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Agro de Valor

Preocupação com segurança leva avicultura catarinense a mercados mais exigentes 

Agroindústrias do Estado são pioneiras no conceito, tornando-se referência em sanidade animal 

13/07/2020 - 13h39 - Atualizada em: 28/07/2021 - 16h36

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Estúdio
Por Estúdio NSC
avicultura
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Santa Catarina é o segundo maior responsável pela exportação de carne de frango no país, representando 24,1% do total embarcado para o exterior no primeiro semestre de 2020, segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural. Além do grande volume de produção, a preocupação com a segurança, que torna o estado uma referência em sanidade animal, habilita o produto à exportação para os mais exigentes mercados, como Oriente Médio e Japão.

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Manter a exportação para esses mercados requer uma série de procedimentos técnicos focados na prevenção e controle de doenças, a chamada biosseguridade. Nesse sentido, alguns sistemas são utilizados como reforço para a manutenção das exportações, a exemplo da compartimentação na produção avícola, que delimita áreas para uma aplicação mais rigorosa de medidas sanitárias. A conceito prática ainda é nova no país, mas já tem apresentado bons resultados em Santa Catarina.

O modelo consiste na manutenção de subpopulações de aves de forma que não permita a interferência do ecossistema compartimento, mesmo em uma região com outros estabelecimentos. Nesses espaços devem haver garantias adicionais de sanidade e controle diferenciado, que minimizam o risco de introdução e disseminação de patologias, especialmente da Influenza Aviária e Doença de Newcastle.

Coordenador Estadual de Sanidade Avícola, o médico veterinário da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC), Anderson Bonamigo, destaca que o status sanitário desse sistema é mantido por meio da aplicação de medidas diferenciadas de vigilância, englobando todos os envolvidos no processo: unidades de produção e unidades funcionais associadas à mesma.

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— O objetivo dos compartimentos é fornecer proteína animal segura a mercados exigentes e assegurar a continuidade do comércio internacional de produtos avícolas nacionais, mesmo em momentos de possíveis emergências sanitárias no restante do plantel avícola brasileiro — destaca o coordenador.

O sistema é de adesão voluntária pelas empresas e permite somente a entrada de animais e matérias-primas vindos de unidades que estejam dentro da área de abrangência estabelecida. Nesses casos, são permitidas apenas a entrada de ovos, pintos, ração, maravalha e frangos envolvendo unidades que mantenham também medidas diferenciadas de biosseguridade, garantindo essa segurança em todas as etapas da produção.

Fiscalização

Para validar o sistema, os compartimentos passam por dois processos de fiscalização, acompanhados pela Cidasc. Uma delas é a vigilância epidemiológica semestral, com realização de análises laboratoriais em uma parcela das populações das granjas, para comprovação de que não há circulação de viral nos estabelecimentos pertencentes ao compartimento. Anualmente, também são realizadas, pela Cidasc, auditorias específicas do compartimento para comprovar que toda a estrutura está seguindo as regras estabelecidas.

— A Cidasc tem papel fundamental nesse processo, por meio da fiscalização das granjas para avaliar se os requisitos de biosseguridade foram sendo atendidos, para o registro e para as fiscalizações de manutenção, que garantem verificação contínua dos estabelecimentos — ressalta.

Santa Catarina possui o único compartido de produção de carne do país

Bonamigo destaca que a agroindústria catarinense sempre priorizou a adoção de medidas de biosseguridade nas granjas, o que fez com que Santa Catarina fosse um dos primeiros estados a alcançar os índices de cumprimento da legislação federal, contidas na Instrução Normativa - IN 56/2007.

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Um dos resultados desse pioneirismo é a única unidade do país com Certificado de Compartimento Avícola para produção de carnes, emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Localizada em Itapiranga, extremo-oeste do Estado, a unidade de produção de carne da Seara engloba um incubatório e uma fábrica de ração, com 20 núcleos de reprodução e 227 granjas de frango de corte.

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A certificação foi recebida em 2018, mais de uma década após a unidade iniciar o projeto-piloto do sistema, em uma iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OIE) e do MAPA, com apoio da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) e do governo de Santa Catarina.

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— Fomos pioneiros ao aderir à iniciativa proposta pela OIE e pelo MAPA há mais de dez anos. Esse reconhecimento comprova que fizemos investimentos importantes em nossos processos de qualidade, atendendo aos mais elevados níveis de exigência do mercado internacional e consolidando a marca como referência na indústria alimentícia — afirma Joanita Karoleski, presidente da Seara.

Desafios para manter o padrão sanitário

Bonamigo destaca que os principais desafios para o setor são manter o rigoroso controle estabelecido pela legislação federal e ser reconhecido internacionalmente para acessar e garantir mercados.

Outros fatores também influenciam na adoção do sistema, como questões de logística, necessidade de uma equipe gestora específica para o compartimento, cumprimento de critérios relacionados a produtos e vestimentas utilizados no local.

Para ele, a compartimentação também é um desafio para a própria Cidasc, que “precisa manter uma equipe vigilante, com treinamento específico para o compartimento e para a rápida resposta a eventos sanitários”, destaca.

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