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Suposta fraude milionária coloca empresa que teve unidade em Blumenau na mira da PF

Investigação aponta suposto esquema envolvendo a impressão das provas do Enem; RR Donnelley tinha uma unidade na Itoupava Central que foi fechada em 2019

07/12/2021 - 10h27

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Talita
Por Talita Catie
Imagem do dia que funcionários chegaram para trabalhar e descobriram que a empresa tinha encerrado as atividades
Imagem do dia que funcionários chegaram para trabalhar e descobriram que a empresa tinha encerrado as atividades
(Foto: )

A empresa RR Donnelley, que tinha unidade em Blumenau, no Vale do Itajaí, está na mira de uma operação deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (7). 

A investigação apura o suposto superfaturamento de R$ 130 milhões em contratos firmados com gráficas que imprimiam provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 

Segundo as apurações, as fraudes ocorreram entre 2010 e 2019 e envolveram também a empresa Valid.

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A Polícia Federal suspeita que servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) favoreceram a Valid e a RR Donnelley em contratos milionários. 

A operação também aponta que funcionários são suspeitos de enriquecimento ilícito. O g1 entrou em contato com o órgão, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

A operação investiga crimes contra a lei de licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ao todo, são cumpridos 41 mandados de busca e apreensão nos estados do Distrito Federal, Rio de Janeiro e em São Paulo. 

Não há nenhuma ordem judicial sendo cumprida em Santa Catarina, pois a RR Donnelley fechou as portas em Blumenau no ano 2019, ao declarar falência.

Conforme apurou o g1, entre 2010 e 2018, a multinacional que teve unidade no Vale do Itajaí estava à frente da impressão das provas do Enem. A Polícia Federal aponta que a empresa foi contratada pelo Inep sem observar as normas de exigência de licitação. Os policiais identificaram suposto envolvimento de servidores com diretores da companhia.

A reportagem entrou em contato com as empresas investigadas, mas não obteve retorno até a última atualização desta publicação.

Veículos da Polícia Federal em frente ao Inep, em Brasília
Veículos da Polícia Federal em frente ao Inep, em Brasília
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Susto e empregos perdidos

RR Donnelley empregava 160 pessoas na unidade de Blumenau. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que aplica o Enem em todo o Brasil, era um dos principais clientes. 

Como publicado pelo colunista Pedro Machado em abril de 2019, a suspeita direcionamento de licitação para que a multinacional fosse a vencedora já existia lá em 2018. Na época, o Tribunal de Contas da União (TCU) defendeu que o governo federal não renovasse o contrato com a RR Donnelley para a impressão do Enem daquele ano.

A RR Donnelley é uma empresa norte-americana e atua na fabricação de papéis, bobinas, formulários e soluções gráficas. Além de Blumenau, a empresa tinha unidades no Brasil nas cidades de Tamboré e Osasco (SP), onde ficava a matriz. É neste foro que o pedido de autofalência da empresa foi analisado. 

Na manhã de 1º de abril, quase como uma pegadinha alusiva ao dia da mentira, os funcionários chegaram para trabalhar na unidade da Itoupava Central e não conseguiram nem entrar no pátio da empresa. Do lado de fora receberam a informação do encerramento das atividades.

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