Sobrevivente do bolo envenenado que matou três pessoas de uma mesma família no Rio Grande do Sul, Zeli dos Anjos disse que a suspeita do crime, sua nora Deise Moura dos Anjos, queria “descartar” pessoas próximas do marido, Diego dos Anjos. A dona de casa falou sobre o caso em entrevista para a RBS TV.

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Segundo Zeli, Deise tinha um histórico de afastar as pessoas de Diego. Ela conta que a nora arranjava briga com todos que se aproximavam do marido. Os motivos eram variados, mas sempre envolviam alguma pequena confusão, que escalonava para textões em aplicativos de mensagens.

— Desde o início, ela quis descartar as (pessoas) mais chegadas. A primeira coisa que ela fez foi com a Tati (uma das mortas pelo bolo), prima mais chegada ao Diego. Depois, a Regina, que era a tia mais chegada. Ela já começou a descartar. E foi indo por eliminatória — declarou.

A sogra diz que a ex-nora tentou afastar até o melhor amigo e compadre de Diego.

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— Enquanto ela não conseguiu separar eles, ela não sossegou, fazendo fofoquinha, fazendo intriguinha e briguinha. (…) Ela disse: “ele só está feliz quando ele está com o André”, “ah, ele só está feliz quando ele está com a mãe dele”, “ah, ele conversou mais com a mãe dele em uma tarde do que conversou comigo em 20 anos” — recorda Zeli.

Relembre o caso

“Pessoa má”

O comportamento da nora era motivo de alerta para outras pessoas. A sogra diz que considerava a nora uma “pessoa má”:

— Eu sabia que ela era má, que ela fazia maldades, que dizia coisas das pessoas quando estava com raiva. Ela ficava com raiva por pouca coisa. Mas nunca (achei) que fosse chegar a um nível desses. Nunca! Nunca!

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Apesar de saber do comportamento da nora, a sogra diz não entender o motivo de acontecer tudo isso. De acordo com a investigação, Zeli era o principal alvo dos envenenamentos.

— Inveja do quê? Ciúme do quê? Ela é nova, bonita, trabalhava, tinha tudo de bom, não precisava de nada. Eu não tinha nada melhor que ela.

O que diz a defesa

Deise era suspeita de ter colocado arsênio na farinha usada para fazer o bolo. Na ocasião, morreram duas irmãs de Zeli, Neuza e Maida, e a sobrinha dela, Tatiana. Meses antes, em setembro, a mulher teria envenenado um leite em pó que causou a morte do sogro, Paulo. Deise morreu na prisão, no dia 13 de fevereiro.

O inquérito da Polícia Civil, divulgado na última sexta-feira (21), concluiu que Deise foi a responsável pelos dois envenenamentos que causaram a morte de quatro pessoas da família. Ela seria indiciada pelos crimes de triplo homicídio triplamente qualificado e três tentativas de homicídio triplamente qualificadas, mas como morreu, houve a extinção da punibilidade.

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De acordo com Cassyus Pontes, advogado que representou Deise durante o processo, a suspeita “estava sendo investigada por um fato, ainda sem relatório final, já com uma condenação por parte de uma instituição do Estado” e afirmava “que jamais colocou na farinha, que jamais usou no suco” o veneno encontrado pela perícia.

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