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Entrevista da semana

"Tenho me sentido em um campo minado", diz governador de SC, Carlos Moisés da Silva 

Governador falou sobre política, sobre como tem se sentido no comando do Estado há dez meses, sobre conservadorismo e outros temas 

09/11/2019 - 10h15 - Atualizada em: 11/11/2019 - 13h43

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Upiara
Por Upiara Boschi
César
Por César Seabra
Carlos Moisés da Silva, governador de Santa Catarina
Carlos Moisés da Silva, governador de Santa Catarina
(Foto: )

Ao escrever sobre a partida de Simon Bolívar para o exílio e um inevitável encontro com a morte, o escritor colombiano Gabriel García Marquez deu ao romance o título de “O general em seu labirinto”. Em tintas menos dramáticas, o governador Carlos Moisés da Silva (PSL) ainda inicia sua trajetória, mas também vive seu labirinto. Por incrível que pareça, ele atende pela sigla PSL - o partido que colou o então Comandante Moisés à onda que elegeu Jair Bolsonaro presidente da República, mas que hoje vive um divórcio litigioso em praça pública com seu principal líder político.

Na entrevista exclusiva aos jornalistas Cesar Seabra e Upiara Boschi na Casa d’Agronômica, o governador admite que o PSL está rachado. Diz que fica no partido mesmo que Bolsonaro saia e critica as motivações dos parlamentares colegas de legenda que se afastaram de seu governo por seu suposto desalinhamento político com o presidente. Faz isso sem deixar de pontuar diferenças de estilo com o chamado bolsonarismo e mostrar o estilo calmo e moderado de um homem que aprendeu a viver sob pressão antes mesmo de entrar para a política.

Cesar Seabra - O senhor tem quase um ano de mandato. O poder tem lhe feito bem?

Eu sempre digo que estou em uma missão. O poder ele consome também. Não há quem passe por este processo sem doar de si. Seu tempo, sua saúde, sua energia. O poder é algo que é muito claro pra mim que tem um tempo para começar e um tempo para terminar. Não tenho apego. Por outro viés, o resultado que a gente já apresenta, na nossa avaliação de governo é muito bom. Isso nos dá vontade de permanecer, de continuar trabalhando para os catarinenses e para aqueles que vêm para Santa Catarina.

Esse é o padrão: missão, doação e tempo para terminar.

Upiara Boschi - Que tipo de legado o senhor espera deixar no final do seu mandato?

Um governo inovador, transparente, leve e que diminua o tamanho das estruturas públicas de Estado. E que a partir deste movimento de transparência, de compliance, de integridade, o Estado nunca mais volte a ser o que era. A forma de contratar vai ser sempre o melhor para o Estado, a melhor contratação, o melhor serviço. A nossa parceria com os governos municipalistas, penso que isso nunca mais terá volta. O Estado está fazendo alianças com os consórcios municipais. Esse modelo de gestão não existe em outro lugar e vai ficar porque vai dar certo. A gente crê nisso, já está dando certo.

O primeiro consórcio que licitou obras de restauração de rodovias já economizou em sinalização 48%, outros 37% na recuperação.

Upiara - Acha que esses resultados vão vencer a resistência dos prefeitos que temem que o dinheiro repassado pelo governo não faça valer a pena assumir a responsabilidade pelas obras?

Acredito que com isso a gente economiza. Com o mesmo dinheiro a gente vai fazer mais. Isso vai agradar os prefeitos, porque apesar desse temor, o dinheiro que estamos investindo é duas ou três vezes mais o que os governos anteriores investiam. Por exemplo, na primeira compra economizou R$ 30 milhões. É um valor relevante. O governo (Eduardo Pinho Moreira, do MDB) investiu R$ 50 milhões ano passado. Nós vamos investir R$ 70 milhões este ano e cerca de R$ 125 milhões ano que vem, que podem representar R$ 250 milhões. O resultado será bom. Isso não significa que o governo não vai avançar em outras obras de intervenção de rodovias que precisem de um valor mais alto.

Upiara - Essa ideia de repartir recursos e deveres com as prefeituras pode ir para outras áreas além da recuperação de rodovias estaduais?

Com certeza, é o que estamos fazendo. Nesta semana buscamos os últimos municípios para o consórcio da Grande Florianópolis. Tudo que pudermos fazer de forma consorciada para comprarmos melhor, entregarmos melhor, acredito que será a marca do nosso governo.

Upiara - Ninguém vai sentir saudade das secretarias regionais?

Tenho certeza de que não (risos).

César - O senhor não é um político profissional. Como tem se sentido em um meio que é tão criticado no Brasil, até por razões óbvias?

Tenho me sentido em um campo minado. Qualquer movimento do governador, às vezes uma fala, um compromisso assumido, têm as interpretações diversas e muitas delas são negativas porque as pessoas já vislumbram as eleições que se avizinham. Há sempre aqueles que entendem a linguagem do governo e aqueles que fazem questão de não entender. A gente experimenta o lado bom e o lado ruim.

O lado de poder executar, de fazer boas entregas, mas também o lado da interpretação das pessoas.

César - Sei que ainda faltam três anos para completar o primeiro mandato, mas esse lado bom faz o senhor pensar no futuro, em outras ambições?

Eu não retiro o compromisso que eu tenho com as pessoas que vieram trabalhar comigo. Essas pessoas dizem que nós temos que continuar. Quando terminarem esses três próximos anos, a gente vai continuar fazendo entregas, o governo vai estar muito melhor. E o Estado, esta é nossa grande meta, vai estar saneado financeiramente. Aí as entregas quadriplicam. Nossa esperança é continuar o trabalho e revolucionar Santa Catarina.

Upiara - O senhor dizia lá atrás que ia separar o que era o governo e o que era o partido. Agora, diz que tem compromisso com sua equipe. Imagina como estará seu partido, o PSL, quando quiser lá na frente talvez disputar a reeleição?

O partido vai estar purificado, eu diria. Revelado. Porque hoje a gente tem as revelações no dia a dia. Hoje eu caminho pelo interior do Estado com deputados da base do governo que não são do meu partido. Faço entregas com eles, eles participam das demandas, trazem demandas regionais, a gente recebe prefeitos e atende indiscriminadamente.

Da forma como prometemos na campanha, que seria um governo suprapartidário. Se alguns integrantes do partido não entenderam, a gente continua o trabalho de igual forma.

Upiara - O senhor foi eleito na onda gerada pela eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL). O senhor e alguns deputados. Sente-se devedor a essa onda, acredita que deva ter alguma lealdade ao presidente seja qual for o caminho que ele tome?

César - E acrescento, como está sua relação com o presidente?

A relação é excelente. Claro que um presidente é sempre um presidente. Ele não é uma pessoa disponível para todos o tempo todo. Eu preservo muito a figura do presidente. Ele esteve aqui, conversamos. Nossa relação é boa, mas eu sei que as demandas que tenho que entregar não são efetivamente para o presidente. Ele tem um milhão de coisas na cabeça. Eu sempre procuro os ministros e eles estão presentes em Santa Catarina, estamos muito alinhados. A gente consegue receber o retorno de todos os ministérios, tivemos boas notícias em todas as áreas e a gente apoia os trabalhos dos ministérios.

Upiara - Mas o senhor se sente devedor ou sente que de alguma forma deva lealdade à onda Bolsonaro?

Ao presidente a gente sempre deve lealdade. Eu digo que ele é o nosso presidente, é o meu presidente. Temos que ser leais ao nosso grande chefe, o presidente Bolsonaro. Agora, eu não tenho dívida. Minha estada no partido eu tenho certeza de que veio para contribuir com o partido e com aqueles que concorreram à eleição comigo. Eu ajudei a eleger muitas pessoas, não tenho dúvida. Atribuo, obviamente, que o gesto de mudança dos catarinenses também se deu pela renovação que o Jair Bolsonaro trouxe quando se candidatou. As coisas são conectadas, mas não são necessariamente amalgamadas. Elas podem andar lado a lado, mas com projetos.

Nosso projeto é Santa Catarina. As pessoas me perguntam na rede social se eu sou candidato a presidente da República, se alguém me convidou…

César - E já convidou?

Não, não. Tem gente que sonha com isso e vem me perguntar (risos). Não tem conversa, até porque eu digo o seguinte: nosso projeto é continuar no PSL. Continuar fazendo um partido com compliance, com transparência, que não tenha nenhum ato não republicano. Enquanto a agremiação me aceitar… eu nunca fui agremiado a nenhuma, porque vou estar agora pulando de agremiação em agremiação. Eu não tenho nenhum problema com o partido e nem com os outros partidos. Isso me dá muita tranquilidade.

Upiara - A gente pode dividir o PSL hoje entre os que pulariam com Jair Bolsonaro se ele se jogasse de uma janela e os que preferem esperar para ver onde dá essa janela. Em que lugar o senhor está?

(risos) Eu estou na agremiação, estou alinhado, não sairei do PSL. O presidente anuncia que sai. Não sei se é dele essa fala, porque não perguntei. Se isso se confirma, eu continuo. Não tenho nenhum problema com o PSL.

César - Os valores humanos do presidente Bolsonaro comungam com os seus?

É muito difícil de eu avaliar, não tenho essa intimidade. O grupo que o presidente escolheu reflete o que ele é e o que ele pensa. Um homem conservador, que prima pela família, pelo interesses das crianças, pela proteção dos mais vulneráveis. Acho que nisso a gente se alinha. Cada um tem um jeito de se comunicar e nisso a gente não coincide. Eu trato a imprensa da minha forma, ele trata da dele. Ele trata as pessoas da forma dele, eu trato da minha. Como brinquei com o Upiara na primeira entrevista que concedi (na campanha eleitoral), não sou um mini-Bolsonaro. Continuo não sendo, tenho meu jeito. O que eu vejo muitas vezes são pessoas que dizem proteger o presidente ou estar o tempo todo aliado a ele, mas cujas atitudes não são republicanas como deveriam ser.

Muitas pessoas tem uma fachada de dizer que são defensoras de um projeto, mas estão embutidos ali outros interesses…

Upiara - Que tipo de interesses?

Acredito que muitas pessoas estão atrás da dominação de grandes partidos, de fundos partidários, essa influência que o partido vai ter na próxima eleição.

Upiara - Hoje, dos seis deputados estaduais do PSL, quatro dizem que são independentes em relação ao seu governo. Como o senhor compensa isso na Assembleia Legislativa em termos de governabilidade?

Eu vejo movimentos de vários deputados que são solidários ao governo. Deputados que nem fazem parte da base do governo, mas dizem que posso procurá-los quando houver um projeto crucial e importante para o Estado que eles darão respaldo. Esses dias eu estava fazendo uma entrega de uma obra de rodovia que ia se iniciar, eu olhei para o lado e não vi nenhum deputado do PSL do meu lado. Hoje a gente tem alinhamento com os deputados Ricardo Alba e Coronel Mocellin (ambos do PSL).

São deputados que estão firmes neste projeto e que são moderados, equilibrados. A gente vai trabalhar com quem raciocina, quem tem essa capacidade.

Upiara - Eu vi uma foto desse evento em Joaçaba. O senhor estava entre Valdir Cobalchini, Romildo Titon e Moacir Sopelsa, três deputados emedebistas. O senhor construiu uma relação com o MDB, que o apoia na Assembleia. O senhor acha que o eleitor que votou no senhor ano passado esperava uma composição com o MDB?

Eu não sei se isso é uma composição, porque composição na antiga política envolvia dar tantas secretarias (em troca de apoio). Não há isso no nosso governo. Ele é todo técnico. Eu diria que um integrante veio da política e do próprio PSL (Lucas Esmeraldino, secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável).

Upiara - Então vou querer que o senhor conte esse segredo que é como conquistar o apoio do MDB sem entregar cargos ao partido.

As pessoas têm necessidades em suas comunidades. Cada deputado representa uma comunidade. Ele é abordado pelos cidadãos e leva esses pleitos ao governo. A gente tem atendido. Todos eles são obras impactantes, foi o que a gente definiu com os deputados. Tragam obras que impactem no desenvolvimento da tua região. Não precisa ser do meu partido para eu atender isso.

César - Quando eu disse que ia entrevistar o governador, um colega da NSC comentou “ah, o governador sumido”. Como o senhor se sente com isso?

Isso parece um poço sem fundo. Quando mais eu compareço, quanto eu mais rodo, mais as pessoas dizem que eu tenho que estar presente. Eu estava no Oeste e fiz um vídeo na minha rede social e alguém comentou “governador, o senhor tem que vir ao Oeste” sem se tocar de que eu estava no Oeste (risos). Isso não tem solução. São 295 municípios.

Upiara - Dá para governar sem helicóptero?

Dá, sim (risos). É um governador só e eu tenho outro perfil. Isso que é legal deixar muito claro. Serei um governador diferente, vou estar muito focado no governo porque isso traz segurança aos que trabalham comigo. Eu cobro do secretário, mas eu sou muito presente em cada ação. Para isso (atender aos prefeitos) existe Central de Atendimento aos Municípios na Casa Civil, a própria Casa Civil, a Assembleia se relaciona fortemente com o secretário Douglas Borba, todos os deputados quando pedem agenda têm acesso ao governo.

César - É uma lenda a ausência do governador?

Para provar que é uma lenda, nos primeiros nove meses de governo eu estive 61 dias fora da Grande Florianópolis para fazer entregas. Esse é meu perfil: eu só viajo para fazer entregas.

César - O senhor é uma pessoa equilibrada, comedida com as palavras. Como se sente quando ouve declarações sobre volta do AI-5, elogios à ditadura, o peixe esperto que foge do óleo, ofensas a mulher de presidente, menino veste azul e menina veste rosa?

Algumas eu ignoro, porque penso que é o melhor caminho, algumas eu não me contenho. Acho que a democracia é uma conquista do nosso país e não existe nenhuma possibilidade (de golpe militar). Vejo porque já fui militar estadual e me relaciono com militares das Forças Armadas também. O que temos hoje não é perfeito, deve ser aperfeiçoado, mas é o melhor caminho. O caminho do entendimento, dos freios e contrapesos.

Questões menores não devem estar na boca do governante. Toda declaração de governo, federal ou estadual, vai gerar um desgaste.
Carlos Moisés da Silva
"Eu tenho sido vítima de fake news", afirma Moisés
(Foto: )

César - Não acha que isso às vezes parece uma estratégia para desviar de outros assuntos?

Nós temos ministros muito diferentes. Uns com uma linha de atuação e outros na linha mais combativa, de trazer uma polêmica. Há alguns que foram eleitos pela polêmica. Faz uma fala que ganha uma dimensão e em cima dessa dimensão, ganha uma projeção. Mas com tantas demandas que a gente tem pela frente, como agora a do Pacto Federativo, penso que a energia de todos nós deve ser focada nas pautas que são relevantes.

Upiara - O senhor foi convidado para a palestra do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) em Criciúma?

Não recebi esse convite.

Upiara - Iria?

Não sei qual é o tema, mas talvez seja conservadorismo. Particularmente, acho que você tem que ser conservador, se de fato for, nos teus atos e gestos. É como falar de sexo. Tem gente que explica muito como se faz. A melhor coisa do sexo é fazer. É mais ou menos a história do “sou de esquerda”, “sou de direita”. Lembro bem de um evangelista que dizia “evangelize, se preciso for, com palavras”. O que ele quer dizer? Se você vive o evangelho, não precisa nem pregar o evangelho.

Quando a pessoa levanta a bandeira e diz “eu sou conservador”, eu não acredito. O sujeito tem que se auto-afirmar. É a mesma coisa que levantar e dizer “eu sou humilde”.

César - A fake news deve ser muito utilizada nas eleições ano que vem. Como se combate?

Com conteúdo relevante. Alertar as pessoas de que nem tudo que se lê na internet é verdade. Eu tenho sido vítima de fake news. Uma deputada estadual (Ana Campagnolo, do PSL) postou que “o governador acha que o Bolsonaro se elegeu com 2%”. Eu nunca disse isso (em entrevista recente, Moisés disse que os parlamentares radicais do partido se elegeram com 2% dos votos).

Upiara - O que acha dos memes que são feitos sobre o senhor?

Alguns eu acho bonitinhos…

Upiara - Melancia (referência a verde por fora e vermelho por dentro)?

Melancia eu acho ótimo (risos). É uma ilustração bacana (risos)

César - Qual seu papel nas próximas eleições?

O governador sempre dá o apoio dele a determinado candidato. Não vou entregar santinho, mas estar próximo e dizer que aquela pessoa está alinhada. Queremos receber prefeitos que vão para reeleição e têm excelente resultado, confiabilidade. Alguns são até outsiders. Esta semana conversei com dois ou três prefeitos assim. Um é engenheiro, outro empresário. Olho o que ele fez no município e não tenho porque rejeitar.

Upiara - Pode absorver no PSL?

Se ele quiser entrar no partido, se quer ter uma coligação. O que não podemos ter é achar que quem está no PSL é puro e quem está fora não é. O que vejo o PSL? Um partido rachado, com as pessoas se revelando.

Não posso demonizar todos os outros partidos. Se a pessoa tem um bom comportamento, boas contribuições a dar, pode ser absorvida.

Upiara - O senhor já tem nomes preferidos para disputar as prefeituras de Joinville, Florianópolis e Blumenau, os três maiores colégios eleitorais do Estado?

Em Blumenau, eu tenho o nome bem definido, é bem público, que é o deputado Alba. Nas outras duas cidades eu tenho nomes, mas é cedo para falar. Pelo riscos que traz.

Upiara - O senhor disse no começo que imagina no futuro um PSL purificado. Está ansioso por essa purificação?

Talvez a palavra não era a melhor para definir. É como se fosse uma peneira que vai distinguindo quem tem os entendimentos parecidos conosco e quem não tem. Por exemplo, todas as bandeiras que o governo do Estado levantou e foram rebatidas por colegas de partido na Assembleia, não vejo muita razoabilidade. Há entendimento equivocado sobre um desalinhamento com pautas do governo Bolsonaro. Vemos agora movimento do governo federal nesse pacote (do ministro Paulo Guedes, da Economia) que traz redução de incentivos fiscais em 50%. Nós estamos trabalhando em 9% (de redução).

Upiara - Está pronto para a retomada dessa discussão na Assembleia, especialmente na questão da taxação dos agrotóxicos, tão rebatida pelas entidades ligadas ao agronegócio e que sensibiliza sua própria base?

Entendo que o papel do governo está feito, a posição está muito firmada e clara. O que o governo pode fazer agora é fomentar a agroecologia e isso nós vamos fazer através de todas as estruturas de governo. Treinar as pessoas, ensinar, levar o produto à mesa do consumidor. Vamos assumir esse protagonismo. Soja, milho, algodão, essas lavouras grandes que pegam 80% de tudo que se usa em agrotóxico, a gente continua usando, mas tem que escolher melhor os tipos. Porque o resíduo fica aqui. Meu cuidado também é com quem manuseia o agrotóxico.

Por que nossa terra, nosso ar, nossos homens e mulheres do campo valem menos do que lá (países que proíbem tipos de agrotóxicos liberados para uso no Brasil pelo governo Bolsonaro e que pela proposta do governo Moisés passariam a pagar alíquota máxima de ICMS)?

César - Falando um pouco do nosso ofício, o jornalismo profissional está apanhando bastante. Apanhava dos petistas, agora apanha dos bolsonaristas. Como o senhor vê o trabalho do jornalismo profissional?

Uma imprensa independente é fundamental inclusive como base para a democracia, para que a gente tenha a verdade dos fatos e possa discutir.. Em um primeiro momento a gente vê a publicação da imprensa e ela parece tendenciosa, mas depois percebe que o assunto deveria ter sido mais debatido para ser arredondado. Essa é a grande tarefa, a grande missão. Mas hoje a imprensa disputa com o cidadão. Muitas vezes vai se preparar uma matéria e a informação já está circulando. Então, (a imprensa) tem que se reinventar. O jornalismo independente de fato tem que ser independente de governo, diversificar sua atuação.

César - Está confortável na Casa d’Agronômica? Como está sua vida pessoal? Consegue namorar, ir ao cinema?

(risos) Cinema a gente vai menos, de vez em quando um showzinho eu consigo assistir com minha mulher. Este espaço é o lugar viável para o governador estar. Eu fico imaginando como eu teria que me programar se morasse fora deste espaço em que tenho alguma privacidade. O dia inteiro minha privacidade é quebrada, mas quebrada com gente do governo e visitantes.

César - O que é mais difícil: ser governador, cantar, fazer cerveja ou ser campeão de apneia?

Ser governador (risos).

Upiara - Mas dessa experiência de ficar embaixo d’água prendendo a respiração por tanto tempo, tem algum truque da apneia que o senhor traz para os momentos de pressão?

Acho que sim. O Cesar disse que eu sou calmo, ponderado.

Para ser um bom apneísta tem que reduzir os batimentos cardíacos. Isso é uma prática, a gente se concentra, vai ficando calmo.

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