Matheus Vinícius Silveira Leite, de 27 anos, é um dos suspeitos pela morte da morte da corretora gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, no início de março, em Florianópolis. Preso desde o dia 13, enquanto tentava fugir com a companheira para o Rio Grande do Sul, Matheus tem um histórico com o movimento “redpill”, que prega o ódio contra as mulheres. É o que mostra um perfil de Matheus em uma rede social, onde o investigado se intitulava como um “alfa”, termo frequentemente utilizado no movimento.

Continua depois da publicidade

O perfil foi atualizado pela última vez em 2021, três meses antes de um latrocínio em Laranjal Paulista, no interior de São Paulo, o qual Matheus é o principal suspeito e estava foragido até ser preso preventivamente pela morte de Luciani. À época, ele foi acusado de matar a tiros o dono de uma padaria, um homem de 65 anos, baleado na cabeça enquanto abria o estabelecimento.

Depois do crime, ele fugiu usando um transporte e adotou o nome falso “John Ricce”. Atualmente, ele morava em Florianópolis na mesma pousada que Luciani e Alberto, um jovem de 29 anos que teve o corpo encontrado dentro de uma mala na Praia do Santinho em dezembro de 2025. A polícia investiga se os casos estão relacionados.

“Filosofia MGTOW”

Matheus publicava diversos vídeos em que se dizia adepto à “filosofia MGTOW (Men Going Their Own Way)” ou, em tradução livre, “Homens Seguindo Seu Próprio Caminho”. Ele confirma, em comentários e em vídeos, que se considerava um “redpill” e se autointitulava como “homem de valor”.

O investigado também fazia transmissões ao vivo com outros criadores de conteúdo da comunidade “redpill” sobre assuntos relacionados à comunidade e ao “desenvolvimento masculino”. Matheus também dava “dicas” para outros homens, apontando defeitos em mulheres e criticando, também, humoristas mulheres.

Continua depois da publicidade

“Em um mundo cada vez mais caótico e apocalíptico que vivemos saber identificar uma red flag demonstra discernimento e maturidade em um homem, levando a evitar futuros transtornos em sua vida através do filtro da Red Pill”, escreveu ele em uma publicação.

Perfil já está nas mãos da polícia

Ao NSC Total, a Polícia Civil informou que já tem conhecimento do perfil que “aparentemente é” de Matheus, e que está verificando o caso.

No entanto, a polícia destacou que com o andamento da investigação, a morte de Luciani “não parece até o momento” ter sido um crime de ódio.

Veja fotos de Luciani

Continua depois da publicidade

Relembre o caso Luciani

Luciani era corretora de imóveis e foi vista pela última vez na Praia dos Ingleses, no Norte da capital catarinense, em 4 de março. Ela morava em Florianópolis. Os familiares perceberam que havia algo estranho com Luciani no dia 6 de março, quando ela não entrou em contato com a mãe para desejar feliz aniversário.

boletim de ocorrência foi registrado apenas na segunda-feira (9), após a família desconfiar de erros gramaticais em mensagens enviadas pelo celular da corretora. Em uma delas, o contato da corretora disse que estava bem, mas que estaria sendo perseguida por um ex-namorado.

Dias depois, em 11 de março, um corpo esquartejado foi encontrado em Major Gercino, na Grande Florianópolis. Dois dias depois, exames de DNA confirmaram que o cadáver era de Luciani.

Segundo a Polícia Civil, que investiga o caso, Luciani teria sido morta entre os dias 4 e 5 de março. O corpo permaneceu até a madrugada do dia 7 no apartamento dela, quando foi retirado e levado para uma área rural e jogado em um rio, dividido em cinco partes.

Continua depois da publicidade

A dona do residencial onde Luciani morava foi presa no dia 12 de março pelo crime de receptação após ser localizada com pertences da vítima. Segundo a polícia, diversas compras estavam sendo feitas no CPF de Luciani desde 6 de março. Um casal, que estava tentando fugir para o Rio Grande do Sul, e também é suspeito de envolvimento no crime, também foi preso. O caso é investigado como latrocínio, com roubo seguido de morte.