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Chuvas em SC

Sobrevivente da tragédia no Alto Vale lembra noite de terror: "a morte bateu à porta de todo mundo"

Adalberto Bitelbrunn, 36 anos, fala em saudade da terra onde vivia, lamenta a perda de amigos e se emociona ao lembrar dos momentos de caos

20/12/2020 - 05h24 - Atualizada em: 20/12/2020 - 14h17

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Augusto
Por Augusto Ittner
Adalberto (E) e Clodoaldo (D), sobreviventes da tragédia em Presidente Getúlio.
Adalberto (E) e Clodoaldo (D), sobreviventes da tragédia em Presidente Getúlio.
(Foto: )

Adalberto Bitelbrunn e Clodoaldo Censi se emocionam ao lembrar da madrugada de 17 de dezembro. Sentados à frente do portão daquilo que um dia foi uma casa e em meio à lama e escombros, eles relembraram à reportagem do Santa (veja o vídeo abaixo) como foram as horas de terror por conta do temporal em Presidente Getúlio, no Alto Vale do Itajaí.

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Dor, saudade do lugar onde viviam e das pessoas que lá estavam são sentimentos que marcam os moradores da localidade do Revólver, área mais atingida pela enxurrada.

Eles estavam em casa no momento em que a chuva ganhou força. Segundo a Defesa Civil, foram 120 milímetros em apenas quatro horas, suficiente para fazer com que os morros viessem abaixo. Casas inteiras foram arrastadas e as pessoas gritavam por socorro enquanto buscavam a salvação em meio à escuridão da madrugada.

Ao repórter fotográfico Patrick Rodrigues, Adalberto e Clodoaldo contaram como conseguiram se tornar sobreviventes e choram ao reviver a última quinta-feira (17).

— Quando fui voltar para ver minha casa, pensei umas oito vezes antes. Será que tenho coragem? Porque a gente chora antes de ir. Já chorei três dias, não dormi dois. Claro que tem pessoas que estão piores do que nós, porque nem a sacola para levar as coisas embora eles não têm. Tem gente que não tem o parente para abraçar e dizer “eu te amo”. A morte passou por ali, na porta de todo mundo. Nós nos agarramos, nos seguramos, mas teve gente que não conseguiu — recorda Adalberto.

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Já Censi conta que ouviu os pedidos por ajuda, conseguiu socorrer algumas pessoas, mas viu a própria casa desabar:

— Eu estava assistindo ao jogo na TV, e daqui a pouco escutei pessoas gritando por socorro. Abri a porta da casa e vi o drama. Consegui acordar a minha mulher e o meu menino, fui socorrê-los, salvei um, e nesse meio tempo minha casa já tinha ido embora. Ficamos ilhados um tempo, vendo as coisas iam embora... Nem sei como atravessei de um lado para o outro, só via as casas caindo.

Localidade do Revólver, onde moravam Adalberto e Clodoaldo, no interior de Presidente Getúlio.
Localidade do Revólver, onde moravam Adalberto e Clodoaldo, no interior de Presidente Getúlio.
(Foto: )

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