Os recentes casos de homicídios em bairros tradicionais da região do Norte da Ilha, em Florianópolis, vêm chamando a atenção para a onda de crimes nesses locais, principalmente para a forma violenta que as ocorrências são registradas. Neste mês, dois casos ganharam grande repercussão tanto em Santa Catarina, quanto nacionalmente: o da corretora gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas e o de Alberto Pereira de Araújo, ambos encontrados esquartejados em locais muito próximos.

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Agora, a Polícia Civil busca entender uma possível relação entre os casos. Já que a semelhança entre os crimes chamou a atenção dos investigadores, especialmente quanto à forma de execução, ao modo de abandono dos corpos e à proximidade do local onde o corpo desconhecido foi deixado.

Como foi o caso do corpo esquartejado encontrado na mala

O corpo de Alberto foi encontrado em uma mala na Praia do Santinho, em Florianópolis, no dia 28 de dezembro de 2025. Banhistas que passavam pelo local perceberam uma mala com cheiro forte, e acionaram os guarda-vidas. Dentro da mala, foram encontrados sacos com um corpo em decomposição.

O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) foi acionado por volta das 17h daquele dia para checar um possível corpo no início da trilha de acesso ao Costão. A mala estaria presa entre as pedras na orla da praia. Ao abrir a bagagem, as equipes se depararam com sacos com um corpo em estado avançado de decomposição.

Como não era possível identificar o rapaz, a polícia iniciou uma mobilização para tentar encontrar pessoas próximas ao homem, com exames periciais. Também foi feita uma descrição de como eram as tatuagens de Alberto, para que a população pudesse auxiliar na identificação.

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Na semana passada, o corpo do homem foi identificado, após policiais terem obtido informações com moradores antigos da pousada onde ele morava, nos Ingleses. Foi então que se descobriu que ele não tinha contato próximo com a família e, por isso, o desaparecimento dele não havia sido comunicado às autoridades de Laranjal Paulista, onde a família mora.

Com a identificação, a polícia descobriu que Alberto era colega de Matheus Vinícius Silveira Leite, de 27 anos, um dos suspeitos pela morte da morte da corretora gaúcha Luciani. Logo, se soube que Alberto, Matheus e Luciani eram vizinhos, todos moradores da pousada nos Ingleses. No entanto, a investigação quer entender o grau de proximidade entre Alberto e Matheus, também naturais da mesma cidade em São Paulo.

Como foi o caso da corretora gaúcha Luciani

Luciani era corretora de imóveis e foi vista pela última vez na Praia dos Ingleses, no Norte da capital catarinense, em 4 de março. Ela morava em Florianópolis. Os familiares perceberam que havia algo estranho com Luciani no dia 6 de março, quando ela não entrou em contato com a mãe para desejar feliz aniversário.

boletim de ocorrência foi registrado apenas na segunda-feira (9), após a família desconfiar de erros gramaticais em mensagens enviadas pelo celular da corretora. Em uma delas, o contato da corretora disse que estava bem, mas que estaria sendo perseguida por um ex-namorado.

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Dias depois, em 11 de março, um corpo esquartejado foi encontrado em Major Gercino, na Grande Florianópolis. Dois dias depois, exames de DNA confirmaram que o cadáver era de Luciani.

Segundo a Polícia Civil, que investiga o caso, Luciani teria sido morta entre os dias 4 e 5 de março. O corpo permaneceu até a madrugada do dia 7 no apartamento dela, quando foi retirado e levado para uma área rural e jogado em um rio, dividido em cinco partes.

A dona da pousada onde Luciani, Alberto e Matheus moravam foi presa no dia 12 de março pelo crime de receptação após ser localizada com pertences da vítima. Segundo a polícia, diversas compras estavam sendo feitas no CPF de Luciani desde 6 de março. Matheus e a companheira deles foram presos quando tentavam fugir para o Rio Grande do Sul, suspeitos de envolvimento no crime. O caso é investigado como latrocínio, com roubo seguido de morte.

Quem era Luciani

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Dois bairros do Norte estavam entre os mais perigosos em 2025

Em 2025, a Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina (SSP-SC) fez um levantamento, com dados solicitados pena CBN Floripa, que mostrou que os bairros Ingleses do Rio Vermelho e Canasvieiras estavam entre os mais perigosos da cidade entre janeiro e julho daquele ano.

Ingleses havia tido 698 ocorrências de furto, roubo, lesão corporal e tráfico de drogas naquele período, se consolidando em segundo lugar na lista, enquanto Canasvieiras vinha em seguida, com 597 ocorrências. O bairro que ficou no topo do ranking foi o Centro, com 4.031 casos.

Confira a lista completa

  1. Centro – 4.031
  2. Ingleses do Rio Vermelho – 698
  3. Canasvieiras – 597
  4. Capoeiras – 422
  5. Trindade – 392
  6. Campeche – 354
  7. São João do Rio Vermelho – 352
  8. Estreito – 347
  9. Agronômica – 257
  10. Jardim Atlântico – 242