Um estudo sobre as terras raras pode colocar Joinville e Garuva no mapa da mineração em Santa Catarina. Com resultados promissores, o levantamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) indicou altas concentrações que podem apontar a descoberta dos minérios valiosos para a tecnologia na região do Cinturão Ribeira. Divulgado em 11 de maio pelo governo federal, o estudo destaca os avanços atingidos com a pesquisa nacional.
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As terras raras são uma combinação entre 17 elementos químicos encontrados na natureza, geralmente misturados a outros minérios e de difícil extração. Apesar do nome, não são necessariamente raros, mas difíceis de isolar em alta pureza, por estarem misturados a outros minérios, o que torna o processo caro e complexo.
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Como o projeto descobriu o potencial
A terceira etapa de campo dos estudos teve a conclusão ainda em abril. Conforme a SGB, a Avaliação do Potencial de Terras Raras no Brasil – Etapa São Paulo e Paraná abrangeu a região do Cinturão Ribeira, em área que apresenta características geológicas favoráveis à ocorrência das terras raras.
Os cobiçados elementos, principalmente o neodímio ferro boro, são utilizados para a fabricação de ímãs permanentes, extremamente essenciais na fabricação de motores de carros elétricos, mísseis, dispositivos eletrônicos, turbinas eólicas, equipamentos médicos e outros aparelhos da indústria.
As atividades de campo ocorreram nos municípios de Itupeva, Alumínio, Morungaba, Capão Bonito, Juquiá, Jacupiranga, Cajati, Itapirapuã Paulista e Cananéia, em São Paulo; Cerro Azul, Castro, Carambeí e Tijucas do Sul, no Paraná; e Joinville e Garuva, em Santa Catarina.
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As cidades foram selecionadas com base em um levantamento, elaborado em escala regional, que indicou setores mais promissores para a ocorrência desses elementos. O trabalho incluiu atividades de campo, com coleta de amostras de solo e rocha, além do reprocessamento e da interpretação de dados geofísicos e geoquímicos.
Resultados sobre as terras raras são promissores
Os primeiros resultados são bastante promissores, de acordo com a equipe que administra o estudo.
— Em algumas amostras, os teores totais ultrapassam 8.000 ppm (partes por milhão) de TREE (somatória de todos os elementos terras raras), valores considerados altos para esse tipo de ocorrência e que indicam um enriquecimento expressivo — explica o pesquisador do SGB Guilherme Iolino Troncon Guerra.
De maneira simples, o teor em “ppm” significa que para cada um milhão de partes da amostra, oito mil são de elementos das terras raras. Guerra ainda reforça que há também concentrações superiores a 3 mil ppm de elementos de terras raras magnéticos (MREE), como neodímio e térbio em algumas áreas.
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— Justamente esses são os mais valorizados no mercado por seu uso na fabricação de ímãs de alto desempenho, essenciais para tecnologias como motores elétricos e geração de energia renovável — detalha o pesquisador.
Próximos passos do estudo
O Informe Técnico sobre esse trabalho está em elaboração e, em breve, será divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil no Repositório Institucional de Geociências, como foi divulgado.
A próxima etapa de campo do projeto será realizada ainda neste ano e contemplará, entre outros, os municípios de Sete Barras, Tapiraí, Piedade e Natividade da Serra, em São Paulo. Os trabalhos buscam aprofundar o conhecimento sobre as áreas mais promissoras e subsidiar a elaboração de mapas de favorabilidade em maior escala de detalhes.
Importância da descoberta
No mundo todo, a China é o país com a maior concentração de terras raras em seu território, com cerca de 40% da reserva mundial. Logo em seguida vem o Brasil, com aproximadamente 20%. Ao contrário do país asiático, o Brasil não detém a tecnologia de exploração.
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Os novos resultados podem colocar as cidades no mapa das pesquisas e trazer avanços no setor.
O projeto Avaliação do Potencial de Terras Raras no Brasil tem como objetivo identificar novas áreas com potencial para ocorrência de elementos terras raras (ETR) e reavaliar dados de depósitos já conhecidos. A iniciativa também busca ampliar o conhecimento geológico por meio da aplicação de técnicas analíticas modernas.
*Sob supervisão de Leandro Ferreira





