Ralf Junior Dombek Manke vai ser levado ao Tribunal do Júri pela morte dos corretores Deyvid Luiz Leite e Thiago Adolfo, ocorrido em 1º de julho de 2025 em Balneário Piçarras. A decisão da 2ª Vara da comarca indicou que há indícios de que Ralf cometeu o crime. Além dos dois homicídios qualificados, ele também responderá pelo crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

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Em interrogatório, após a prisão em flagrante, Ralf confirmou ter realizado os disparos que atingiram as vítimas, que morreram ainda em uma imobiliária da cidade. A defesa, porém, sustenta a tese de legítima defesa, alegando que o acusado teria sido alvo de uma emboscada.

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O processo tramita sob sigilo e a decisão é passível de recurso, que será solicitado pela defesa. A data do júri deve ser confirmada após a análise do recurso.

Ao NSC Total, a defesa de Ralf ainda afirma que, ao longo da instrução processual, foi apresentado um “conjunto robusto de provas que enfraquece significativamente a narrativa inicialmente apresentada. Tais elementos revelam, com clareza, a real dinâmica dos fatos e apontam para um cenário de legítima defesa.”

“As provas indicam que Ralf foi chamado à sua própria imobiliária para uma reunião que não partiu de sua iniciativa, em um contexto de pressão relacionado a questões empresariais. Não houve planejamento ou provocação por parte de Ralf […] Ao contrário, a convocação partiu de uma testemunha e de uma das vítimas, para um encontro que rapidamente se revelou inexistente, evoluindo para um cenário imprevisível e de alta tensão”, diz o advogado Rodolfo Warmeling.

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Relembre a morte dos corretores

Os corretores Deyvid Luiz Leite e Thiago Adolfo foram mortos a tiros dentro de uma imobiliária no Centro de Balneário Piçarras, no dia 1º de julho de 2025. O estabelecimento era de Ralf Junior Dombek Manke, que também era sócio de Deyvid. Já Thiago era corretor em outra imobiliária.

Conforme apontou a investigação da Polícia Civil, no dia do crime Ralf estava negociando a venda de um negócio para Deyvid e Thiago. Ralf informou que a dívida que negociava com as vítimas era de R$ 25 mil e que foi agredido por eles durante a reunião.

— Ele teria se desentendido e, acreditando que os dois indivíduos que estavam ali na sala dele pudessem estar armados, porque estavam de jaqueta, ele teria desferido os disparos contra os dois. Ele alega legítima defesa e isso vai ser questionado, até porque não tinha outra arma na cena do crime, além da arma do autor — comentou a delegada Beatriz Ribas na época do crime.

Já segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o crime ocorreu após uma conversa amistosa em frente à imobiliária. Na sequência, Ralf teria convidado as vítimas para irem até sua sala. Assim que entraram no local, o denunciado teria efetuado 12 disparos com pistola calibre 9 milímetros.

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Ainda conforme a delegada, Ralf saiu do local e foi para um posto de gasolina, onde a Polícia Militar o encontrou. Ele estava com marcas de sangue e admitiu ter feito os disparos. Os crimes foram qualificados por motivo torpe, relacionado a divergências comerciais, bem como pelo uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas.

As investigações apontaram que o acusado possuía registro da arma, mas não autorização para porte. Após os fatos, ele teria retornado ao local e retirado equipamento de gravação de imagens, que não foi localizado.

A defesa nega o fato e afirma que a empresa responsável pelo suporte técnico das câmeras de segurança teria confirmado que os dispositivos foram retirados do local quando Ralf já estava preso.