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Sete em cada dez restaurantes de SC estão endividados por conta da pandemia

Levantamento da Abrasel mostra que 30% dos estabelecimentos do setor fecharam desde março de 2020

09/08/2021 - 13h58

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Fernanda
Por Fernanda Mueller
Setor contava com aproximadamente 15 mil estabelecimentos em Santa Catarina antes da pandemia
Setor contava com aproximadamente 15 mil estabelecimentos em Santa Catarina antes da pandemia
(Foto: )

A pandemia obrigou muitos restaurantes já consagrados em Santa Catarina a fecharem as portas. E mesmo aqueles que conseguiram sobreviver à crise desde março de 2020, estão funcionando com dificuldades. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), sete em cada dez restaurantes estão endividados. 

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O setor contava com aproximadamente 15 mil estabelecimentos em Santa Catarina antes da pandemia e 100 mil empregos gerados diretamente. No entanto, enquetes feitas pela Abrasel mostram que 30% dos restaurantes foram fechados e no auge da pandemia, houveram 40% de demissões. 

O mais recente estabelecimento consagrado que fechou as portas em Florianópolis, foi o Habib´s, após mais de uma década operando com sucesso na Avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis. A famosa rede de comida árabe fast food entra para a lista que inclui, Maremonti, Sushimasa e Toca da Garoupa, restaurante tradicional no Centro da Capital. 

— Muitos restaurantes que fecharam aqui em Florianópolis já existiam há anos, tinham operações consagradas e, mesmo assim, não conseguiram sobreviver. Alguns, que estão endividados, infelizmente, não conseguirão equilibrar as dívidas e fecharão. Por isso, nós destacamos a importância de programas de apoio financeiro e redução de carga de impostos — explica o presidente da Abrasel, Raphael Dabdab. 

Para Ivoneti Ramos, Economista e Professora da Udesc Esag, a dificuldade em prever quanto tempo a pandemia iria durar dificultou o planejamento financeiro das empresa 

— Como não se sabia o tempo, a impressão é que dava é que a qualquer momento a crise na saúde iria passar. Então os empresários ficavam entre encerrar o negócio ou tentar mais um pouco. A consequência é que as empresas precisaram gerar dívidas para tentar se manter. Um balanço apontou que as dívidas das empresas do setor ultrapassam um ano de faturamento — destaca e economista. 

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Retomada do setor 

Dados da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina mostram, no entanto, que o saldo de empresas abertas no ramo de alojamento e alimentação foi positivo em Florianópolis desde março de 2020. Um total de 3,7 mil foram abertas e 1,38 mil fecharam as portas, totalizando em salto de 2,39 mil. 

O setor não inclui apenas dados de restaurantes, mas também estabelecimentos como bares, mercados, hotéis, etc. 

Saldo positivo e boas perspectivas, mesmo com fechamentos

Conforme o presidente da Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, Estanislau Bresolin, ao mesmo tempo em que muitos estabelecimento fecharam, outros estão abrindo neste ano, o que contribui para um saldo positivo no setor. 

— Tem surgido um número considerável de novas empresas no setor, com algumas propostas novas. Também estão ocorrendo vendas, ou seja, alguém que sai do setor , vendo o seu ponto, e outro abre um negócio no mesmo setor — explica.

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Ivoneti Ramos também lembra que com o avanço da vacinação, muitos profissionais saíram do home office, assim como escolas voltaram às aulas. Isso aumenta a procura por alimentação fora de casa. 

— De uma forma geral, houve uma variação positiva no PIB, em torno de 10% no segundo semestre de 2021, comparado ao mesmo período de 2020. Isso vai se espalhar por todos os setores. Ainda assim, mesmo que o ritmo da retomada acelere um pouco até o final do ano, não será no potencial máximo, por conta da inflação — explica.  

A economista explica que as taxas de juros estão com tendência para fechar o ano em 7%, o que encarece a produção. Assim como os altos custos de energia elétrica e combustíveis. Isso reflete no orçamento das empresas. Assim, dependendo do número de parcelas, as empresas endividadas podem levar de dois a três anos para sanar as dívidas.

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