fazia o armazenamento de cartões de coleta de material genético e a higienização da sala de necropsia.
Proposta para “esconder o erro”
Uma funcionária que trabalha na funerária envolvida no erro denunciou, depois que o caso veio à tona, que servidores públicos do Instituto Geral de Perícias (IGP) teriam sugerido que os corpos permanecessem trocados, sem que as famílias fossem comunicadas, para evitar que o erro fosse descoberto.
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Aline Thaise Nunes Mikna afirmou que, quando foi até à Polícia Científica ao lado do gerente da outra funerária envolvida depois que viu que a documentação entregue para a funerária em que trabalha estavam corretos, mas os corpos das vítimas trocados.
— Foi sugerido a questão de fazer continuar da maneira que estava, esconder o erro. Que lacrasse a urna, entregasse pro velório normalmente para a família e, depois, posteriormente fizesse o sepultamento. Assim nenhum dos três casos seriam descobertos, o erro não seria descoberto. Então a gente se recusou a fazer isso — revelou a funcionária.
Na semana passada, a Polícia Científica negou que a proposta tenha sido feita. Não foi informado, no entanto, se os funcionários afastados são os mesmo que estariam envolvidos na denúncia da funcionária.
Veja a nota da Polícia Científica sobre o afastamento dos funcionários
“A Polícia Científica de Santa Catarina reitera que o caso envolvendo a troca de corpos na unidade de Florianópolis segue sob apuração interna, conduzida pela Corregedoria da instituição, com total transparência e responsabilidade institucional. O procedimento administrativo foi instaurado no dia 11 de abril de 2026 e tramita conforme os dispositivos previstos na Lei Estadual nº 491, com o objetivo de apurar detalhadamente os fatos, identificar responsabilidades e adotar as medidas administrativas cabíveis. Como medida cautelar, os servidores diretamente envolvidos foram afastados de suas funções pelo período de 60 dias, visando garantir a adequada condução do processo administrativo e a preservação da apuração.“
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