nsc
santa

Por dentro de Blumenau

Toca da Onça: conheça a história contada pelo filho de um dos caçadores   

Localidade no bairro Nova Esperança foi palco de uma caçada na década de 1950 que rebatizou o Morro do Abacaxi em homenagem ao episódio. Filho de um dos homens que abateu o felino relembra o feito que deu origem à Toca da Onça

04/10/2018 - 13h11 - Atualizada em: 04/10/2018 - 13h53

Compartilhe

Talita
Por Talita Catie

Por dentro de Blumenau
Nivaldo Kath é filho de um dos caçadores que abateu o animal
(Foto: )

O quintal da casa de Nivaldo Kath, no alto da Rua Henrique Reif, no bairro Nova Esperança, não é só um refúgio para o aposentado. Entre o cuidado com os bichos e as plantas, ele revive as memórias de um fato que faz parte da história de Blumenau. Foi pelo mato atrás da casa dele, há pelo menos 60 anos, que o pai saiu para caçar uma onça que ameaçava os moradores da região.

Esse episódio acabou rebatizando o então Morro do Abacaxi como Toca da Onça. Nivaldo é filho de Alfredo Kath, um dos quatro caçadores que resolveram enfrentar o animal para proteger as famílias do perigo. O patriarca morreu em 2009, aos 87 anos, e contava sobre aquele dia em que acompanhado dos vizinhos Eugênio Klein, Ernesto Schoenau, David Bolch e um cachorro entrou na mata à procura do felino.

Grandes pegadas no chão e ossadas de bichos mortos foram os sinais que levaram os moradores da região (na época pouco habitada) a ficarem atentos à presença da onça.

– Eles perceberam que podia machucar alguém, aí decidiram sair para tentar abatê-la e deu certo – recorda Nivaldo.

Ele afirma ainda que a captura levou certo tempo. Os caçadores teriam saído no domingo e só retornaram do mato na segunda-feira à tarde, por volta das 16h.

A história da Toca da Onça

Origem do animal foi motivo de discussão

A origem da onça até hoje é motivo de discussão. O Arquivo Histórico José Ferreira da Silva aponta duas hipóteses bastante debatidas na época, em 1953. Havia quem acreditasse que o felino era foragido de um circo. Outros defendiam que em consequência de uma onda de frio, ela desceu do planalto em busca de clima mais quente e ficou pela região.

O animal, de aproximadamente 90 quilos e dois metros e meio de comprimento, foi abatido com tiros de espingarda e levado ao Grêmio Esportivo Olímpico, na Alameda Rio Branco. Nivaldo conta que lá o couro do bicho foi tirado. Daquele dia em diante, os moradores afirmam não ter visto mais sinais de nenhuma onça. Isso porque, durante um tempo, houve a preocupação de que existisse ao menos mais um. Foi o que sugeriu o jornal A Nação na época, ao publicar: “É bom ter cuidado, uma vez que as onças costumam andar aos pares.”

A professora e historiadora Sandra Regina Rosa da Costa fez um trabalho com os alunos da comunidade da Toca da Onça para resgatar a história que deu nome à região. Ela afirma que os estudantes entrevistaram a mãe de Nivaldo, dona Helga, em 2006. Ela disse que a comunidade sentia muito medo depois de saber que havia uma onça rondando as terras, principalmente porque as crianças iam para a escola por uma picada no meio do mato.

Toca da Onça
(Foto: )

Depois que a onça foi abatida, muitos caçadores afirmavam que eram os responsáveis pelo feito. As fotos, porém, mostram apenas os quatro vizinhos e o cão junto com o animal já sem vida e fora do mata.

– Houve uma carreata na Rua XV de Novembro com a onça em cima de um automóvel. Depois, levaram para o Olímpico e lá sortearam a pele – recorda Sandra.

CAÇAR É CRIME

Desde 1998, matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente é crime contra o meio ambiente. A pena prevista é detenção de seis meses a um ano e multa.

Toca da onça
(Foto: )

Leia também

::: Neném: o guardião do Morro do Cachorro

::: Ossadas encontradas em Ilhota têm mais de 5,8 mil anos

Colunistas