Somente em 2026, o Porto de Itajaí apresenta um crescimento de 40% nas atividades operacionais e acumula um faturamento de R$ 200 milhões desde a federalização da gestão. O dado foi apresentado pela superintendência do terminal durante um painel que debateu sobre os portos de Santa Catarina, realizado nessa quarta-feira (14), em Balneário Camboriú.

Continua depois da publicidade

A operação do Porto de Itajaí está sob comando da JBS Terminals desde outubro de 2024. Desde o início das atividades, a empresa já investiu mais de R$ 220 milhões no complexo.

Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, o complexo se recupera de um período de baixa movimentação, e está colhendo bons resultados desde que o Governo Federal assumiu a gestão do terminal, em janeiro de 2025.

— Todos conhecem a fase delicada vivida pelo Porto de Itajaí nos últimos anos. Todos sabem que houve um mal-sucedido modelo de desestabilização do porto que acabou causando queda de cargas, diminuição de linhas, baixa nas atividades e impactos econômicos significativos — destaca.

Terminal já movimentou mais de 5 milhões de toneladas

De acordo com os dados apresentados durante o evento, somente nesse ano, o Porto de Itajaí movimentou 1,67 milhão de toneladas, o que representa um crescimento de quase 40% em relação ao mesmo período de 2025.

Continua depois da publicidade

Na movimentação de contêineres, o terminal alcançou 154 mil TEUs em 2026, avanço de 68% em comparação ao ano anterior. Considerando todo o complexo portuário, a movimentação já ultrapassa 5,7 milhões de toneladas e 577 mil TEUs em 2026. 

— Esses resultados apontam que a retomada do Porto de Itajaí deixou de ser uma expectativa e é hoje uma realidade — afirma o superintendente.

De modo geral, desde o início da federalização, o Porto de Itajaí acumula mais de R$ 227 milhões em faturamento, resultado que, segundo a administração, permite novos investimentos, modernização da infraestrutura e ampliação da capacidade operacional do complexo. 

Porto anuncia estudo para remoção de navio naufragado

Além de apresentar o balanço das operações durante a administração do Governo Federal no porto de Itajaí, o superintendente aproveitou a oportunidade no evento “Infraestrutura e Estratégia: O Papel dos Portos de SC no Cenário Global”, para anunciar a contratação de um estudo para viabilizar a remoção de um navio naufragado há 132 anos no canal de Itajaí.

Continua depois da publicidade

O superintendente deve assinar nos próximos dias, o contrato para a realização de um estudo técnico de remoção da embarcação Pallas. A retirada da estrutura deve melhorar as condições de navegabilidade do canal de acesso aos portos e preparar o complexo para receber embarcações de maior porte.

Além disso, a administração do porto destaca que no início de 2026, foi finalizada uma nova licitação para os serviços de dragagem do canal, medida que deve garantir maior estabilidade operacional para os próximos anos.

— Essa licitação, pela Lei dos Portos, permite ser renovada por até 10 anos. Então, por 10 anos, o Porto de Itajaí tem estabilidade no seu canal de acesso porque a manutenção está definitivamente contratada — conclui Artur.

Federalização do Porto de Itajaí

Até 2024, o Porto de Itajaí era o único porto público do país com gestão municipalizada. Com o fim do contrato de delegação, no dia 31 de dezembro, o governo federal decidiu voltar a administrar Itajaí depois de 30 anos.

Continua depois da publicidade

A mudança causou manifestações contrárias do setor, que argumentava que, durante a municipalização, o porto teve um crescimento expressivo — chegando a ser o segundo complexo em movimentação do Brasil.

A federalização do terminal chegou a ir para a Justiça, mas uma liminar que mantinha a gestão municipal do porto foi derrubada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 1º de janeiro de 2025, passando Itajaí para as mãos do governo federal.